Descrição
Eu, sentado no trono da existência,
Vi o tempo em meu corpo se envolver,
Seqüestrando de mim a resistência,
Sem promessas de um dia devolver.
Sem proposta sequer de um resgate,
Minhas forças vencidas sem combate,
Vejo a morte batendo à minha porta.
Minha fé quase morta soluçando,
O amor no meu peito agonizando,
E a minha esperança quase morta.
No meu rosto, os sinais são evidentes,
Minha pele perdeu a sua textura.
Lábios, charme, sorriso e até os dentes,
Já não guardam a mesma formosura.
Os meus olhos sem brilho e tão distantes,
Como poços de pranto, delirantes,
Já não são tão fieis ao meu presente.
E a sombra do medo me alcança,
Quando os últimos flashes da lembrança
Ressuscitam meus sonhos de inocente.
O pincel da idade me tingiu
Com a tinta que Deus lhe preparou,
Cada pelo que o tempo não puniu,
E a mão do viver não derrubou.
Meu aspecto mudado denuncia
A moldagem que o tempo propicia,
A matéria em contraste a qualidade.
Criançóticos surtos são gerados,
Minha mente negando os resultados
E meu corpo perdendo a validade.
Inseguro, me imponho a cada passo,
O tremor muscular rouba a coragem.
Não mais dou testemunho do que faço,
No espelho eu estranho a minha imagem.
Os meus nervos são tiras e farrapos,
O vigor transformou meu sonho em trapos,
O meu ego estufou, mas encolheu.
Vez por outra me pego andando a esmo,
Como que a procura de mim mesmo,
Sem saber onde estou nem quem sou eu.
Eu não tento sequer uma proeza,
Das que outrora pra mim eram normais.
O meu rio perdeu a correnteza,
O meu barco ancorou num velho cais.
Enfrentei tempestades com bravura,
Mas o tempo que deu-me a aventura
Escondeu-me o sol da meninice.
Na penumbra da ilha deprimente,
Meu futuro vestiu-se de presente
Pra fazer-me surpresa na velhice.
Ao tentar caminhar, me desconcerto,
Ao tentar me sentar, não acho canto.
Se eu durmo, por vezes eu desperto,
Quantas vezes me deito e me levanto!
Não encontro sabor no alimento,
A pressão
Canal
Sistema de Origem
PENC
Autor/a
Descrição
Lima Júnior, Jacinto Antonio de - Poeta Declamador e Escritor, filho de Jacinto Antonio de Lima e Mª José dos Santos Lima - de quem herdou a tendência poética sendo o nono numa família de dez irmãos, nasceu no dia 29/12/1970, na cidade de São José do Egito-PE, denominada “Berço Imortal da Poesia”, no sertão do Pajeú. Ainda criança seguiu com pais e irmãos para o estado da Bahia, residindo em Juazeiro e Sobradinho, vindo a passara maior parte da sua infância em Jatobá-PE. Desde 1994 reside em Tuparetama-PE, onde casou e fixou morada, cidade que lhe serviu de cenário para parte de sua vida e desenvolvimento dos seus trabalhos poéticos, nos quais expressa todo o seu amor pela cidade e pelo seu povo. Como um simples sertanejo, sem anéis ou diplomas, usa dos artifícios da alma, para sentir e externar seus sentimento e concepções.
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