Descrição
Se antes tínhamos certezas agora com o mundo globalizado, tudo se foi. Jogamos a água e a criança pelo ralo, no sentido de que resolvemos acabar com a sociedade e estamos construindo outra.
Assim estamos realmente perdidos pois o que nos garantia uma vida tranqüila eram determinadas fórmulas, hoje impossíveis de serem aceitas.
É verdade desconhecemos completamente o nosso futuro. Só para lembrar, de uma coisa besta, telefone, em passado recente era tão caro e raro que haviam pessoas que compravam telefones para alugar e viviam disso. Depois vieram os primeiros celulares, denominados moleculares, grandes, enormes, que davam mais status do que qualquer outra coisa.
Agora temos celulares acoplados com filmadoras, máquinas fotográficas, internet sendo atualmente absolutamente comuns, perdendo a característica de símbolo de status.
Há pessoas que dizem não poder viver sem celulares. Exageros a parte, eles passam a ser, cada vez mais, para nosso infortúnio, máquinas que carregamos. Antes só relógios agora celulares.
Antes as famílias eram constituídas para sempre, agora temos múltiplas formas. Vão desde casamentos estáveis e eternos que continuam existindo, até múltiplos relacionamentos. É verdade que, por vezes, caímos do cavalo, ao cumprimentarmos amigos casados que se casaram novamente e não fomos devidamente comunicados. Isso, a parte, fica difícil pensarmos em várias questões como, por exemplo, a educação diante dessa nova realidade que se coloca com, cada vez maior freqüência. Não que no passado não houvessem casamentos pro forma, mas agora perdeu-se o padrão do que seja o casamento.
O mais diferente de tudo diz respeito ao emprego. Antes eles costumavam ser estáveis, agora em vista da produtividade, concorrência, competitividade e tantas outras coisas, muitas delas pura invencionice estamos diante de fatos que jurávamos não existir. Hoje os empregados são entendidos como seres altamente privilegiados, pois que campeia um enorme desemprego, mundo agora.
Íamos aos bancos e víamos uma multidão de empregados. Conversávamos com eles, pedíamos orientações, sabíamos do que acontecia, mesmo a nível pessoal, familiar. Hoje vemos máquinas informatizadas, pessoas que se identificam mais com elas do que com a gente. O banco transformou-se num lugar frio, gélido, com poucos empregados. Alguns só tem mesmo o segurança e nada mais.
As compras, eram sempre motivo de grandes encontros. Ir à feira era uma tarefa adorável. Comer pastéis, bolinhos de carne, provar disso e daquilo. Sentir o cheiro de tudo o que estava exposto.
Hoje supermercados onde as pessoas correm, voam só dizendo olá, até logo, como vai e nada mais. Não tem mais odores, é tudo aromatizado, predominando uma higienização que de tudo tira o gosto.
Como será a sociedade do futuro? Essa dúvida sempre ronda as rodas de conversa. Alguns afirmam que tudo o que temos visto, nos próximos dez anos terá sido radicalmente modificado, nem sempre para melhor.
Evidente que ir ao dentista hoje é bem mais interessante do que era no passado, onde predominava o sofrimento. Motores com cordinhas, movidos ao pé do dentista, enfim mais uma tortura do que propriamente uma cura para os males dentários.
O mesmo podemos dizer dos médicos, é incomparável o tratamento médico atual com o do passado recente. As técnicas médicas, cirúrgicas ou não evoluíram muito e para melhor. Claro continuamos morrendo, pois que isso é de nossa condição humana.
Mas é verdade também que uma pessoa hoje com 50 anos está mais do que apta para o trabalho, esporte e tantas outras atividades. Em nosso passado ela já estaria cuidando de netos, dando solene adeus à vida. Prorrogamos esse adeus para 80 anos ou mais, com condições muito boas de vida, o que é excelente, nos permitindo desfrutar melhor a vida.
Mas perdidos em muitas coisas podemos estar agora nos encontrando quando descobrimos que o nosso trabalho, antes um tremendo castigo, agora, graças aos processos informatizados, passam a ser objetos de intensa paixão. Ficamos horas e horas frente ao computador, realizando inúmeras tarefas, como essa que faço agora, escrevendo, sentindo sempre um prazer muito grande.
Talvez seja esse o sinal do nosso reencontro, possibilitando que possamos atravessar com tranqüilidade a idéia de uma acumulação de capitais desenfreada, por um processo de enriquecimento visando desfrutar melhor a vida e seus inúmeros encantos.
Pensando mesmo que todos são possuidores desse direito e que, portanto ele deve ser ampliado. Estão na moda palavras esquecidas como solidariedade, harmonia entre os homens e entre estes e a natureza, ou seja, estamos em processo de transformação começando a descobrir uma saída, um objetivo para que possamos viver bem em sociedade.
É por isso mesmo que jovens hoje estão procurando outras formas de vida, estas com intensa participação nas artes, na solidariedade, no contato contínuo com a natureza.
Na verdade não estamos perdidos, vivendo apenas uma crise de transição, uma mudança de época. Momento extremamente rico, onde entendemos que o passado não atende mais às necessidades do futuro, onde buscamos avidamente novos caminho que agora parece que começamos a encontrá-los, restando realizarmos essa nova caminhada com toda a humanidade.
Esse pertencer a humanidade é algo hoje muito forte, pois que estamos em contato com todos, na medida em que todos estão comigo,na minha casa, no meu micro, na minha vida e eu, simultaneamente, estou também com todos, globo afora.
Texto publicado originalmente na revista Escrita Guatá. Leia mais textos sobre sociedade no site www.guata.com.br
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Entidade de natureza artístico e cultural, sem fins lucrativos, que congrega mobilizadores culturais em Foz do Iguaçu, Paraná. Direcionada ao resgate da memória das diversas culturas praticadas na região da Tríplice Fronteira, desenvolve projetos de incentivo à leitura, ao registro e documentação da memória e à democratização dos bens culturais da região. O site "Guatá, cultura em movimento" faz parte do projeto "Tirando de Letra - de incentivo à leitura", juntamente com a revista "Escrita - Guatá", impressa e distribuída em escolas públicas de ensino médio, gratuitamente.
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