Miniatura

Descrição
De repente escureceu
As vinte pra o meio dia
E tudo ficou no breu,
No mundo nada luzia,
Pois o sol esmoreceu
Falhando sua bateria
E passada a garantia
Deus pediu um orçamento
Pra autorizada do “dia”
Que lhe cobrou pelo intento,
Numa grande revelia,
O seguinte pagamento:
De Júpiter um anel
E quatro corpos celestes
E das divisões do céu
Pediu metade do leste
E ainda descontento
Dez mil arrobas de vento
E a sombra do Everest;
Mas Deus disse: “Tá cá peste,
Tá cá gota, esse menino,
Desse jeito tu me quebras!
Tenha senso, tenha tino
Que cá crise mundial
S’eu gastar mais um real
Deixo até de ser divino!”
Prosseguida a peleja
No vão da negociação
Deus já tava desistindo;
Foi quando da escuridão
Veio uma voz Severina
Daquelas bem nordestinas
Propondo uma solução!
E num é que era Biuzin
Lá do alto do Cruzeiro
Que tava ouvindo a pendenga
E como um bom futriqueiro
Cutucador de buraco
Decidiu dar seu pitaco
Para o nosso criador
Disse: meu santo Senhor
Se o sol está quebrado
Se o breu tomou o mundo
E o dinheiro está contado
não se ponha aperreado
Pois eu tenho uma saída
Arranje um grande balaio
Que seja extenso em volume
Depois atole ali dentro
Pra mais de mil vaga-lume
E faça que ele se aprume
No eixo do vão solar
Para a terra alumiar
Até que o sol se arrume
E Deus disse: eita Biuzin
Que idéia genial
Uma solução tão simples
Pr’um problema mundial
Que na tua inteligência
Vai me livrar da falência
E me manter divinal
Já como agradecimento
Por tanta sagacidade
Beba da minha bondade
Não se acanhe e tenha fé
Diga-me o que você quer:
Ser rico, belo, famoso,
Poderoso? O que quiser!
Mas biuzin disse: Divino,
Como já sou nordestino
O resto é bicho de pé...
João Pessoa, 11/05/2009.
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Tag
crise | divino | jessé costa
Sistema de Origem
PENC
Autor/a
Descrição
Nascido em 14 de novembro de 1987 na cidade de Timbaúba-PE, onde foi criado até os 18 anos; em 2005 mudou-se para João Pessoa-PB para cursar Engenharia de Produção Mecânica na Universidade Federal da Paraíba. Em 2011 pegou o beco pra Belo Jardim-PE, onde foi exercer a profissão de engenheiro numa grande indústria pernambucana. Começou a escrever e publicar poesias populares, matutas e cordeis em seu site no ano de 2008. Apaixonado pela simplicidade e beleza do "mêi do mato", é devoto da poesia popular e matuta. Um Poeta que costuma definir sua poesia como sendo "um menino sem mãe, correndo doido em cima do muro que serapa a loucura da razão"; quando questionado, emenda logo que não tem nada de inspiração; e sim doidiça - uma doidiça poética da pior espécie.
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