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Teia 2010

A Teia 2010 celebrou em Fortaleza uma ousadia artística como a nossa geração – que viveu nos 80’s os seus vinte e poucos anos – não havia ainda assistido. Circular pelos palcos armados em volta do centro cultural Dragão do Mar, abertos aos participantes do evento e ao público em geral de Fortaleza-CE, é certeza de uma grata surpresa musical, às vezes com manifestações ressuscitadas dos confins meteóricos desse país nosso, o Brasil.

Nem é preciso boa vontade para logo estar envolvido pelos sons pulsantes dos tambores, as palmas das matracas, os ritmos dos pandeiros, a dança dos sons, a dança de sons tão distintos, capazes de nos deixar mesmo chapados com a maravilhosa riqueza da verdadeira música produzida nos rincões dos sertões de nossos país, o Brasil.

São mesmo tão diferentes entre suas células rítmicas, com um potencical nobre de nos conduzir a um manancial de fontes criativas, agora associando-se através de novas tramas tecidas no tapete político de cada cidadão, no chão de sua cozinha de barro nos cafundós de Minas, nos córregos de Manaus, no acampamento rural, nas vilas distantes, nas aldeias, nos quilombos, as periferias urbanas e mais outras vias por onde irrigaram-se as veias secas, sedentas de arte, que agora estamos iniciando a cultivar.

Não foi por milagre, nem nada disso. A viagem e a empreitada topada por Gil (bertoGil), desde sua entrada para a frente do MinC não era uma falácia. Mostrou-se sólida, aparada por nomes inequívocos em seus projetos, como o cara da Cultura Viva (Célio Turino). Através de pessoas com atitudes reais de cidadania, prática e viva, dinâmica, livre. Aqui sim, o ambiente é real. Realçado pelas muitas cores e estandartes, encontros diversos, pontes, possibilidades, … sem hipocrisias.

Sem hipocrisia. Sabe-se que é preciso botar o dinheiro para circular. Vamos dividi-lo. O bolo vai inchar muito mais e dará para todos uma garfada. Chega de relegar uma parte do povo ao ostracismo, ao descaso. Vamos exibi-los orgulhosos em suas bandeiras múltiplas, com suas túnicas artesanais, suas línguas proibidas, seus estoques de folias, suas feiras livres etc. Assinem o cheque.

A despesa de uma operação como A Teia requer gastos altos. Mas a despesa de uma logística tão complexa, custa pouco menos que as lautas farras dos cerimoniais cabulosos das casas civis de cada estado nacional, e ao menos estão sendo usadas e divididas com um número cada vez mais incluído de pessoas, novos nomes, outros, que são arrastados de vales obscuros para ficarem bem acomodados, em hotéis com instalações decentes, estimulados a partilharem seus conhecimentos e experiências, discutir novos caminhos para suas realidades sombrias, rotas de saída para escapar ao insidioso caminho proposto pelo estado brasileiro desde sempre.

Pela primeira vez estamos nos confrontando com o nosso próprio rosto, divisando a réstia de nossa estatura, atendendo aos convites sem temor, vibrando mais, sorrindo mais, ainda sonhantes. Nessa medida, justifica-se o vigor e a empolgação de muitos desses tantos que vejo sentado daqui, em minha mesa de plástico, no refeitório coletivo de todos os presentes.

Mautner está entre nós. Juca está entre nós. Celso está entre nós. Todos juntos atando os laços dessa teia que queremos ver mais forte, enraizada no que somos mesmo, nas nossas origens, nos nossos tons e temperos, nossa estirpe, nossos traumas, nossa história como povo, nossa vida.

TEXTO ORIGINALMENTE PUBLICADO em sitiodoesso.com

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