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Descrição
Você já teve aula de gramática? E sobre a etimologia das palavras? Há pouco mais de ano e meio, em São Paulo, já podemos descobrir, brincar, criar, perceber como se deu a formação das palavras em nosso idioma, o português. Passeando este mês pela Estação da Luz, local de ponto de encontro, de partidas e chegadas, de tantos e tantos que aqui passaram imigrantes, viajantes, personalidades, políticos e migrantes vamos mostrar à você o lugar da descoberta da nossa língua, um espaço dedicado ao estudo e dinâmica da língua portuguesa.
UM ESPAÇO INTERATIVO E MIDIÁTICO
Recebidos por Marina Toledo, Coordenadora do Setor Educativo do Museu, vamos descobrindo que a língua é uma coisa viva e dinâmica e foi isso que acabou “cunhando” o próprio espaço do Museu. De forma interativa e totalmente midiático, faz com que as pessoas façam uma imersão na língua e a sintam. “Na verdade, a nossa língua, nós a usamos o tempo todo, mas muitas vezes a gente não se dá conta. As pessoas não se dão conta do que é esse instrumento de linguagem. A proposta do Museu é mostrar o que é essa língua portuguesa e de que forma ela surgiu. De onde veio esse português?” Questões como a história, formação e universalidade do português também são contemplados, afinal encontramos ela em vários lugares do mundo, o “foco” de ser aquilo que nos une e que nos dá uma identidade. Mas de que forma isso é feito?
O COMEÇO
Toda parte de concepção, pesquisa e montagem foram realizados pela Fundação Roberto Marinho. A idéia de se criar um Museu voltado para a Língua Portuguesa procurou contemplar não só esse objeto a ser trabalhado, pesquisado, mas também o espaço, da Estação da Luz, local de partidas e chegadas dos trens metropolitanos. Através de projeto e execução da restauração e readequação dos espaços foi possível elaborar-se uma museografia onde grande parte dos objetos que encontramos ali é a língua mesmo. Ou seja, trata-se de um objeto imaterial.
A idéia leva a assinatura de Ralph Appelbaum, que tem em seu currículo o Museu do Holocausto, em Washington, e a Sala de Fósseis do Museu de História Natural, em Nova York. O conteúdo e criação ficaram a cargo de um time composto por cerca dos 30 maiores especialistas em Língua Portuguesa do país, entre eles Alfredo Bosi, António Risério, Ataliba de Castilho, Yeda Pessoa de Castro (Línguas Africanas) e Ayron Rodrigues (Línguas Indígenas), além de José Miguel Wisnik. Uma ampla equipe ficou responsável pela elaboração de todo o conteúdo que sustenta cada módulo da exposição permanente, que contou ainda com a direção artística de Marcello Dantas. Atualmente a direção do Museu está a cargo do Sr. Antonio Carlos Sartini. Lembrando que o Museu está vinculado a Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo e quem o gerencia é o IBL – Instituto Brasil Leitor, que entre as suas ações (que são várias) estão as Bibliotecas do Metrô, do Programa Embarque na Leitura.
O QUE ESPERAR ENCONTRAR ALI?
O Museu da Língua Portuguesa tem uma visitação muito grande, cerca de 1.700 pessoas por semana. O grande segredo dessa visitação é o boca-a-boca mesmo, porque elas chegam ao espaço – adolescentes principalmente – e saem absolutamente encantados. Eles vêem a gramática de uma forma totalmente diferente. Eles percebem que a língua é o que ele usam em seu cotidiano. No espaço expositivo ocorrem uma grande quantidade de estímulos, sejam através dos vídeos, dos totens com a origem das palavras, o jogo do beco das palavras. Trata-se de uma “descoberta”. Orientados pelos educadores, ou mesmo lançando o desafio de descobrir quais as línguas que influenciaram na formação do português; as palavras da língua portuguesa que se referem mais a fauna e flora, por exemplo, de que raiz elas são? E, como seria o português se não tivéssemos, por exemplo, a Internet ou se os italianos não tivessem passado por aqui, pelo Brasil? Com visitação a partir do 3º andar, onde uma apresentação em vídeo mostra a origem da linguagem e da língua portuguesa, além da Praça da Língua, pode receber até 180 pessoas à cada sessão.
ISSO É UMA COISA QUE EU USO TODO DIA!
Como dissemos, vista de uma forma diferente, a língua propicia uma descoberta. Quando em visita, os adolescentes ao assistirem ao vídeo, na grande galeria, onde tem um Hip-Hop... “Os manos.. as Manas..”, eles comentam: “Nossa! Então tá certo falar assim? Isso também faz parte?”. “Isso também faz parte da língua! Ou seja, é uma forma de ver que falamos o português de várias maneiras diferentes...e vejam como ele é rico!” nos lembra a Coordenadora Marina Toledo.
