Miniatura

Descrição
Sei, o nome é engraçado, mas em Vassouras e região todo mundo conhece o PIM.
O PIM é hoje um Ponto de Cultura (Cultura Viva/MinC) importante na região do Vale do Café.
Tudo começou quando o Maestro Claudio Moreira, de uma família de músicos na cidade de Vassouras, RJ, que participava da banda da Sociedade Musical N. S. da Conceição, criada por seu pai, Anecy Duarte Moreira, seus irmãos e outros músicos em 1981, percebeu que as atividades da Banda diminuíam e a transmissão do conhecimento musical estava se rareando.
A falta de incentivo do poder público, as dificuldades financeiras para compra de instrumentos e manutenção, bem como a avançada idade de parte de seus componentes, trazia a Banda para uma encruzilhada. O Maestro Claudio junto com sua mulher Célia tomou a direção certa: Percebeu que nos jovens estava o melhor caminho, tanto para preservar o acervo musical da banda como para injetar sangue novo nas atividades. Era preciso levar a música aos jovens.
Com apenas 39 crianças e um professor voluntário surgiu o PIM – ainda como Projeto (depois virou Programa) Integração pela Música no ano de 2000. Nos primeiros anos não havia nem sede e os contatos, por telefone ou email, eram feitos através do gabinete da Secretária de Cultura e Turismo do município, Marta Fonseca, que junto com a diretora do Escritório do IPHAN na cidade, Isabel Rocha, abraçaram o projeto desde os primeiros momentos.
Um parceiro de primeira hora foi também o Colégio Estadual Santa Rita, através de sua diretora Jane Mara Castilho Barbosa que cedeu as salas do Colégio aos sábados para os alunos terem aulas. O primeiro apoiador financeiro veio em seguida, o Instituto São Fernando, ligado a fazenda histórica do mesmo nome localizada no distrito de Massambará.
Quatro anos depois o PIM já contava com mais de 300 alunos e uma amplo repertório de atividades que haviam se consolidado em torno de várias ramificações: uma orquestra, um coral, e vários pequenos conjuntos de formações variadas. A demanda era crescente tanto para apresentações dos grupos do PIMpela região quanto na outra ponta com a chegada de novos alunos e interessados.
O PIM já era maior do que sua idéia inicial. A administração de todo aquele universo de instrumentos, alunos, professores era feito por Celia Pinheiro Moreira, esposa do maestro Claudio, ajudada por muitos voluntários em todas as áreas e momentos.
Músicos professores voluntários vinham do Rio de Janeiro, pagando a viagem do próprio bolso para dar aulas no PIM. Com a criação do Festival Vale do Café, o PIM ficou responsável pela coordenação das oficinas musicais que acontecem durante o evento e que dá aulas de harpa, violão, canto, violino, piano, violoncello, contrabaixo, flauta, fagote, clarinete, oboé, saxofone, trombone, percussão, prática de banda, trompa, percussão sinfônica.
O PIM, hoje atendendo a cerca de 800 jovens em 3 municípios, é um caso especial de sucesso com o envolvimento de uma cidade num projeto de cultura e inclusão social, através da sociedade civil em geral, da comunidade vassourense, da escola pública, dos meios de comunicação, da iniciativa privada e de músicos da capital e do interior. Recebeu em 2004 o Prêmio Cultura Nota Dez do governo do estado e foi em seguida selecionado como Ponto de Cultura através do Programa Cultura Viva do Ministério da Cultura, além de ter seu trabalho chancelado pela Unesco.
O segredo do sucesso do PIM parece estar na maneira como os jovens alunos encaram o Programa. Segundo Celia Pinheiro Moreira “o PIM é deles”. A flautista Vanessa Paim, de 19 anos, hoje monitora do Programa, confirma:
“Aqui todo mundo é dono, todo mundo é gestor disso aqui. Não tem essa coisa de organograma. De você é meu subordinado. Não sei quem é subordinado seu, eu acho que é um trabalho que é de todo mundo e que todo mundo faz a sua parte, e o resultado é isso que o PIM se tornou hoje. Não é bagunçado e nem por isso a gestão é centralizada. Nós temos cerca de 800 gestores no PIM. É o empoderamento. Você se empoderar de uma coisa que é sua. E isso aqui é nosso.”
