Descrição
Dona Lurdes era uma mulher pobre. Muito pobre que vivia com seus sete filhos num pequeno casebre na Vila do CAIC.
Era uma vida difícil, já que ela não trabalhava, e, que por isso mesmo, seus filhos tinham que ir para as ruas em busca de comida.
Certo dia, dona Lurdes se viu numa enrascada, foi quando a turma do GAMR, estive em sua casa no mês de maio para rezarem o tradicional terço em homenagem a Nossa Senhora – a mãe de Jesus, e, pediram a ela, para rezar um mistério.
Ela não quis, teve medo de errar, mas com a insistência, ela acabou aceitando.
O Pai Nosso, até que conseguiu, mas a Ave Maria, não conseguia, tentava, ficava nervosa, mas não saia, trocava as palavras, e sentia uma vergonha incrível, e tentava justificar o seu fracasso...
Pobre dona Lurdes. Quando criança ela acompanhava sua mãe aos terços marianos e as novenas natalinas, mas, ela acabou engravidando quando ainda era uma criança, e sua vida passou muito depressa, esquecendo até mesmo de sonhar.
Pobre dona Lurdes, todo ano um filho – “sem pai”.
Pobre dona Lurdes, que já era avó, e que também criava o neto.
Pobre dona Lurdes, não sabia nem mesmo rezar.
Enfeitava a casa com gravuras de Santos, se esforçava, mas não sabia rezar.
E na sua ignorância, de não saber rezar, no silêncio da noite, ela calava. Calava a voz, e, se esforçava para não pensar em nada, e não pensando em nada ela encontrava-se com Deus.
Mas não sabia que era Deus, pois ela sempre aprendeu que Deus estava nas igrejas, e não conseguia entender que Deus poderia estar no silêncio de sua alma.
Pobre dona Lurdes que na sua ignorância, acreditava que só quem possuía o dom da voz e das letras é quem poderia falar com Deus.
Pobre dona Lurdes, que na pobreza, possuía um grande tesouro, a humildade, a bondade, a simplicidade.
Pobre – rica dona Lurdes, que não sabia rezar, mas sabia escutar.
Gravatá, 13 de Maio de 1999.
Canal
Sistema de Origem
PENC
Autor/a
Descrição
Atua na área cultural em ONGs na cidade de Gravatá, a mais de 20 anos. Hoje responde pela Diretoria Pedagógica do GAMR "Grupo de Apoio aos Meninos de Rua", sendo responsável técnico por três importantes projetos - Estúdio Social Harald Schoeps (Financiado pelo BNB de Cultura), Fábrica de Cultura (Financiado pela FUNDARPE) e Incentivo a Formação de Banda (Kindernothilfe).
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