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Entrevista- Ivana Bentes -Secretaria Cidadania e Diversidade

Ivana  Bentes é secretária da Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura. Em sua história ela carrega uma forte ligação com a cultura popular e a comunicação. Nascida em Parintins, berço de uma das maiores manifestações culturais do Brasil, ela fala um pouco sobre sua ligação com a cultura popular e tradicional e riqueza dessas culturas.




ECTP – Qual a sua relação com a cultura popular?


IB - Eu sou amazonense de Partintins, lá do Boi de Parintins. Eu sempre tive uma relação muito forte com a cultura popular. Minha família é ligada as festas. Depois eu fui para Rio Branco, no Acre, que tem outro tipo de cultura, que é a indígia. Ao meu ver as duas se relacionam muito. Quando, já no Rio de Janeiro, na direção da Escola de Comunicação da UFRJ, nos tornamos Pontão de Cultura Digital, em 2009, passamos a nos relacionar com grupos de cultura, tanto popular quanto os movimentos urbanos. Esses movimentos também tem ligações muito fortes dada a origem rural de quem veio do interior para as favelas, por exemplo, trazendo as folias de reis, as músicas, muitas tradições.  E essa minha relação com a cultura popular e tradicional foi só aumentando.


ECPT – A cultura popular sofreu algum tipo de influência por conta da urbanização?


IB – Sem dúvida. E existem vários feômenos que chamamos de remixes, de combinação. Da mesma maneira que vimos aqui no Sertão o vaqueiro tangendo o boi com moto, nas favelas, por exemplo, encontramos uma geração mais nova da Folia de Reis, que já vai incorporando o funk na cantoria. Mas isso é uma mistura muito interessante e acontece no Brasil todo. É mais uma riqueza do que uma descaracterização. Claro que acho também que é muito importante mantermos uma tradição, a exemplo do que vimos aqui com os cangaceiros. São as roupas, a indumentária e a dança trazendo uma forte característica de preservação. E a gente trabalha muito com essa perspectiva dentro do Ministério da Cultura. É preservar e manter mas sem estar fechado as transformações normais da cultura oral e da cultura tradicional. Para isso basta observar os cordéis no nordeste que misturam cultura popular e cultura de massa.


ECPT – Como você enxerga o Encontro de Culturas Populares e Tradicionais?


IB – É importantíssimo. Essa região é riquíssima. Aqui, no sertão do Pajeú, e o sertão do Cariri são especiais, formam quase um território cultural próprio. E são esses territórios que temos que olhar com muita atenção, pois são locais que tem uma diversidade cultural enorme dentro de uma geografia limitada. E o que tem me chamado mais atenção são as apresentações culturais como espetáculo e não apenas como transmissão cultural. E isso a gente tem trabalhado muito no Cultura Viva. São duas faces, a do movimento tradicional e a apresentação do espetáculo, voltada para atrair as pessoas para a cultura. E aqui temos tudo isso. Sem falar que o fomento a essas apresentações é uma forma de ajudar a preservar cada manifestação esustentá-la economicamente.


ECPT – E essa é uma das grandes preocupações do MinC, fazer com que esses mestres possam difundir essas manifestações?


IB – E serem reconhecidos. Vários deles que nos procuram querem esse reconhecimento. Um grupo que faz a encenação do xaxado, um grupo cultual de base comunitária, por exemplo, quer inicialmente ter o reconhecimento da sua relevância cultural. Reconhecimento simbólico. Algo que no Brasil demorou muito. Só nos últimos 5 ou 10 anos vimos essa cultura tradicional popular mais reconhecida por grupos que vem de outros estratos sociais, e do Estado, reconhecimento não apenas da importância social, mascomo estética e como linguagem, tão importante como qualquer outro grupo urbano. Essa é uma das nossas preocupações iniciais. Isso é muito importante tirar os grupos tradicionais e populares de um “gueto”.




ECPT – Como você vê, hoje no Brasil, a disseminação da produção cinematográfica no Brasil em relação a cultura tradicional?


IB – Eu acho extraordinário. Se formos observar existe uma migração natural dos grupos da cultura oral para cultura audiovisual, tudo isso devido a facilidade da oralidade e do registro das manifestações culturais. Veja você que o oral e o audivisual juntos fazem todo sentido. Ele vai além do registro, é um movimento de difusão e documentação, além de toda sua linguagem estética. Eu ví jovens do canavial fazendo filmes sobre o próprio canavial e seu cotidiano. Jovens cineastas indígenas, jovens das Folias de Reis trazendo sua estética para o vídeo.E é essa renovação da linguagem que pode dar uma grande contribuição ao cinema brasileiro.




Por Tiago Areias



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