Se os alunos resolvem produzir uma festa junina eles assumem o controle, realizam a festa e resta a coordenação dar todo o apoio que lhe for solicitado pelos jovens. Celia e Claudio descobriram depois que isso tinha um nome; gestão compartilhada.
O grande alicerce do PIM são seus multiplicadores. Alunos mais adiantados (hoje cerca de 20) que repassam seus conhecimentos aos iniciantes, ajudando também em todas as tarefas. Numa das visitas que fiz ao PIM a recepcionista era uma jovem musicista que parecia não ter mais que 10 ou 11 anos de idade. Completamente à vontade com o telefone ou com as visitas, tinha a autoridade de quem parecia estar recebendo amigos em sua casa.
O Maestro Claudio nos diz:
“É uma coisa que eles vão pegando uns dos outros. É uma coisa natural. Elas nem entendem o que é isso, não sabem nem que existe esse método dentro do PIM, mas automaticamente vão se transformando em multiplicadores”.
O PIM foi inventando internamente diversos sub-projetos que se articulam entre si, se rearranjam e se transformam. Um deles é o CopperPPIM, uma cooperativa que tem como principal objetivo garantir renda para as famílias dos alunos. Participam atualmente cerca de 10 pais e mães, que trabalham em recepções, encontros, confecccionam bolos e doces, etc.
O PIM Digital é uma cooperativa de produção audiovisual formada por jovens, sob a orientação de produtores audiovisuais e gestores culturais com a intenção de registrar as atividade do PIM e mais tarde gerar produtos profissionais. O PIM Cultural tem objetivos semelhantes mas voltado para a produção de eventos.
O projeto Arte & Vida incentiva e valoriza um trabalho voluntário em conjunto com apresentação dos grupos de Câmara do PIM em hospitais e asilos da região. Com o crescimento e expansão das ações do Programa foi criado o PIM em Toda Parte que tem o objetivo de levar as atividades do programa aos outros municípios, através de parcerias com as prefeituras das cidades vizinhas e com o Ministério da Cultura.
Celia Pinheiro Moreira se graduou este ano em Administração na Universidade Severino Sombra, de Vassouras, e seu trabalho foi justamente sobre o PIM e o conceito de Multi-Empreendedorismo Cultural Cooperativo. Citando Gilberto Gil ela diz: “Mais que gestão participativa, é gestão colaborativa, por meio do qual se fortalecem os atores sociais da cultura”.
Celia tem uma visão crítica em relação a um empreendedorismo puramente capitalista. “No seu contraponto temos que fortalecer o empreendedorismo social”. Suas idéias vão ao encontro do que diz a socióloga Livia De Tommasi, integrante da Rede e Juventudes: “Ser empreendedor significa ter uma atitude positiva, propositiva e crítica com relação ao mundo que nos entorna”.
Ela acredita que, na prática, o PIM representa um modelo de transição, dentro do processo de descoberta de novos caminhos para o gestão do terceiro setor.
Mas a melhor resposta é a de Juliana Dias de 12 anos:
Pim
Você mudou a minha vida, me ensinou a curtir as pessoas, a compreender as pessoas.
Eu me sinto muito orgulhosa por estar no Pim.
Todos aqui são legais.
Pim você é:
Tudo de Bom
Você é D+
Para entrar em contato com o PIM:
(24) 2471-9320,
celular da Celia (24) 9222-2111
e o e-mail: celia.pim@uol.com.br
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Iteia
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Rede informal de conexão e articulação de entidades que trabalham com a música como ferramenta de desenvolvimento e transformação econômica, social e humana.
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