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Jornal iTEIA

01.10.2012 - 11h06

CAMINHADA RELEMBRA MASSACRE E LIDERANÇA INDÍGENA

Cerca de mil pessoas foram acompanhadas por membros da Força Nacional munidos de armas de fogos e câmeras

Produção colaborativa Oca Digital

ampliar Oca Digital

Depois de um grande Porancy sobre o cemitério indígena na praça principal de Olivença (distrito de Ilhéus/BA), a aldeia-mãe dos índios Tupinambá e de realizar a Oração ao Sol (ver abaixo) nas portas da Igreja de Nossa Senhora da Escada, índios e não índios partiram neste domingo (30), para a 12a Caminhada Tupinambá em Homenagem aos Mártires do Massacre do Cururupe e Caboclo Marcelino.

Cerca de mil pessoas participaram do trajeto de 9km sob um sol forte, que apareceu depois de uma semana se escondendo sobre as nuvens. Ao final da caminhada, após passar tanto pelas duas pontes que cortam o Rio Cururupe (a antiga, contra a qual Marcelino lutou, e a nova construída, na BA 001), os Tupinambá e outros indígenas presentes realizaram, na praia onde deságua o rio, o Porancy, ritual indígena de comunhão com a terra, composto cânticos em português e em Tupi.

A polícia militar e a Força Nacional estiveram presentes durante todo o percurso, exibindo armas de fogo de grosso calibre. Os membros da Força Nacional, ainda, filmaram e fotografaram a caminhada e os rituais sagrados realizados na rodovia.

A caminhada também marcou o final do IV Seminário Internacional de História e Cultura Indígena: Índio Caboclo Marcelino. A cobertura do Seminário está sendo realizado por indígenas que participaram de laboratórios de apropriação de Artes e Tecnologias promovido pela Oca Digital, realizado pela Thydêwá e Cardim Projetos e Soluções Integradas, com o Patrocínio da Telefonica/Vivo e do Fundo de Cultura da Secretaria de Cultura da Bahia.

Índio Marcelino

Personagem presente na memória do Sul da Bahia, Marcelino José Alves foi uma liderança Tupinambá que organizou o movimento indígena para reivindicar seus direitos no início do século XX. Um dos poucos que sabiam ler e escrever, era visto como ameaça pelos brancos, sendo considerado um “Lampião”, Marcelino liderou a resistência contra a construção da ponte sobre o Rio Cururupe que liga o distrito de Olivença à cidade de Ilhéus, o que acabou facilitando a expulsão dos Tupinambá de suas terras. A luta ficou conhecida como “Revolta do Marcelino”

Massacre do Cururupe

Conhecido nos livros de história como a “Batalha dos Nadadores”, é um episódio histórico conhecido porque no final da batalha, em 1559, o governador geral do Brasil, Mem de Sá, ordenou um massacre às margens do Rio Cururupe, deixando os corpos dos indígenas estirados por uma légua pela praia.

“Oração Tupinambá ao Sol

Oh, grande espírito, cuja voz traz aciona os ventos,
e cujo alento dá vida a todo mundo.

Ouve-me, sou pequeno e fraco
necessito de sua força e sabedoria
deixa eu me andar em beleza
e faça com que meus olhos possam sempre contemplar
o vermelho e a cúpula do pôr-do-sol.
Faz com que as minhas mãos respeite tudo que fizeste
e que meus ouvidos estejam aguçados para ouvir a tua voz.
Faz-me sábio
para que eu possa compreender as coisas que ensinaste ao meu povo.
Deixa-me aprender as lições que puseste em cada folha e cada rocha.
Busco força,
não para ser maior do que meu irmão, minha irmã
mas para lutar contra o meu maior inimigo: eu mesmo.
Faz-me sempre pronto
para chegar a ti
com as mãos limpas
e o olhar firme,
a fim de que
quando a vida se apaga
como se apaga o poente,
eu espírito possar estar contigo
sem me envergonhar

Awerê!”

Publicado por: Aléxis Góis em 01.10.2012 às 11h49
Tags: seminário, bahia, tupinambá, olivença, marcelino, caminhada, cururupe
Canais: IndiosOnLine, OcaDigital

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