Descrição
Alguns pressupostos da Tribo das Artes
1 - Todos podemos desenvolver habilidades manuais, intelectuais e artísticas.
Todos necessitam assistir, ouvir, contemplar e vivenciar obras de arte, mas também precisam e podem produzi-las, executá-las ou exibi-las. Cada um tem uma maneira pessoal de observar a realidade e deve ter acesso aos instrumentos para expressar suas idéias e emoções nas linguagens que preferir. Devemos estimular cada pessoa a descobrir sua aptidão para a expressão corporal, visual, melódica, literária etc. e lutar para que os instrumentos de produção cultural sejam acessíveis a todos.
2 - A expressão de cada indivíduo é não só um direito, mas uma necessidade.
As relações entre os homens são enriquecidas pelo desenvolvimento cultural. O artista produz não para sobreviver, mas por necessidade de comunicar suas emoções com maior eficácia e intervir no meio social, afirmando ou contestando rumos. As relações financeiras decorrentes da atividade artística são circunstanciais. Ocorrem porque a produção em nossa sociedade é fundamentada em relações de troca. Assim, quem quer trabalhar intensamente com arte tem que profissionalizar-se. Mas, em princípio, todos necessitamos da arte para compreender a subjetividade de nossa espécie e para nos engravidar de desejos.
3 - O valor social de uma obra depende do quanto ela reflete os conflitos e necessidades sociais.
A produção subordinada a objetivos financeiros pode ter valor material e cultural, mas não é o valor financeiro de uma obra que traduz seu valor social. Aliás, os artistas que se empenham em ganhar dinheiro costumam abandonar seus projetos originais produzir aquilo que o mercado deseja consumir. Então passam a ser orientados por modismos e reduzem suas obras à condição de mercadoria. Não têm tempo para colocar nelas suas paixões. Para atender os interesses de quem pode comercializar, passam a repetir fórmulas que deram certo. Abandonam a investigação de seus próprios sentimentos para repetir o que já envelheceu. Abandonam a busca de sua própria descoberta para fazer papagaiadas. A obra com valor social, ao contrário disso, parte das necessidades humanas individuais ou coletivas. Ajudam-nos a compreender, a aceitar ou a modificar nossa condição social, nossa loucura e todas as faces de nosso imaginário. Muitas delas passam a valer fortunas, mas geralmente só depois que os autores morrem.
4 - Valorização das manifestações culturais do povo, sem ilusões puristas. Reconhecemos nas culturas populares brasileiras uma grande riqueza, derivada da diversidade das culturas que se misturaram no país. Mas sabemos que toda manifestação cultural coletiva reproduz uma mistura ideológica que devemos analisar. O artista transgride mas é também impregnado da ideologia dominante como qualquer outro mortal. Por isso é preciso ser critico ante os valores reproduzidos na arte de seu tempo. Cada artista deve procurar identificar os valores reproduzidos em sua própria obra e decidir se pretende espalhar esses valores pelo mundo. Para estimular a criticidade dos artistas, dos leitores e do público, dedicamos a 2ª terça-feira de cada mês à avaliação de nossos saraus e das obras neles apresentadas.
5 - Respeito à autoria e liberação do direito autoral para uso sem fins comerciais.
Como o sistema de circulação cultural é limitado por relações econômicas, é legítimo que o artista se profissionalize, desde de que preserve sua autonomia para definir o conteúdo e a forma de sua obra. Mas devemos buscar estabelecer relações independentes do sistema econômico. Uma atitude nesse sentido é autorizar o uso de obras culturais sem fins lucrativos. Evidentemente deverão ser citados o autor, a fonte e, se possível, a forma de entrar em contato com o autor.
6 - Artista é trabalhador. Muitos artistas se julgam uma categoria especial de gente.
Pensa que, por ser adorado por grande público, deve ter privilégios em relação aos demais trabalhadores. A Tribo considera que todos temos capacidade para o trabalho manual, intelectual e para a manifestação artística. Assim como não há motivo para pensarmos que o trabalho intelectual é superior ao manual, também não vemos razão para o trabalho artístico se sobrepor aos demais. É necessário afirmar também o inverso: qualquer discriminação ou tentativa de desqualificar as profissões artísticas deve ser igualmente repudiada.
Licença
Sistema de Origem
Iteia
Autor/a
Descrição
A Tribo das Artes é um movimento de artistas, ativistas e grupos culturais de Taguatinga, criada em setembro de 2000. Realiza saraus mensalmente e publica a Revista Tribo das Artes com os recursos obtidos na bilheteria dos saraus. Nos seus 8 anos de existência, realizou 72 saraus, com artistas de todo o DF, e editou 17 números da revista, com tiragem de 10 mil exemplares, distribuída gratuitamente nos cafés, cinemas, teatros, faculdades, escolas, bibliotecas e outros pontos culturais principalmente de Taguatinga e Plano. Nos saraus, recitais e também na revista, damos prioridade à cultura popular, expondo xilogravuras, poesias de cordel, artesanatos, mamulengos, repentistas, bonecos gigantes, brinquedos artesanais, músicas regionais. Além dos saraus e da publicação da revista, a tribo realiza recitais onde for convidada e destina todo o valor dos cachês à publicação da revista, com o fim de levar a poesia popular e nossas reflexões sobre cultura a um número muito maior de interessados. Também atuamos juntamente aos demais grupos culturais de Taguatinga para interferir na política cultural do Estado, para assegurar que grupos periféricos sejam contemplada com recursos necessários ao seu pleno desenvolvimento e circulação. Outra atuação importante da Tribo é o Movimento VIVA EIT, criado por iniciativa nossa, juntamente com o Sindicato dos Professores do DF e com outros grupos culturais de Taguatinga. Em 2006 e 2007, realizamos na rua shows, exposições, espetáculos de mamulengos, cantadores, bonecos gigantes e colhemos assinaturas do público solicitando o tombamento da EIT, primeira escola de ensino médio de nossa cidade. Em agosto de 2007, conseguimos o tombamento e evitamos que a especulação imobiliária destruísse a escola e os históricos espaços culturais nela existentes: Teatro da Praça e Biblioteca Machado de Assis (anexos panfletos de 2 agitações do Movimento VIVA EIT, de setembro e novembro de 2007).
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