Mas tem também àqueles que chegam e falam “Mas eu não gosto de ler!..” “Não gosto de poesia!” E quando as pessoas vêem ao Museu da Língua Portuguesa e ouvem as poesias declamadas, elas ficam totalmente envolvidas, embevecidas com o que estão vendo. Quando ouvimos e vemos a quadrilha de Carlos Drummond de Andrade sendo declamada por ele mesmo ou quando ouvimos uma Canção do Exílio, ouvimos estudantes e visitantes dizerem “Ah! Isso eu já ouvi na escola”. Ocorre que esse “Ah!” tem um tom de assim “Nossa! É tão diferente do que eu vi!”. É o que Marina Toledo nos diz desse Museu de roupa nova, essa interatividade que passa também pela multiplicidade de linguagens, que talvez esteja aí a chave do sucesso do Museu da Língua Portuguesa.
DO DINAMISMO DA ESTAÇÃO DA LUZ AO MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA
Acabamos por nos dar conta de que o Museu encontra-se num local onde as misturas das línguas também se deram – e ainda continua a se dar – por onde ela passou e começou. A Estação da Luz traz esse dinamismo, essa coisa principalmente de São Paulo, das pessoas que chegam e vão trazer coisas novas para acrescentar á cidade, para a sua formação. Assim também ocorre com a língua. Cada um que chega traz novos ingredientes para essa língua que vai se transformando, se construindo no dia-a-dia.
O MUSEU DE PORTAS ABERTAS
Não só de estudantes da capital e do interior de São Paulo o Museu da Língua Portuguesa tem sido contemplado em sua visita, mas também escolas de Minas Gerais, de Florianópolis, da Universidade da Paraíba, etc. Pessoas como visitantes estrangeiros e também visitantes espontâneos, tanto do Brasil quanto de fora dele. Funcionando de 3ª feira a domingo, das 10:00 as 17:00 horas, o Museu também abre toda última 3ª feira do mês, no período noturno, até as 22:00 horas. Aos sábados a entrada é gratuita.
Um trabalho junto ao Clube dos Lojistas da região da rua José Paulino vem sendo feito no sentido de trazer primeiramente os próprios lojistas, as pessoas que trabalham na região, para dentro do Museu e depois expandir para seus clientes. Por que? As pessoas passam e vêem a placa que diz que existe um Museu dentro da Estação da Luz e aí eles perguntam “Então isso é um museu? Um museu do que? Como é?” E aí ficam interessadas. Além do que quando essas pessoas vão fazer as compras na José Paulino, elas voltam e...entram no Museu.
VISITAÇÃO A EDIFICAÇÃO
Não só a língua portuguesa o visitante vai poder apreciar, conhecer no espaço do Museu. Aberta aos finais-de-semana, acontecem as visitas ao prédio da Estação da Luz. Com visitas aos sábados, domingos e feriados ao meio-dia e as duas da tarde e também no período noturno, no dia em que ele fica aberto a noite – última 3ª feira do mês, as pessoas interessadas podem se inscrever. Após a formação de um grupo começa a visita pelo prédio da antiga Administração, para que as pessoas possam ver como era o prédio em toda sua arquitetura, decoração, os materiais utilizados, de como foram feitas as adaptações para o Museu. O elevador, por exemplo, de concepção do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, permite que se um dia houver a necessidade de se retirar do local, o mesmo poderá ser feito sem prejuízo uma vez que atualmente não interfere na estrutura do prédio – não encontra-se encostado em suas paredes. Aliás, a visitação permite termos um “melhor entendimento sobre as questões da restauração e de que forma é possível adaptá-lo a um novo uso – moderno até, à um patrimônio. Um prédio tombado, ele não precisa ser um prédio condenado”.
UM NOVO OLHAR SOBRE SI PRÓPRIO
Um museu nunca será algo que substitua uma escola. Mas ele é e sempre será algo riquíssimo para que as pessoas entendam sobre a sua história, a sua identidade. No caso do Museu da Língua Portuguesa, trata-se da nossa cultura mesmo. E é com esse “olhar” das pessoas para a sua própria língua, ou, o seu modo de falar, no caso do Brasil que permite ao Museu ser o cenário para a prática de tudo aquilo que a gente tem que aprender em sala de aula e fora dela. Ou seja, você ir para fora num cenário e ver onde tudo acontece. Porque aí gravamos em nossa memória, aprendemos. Você é o ator. O Museu é o palco. É lá que você põe o foco. No Museu da Língua Portuguesa o “foco” é a Língua Portuguesa e cada um de nós enquanto atores que somos, que usamos essa língua, a construímos no nosso dia-a-dia.
Sistema de Origem
Iteia
Autor/a
Descrição
Consultorias nas áreas de Cultura, Turismo e Artesanato, assim como nas áreas de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural. Ações educativas em todas as áreas citadas. Trabalhos de resgate de identidades culturais junto a comunidades. Especialização em atividades de História Oral (entrevistas, coleta de depoimentos). Salvamento de acervos {digitalização, conservação, preservação e restauração}.
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