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Para reforçar o artigo intitulado "Teia e a flor do Lácio", publico um exemplo interessante de equilíbrio nesta questão...
Surgiu um fenômeno novo?!... A Academia de Letras se reúne para criar a palavra que vai designá-lo. Intransigentes na defesa do idioma, nem por isso os finlandeses refutam o estrangeiro. A população fala sueco e inglês. Mas apenas um de cada vez, né, bicho?!
Suomi: Sem Sexo Nem Futuro
Sempre nutri um certo fascínio pela Finlândia. Há uns bons trinta anos, de passagem por Buenos Aires, comprei um livrinho, Cartas Finlandesas, do diplomata espanhol Angel Ganivet. Por três décadas o relato de Ganivet dormiu em minhas estantes e só fui reabri-lo ano passado, no barco de Umeå para Vaasa, quando navegava rumo à Finlândia.
Uma das características do país - diz o autor - é o entusiasmo com que se aceitam todas as inovações de utilidade prática, a rapidez e a perfeição com que todo mundo as assimila. "O telefone é aqui tão usual como os trastes de cozinha; é uma pessoa mais em qualquer conversação. Muitas vezes surge uma dúvida que só pode ser resolvida por alguém que está ausente: tem-se a resposta na hora, quase como se o consulado estivesse reunido".
Mas de que Finlândia este senhor fala? - perguntei-me. Voltei ao colofão do livro: fora escrito em 1898. Há mais de século, a telefonia era moeda corrente naqueles nortes. O relato de Ganivet é da época em que na Finlândia ainda se falava predominantemente o sueco. O finlandês é uma língua nova, cujos primeiros textos escritos só surgem a partir do século XVI. Os fundamentos da língua escrita foram lançados por um bispo protestante de Turku, Michael Agricola, para pregar sua fé.
O bispo decalcou vocábulos do sueco, latim e alemão, adaptando-os aos dialetos locais. Em 1809, após seis séculos de dominação sueca, o território passou a depender da coroa do Czar. Os patriotas locais reagiram: "não podíamos mais ser suecos; não queríamos ser russos, só restava tornarmo-nos finlandeses". E deram continuidade ao trabalho de Agrícola, transformando o incipiente finês em língua que expressasse o sentimento de um povo.
Nada de estrangeirismos. Quando surge um fenômeno novo em qualquer campo, a Academia de Letras se reúne para criar a palavra que vai designá-lo. O nome do autor fica registrado nos dicionários ao lado da palavra. Se quase todos os idiomas do mundo designam telefone por vocábulos mais ou menos parecidos entre si, na Finlândia criou-se o termo puhelin (de puhella, conversar), sugerido por um jornal de Porvoo em 1897.
Intransigentes na defesa do idioma, nem por isso os finlandeses deixam de abrir-se ao estrangeiro, seja no tempo, seja no espaço. Boa parte da população fala sueco e inglês. Enquanto no país da última flor do Lácio, inculta e bela, discute-se se nossa língua-mãe deve ou não voltar aos bancos escolares, desde 1989 a Rádiodifusão-Televisão Finlandesa dá-se ao luxo de oferecer uma retrospectiva do noticiário internacional da semana em latim, sob o título Nuntii Latini.
Se você quiser ouvi-la directe colligatio, isto é, on line, basta clicar em
http://www.yle.fi/fbc/latini. Novissima emissio Nuntiorum Latinorum per rete informaticum Internet audiri potest, si in apparatu phonocharta et quoddam audioprogramma (e.g. RealAudio) inest. E-mails, isto é, inscriptio cursualis electronica, podem ser enviados para
nuntii.latini@yle.fi.
Uma outra característica do finês é a ausência de gênero. As palavras não são masculinas nem femininas. Tampouco existem artigos. Nos tempos verbais, não há futuro. O que deve exigir muita acrobacia dos políticos locais, pois não há como dizer, por exemplo, "eu farei isto ou aquilo".
Em meus dias de Escandinávia, encontrei uma finlandesa peculiar, professora da Universidade de Helsinki, de sobrenome Rautavaara. Já que vivemos em dias de Internet, tentei encontrá-la na rede. Sem saber se ainda estaria viva ou não, saí a procurá-la através dos Altavistas da vida.
Em resumo: não encontrei a moça, mas fui cair em Rautavaara, aldeia de 16 mil habitantes no extremo norte da Finlândia. Fuça daqui, fuça dali, descobri naqueles pagos um clube de cultores de tango. Mais ainda, encontrei letras de tango em finlandês. O país é pequeno, a aldeia menor ainda, mas em seus mais recônditos rincões há um punhado de aldeões, sob o sol irreal da meia-noite ou dentro da noite eterna, dançando e cantando ritmos das antípodas.
Pois este pequeno país de cinco milhões de habitantes - um terço da população da cidade de São Paulo - sem sexo nem futuro, foi contemplado nesta semana pela ONU com o primeiro lugar no Índice de Avanço Tecnológico.
Os Estados Unidos, com todo seu poderio econômico, constam em segundo. Na falta de razões para orgulhar-me deste colosso de 170 milhões de habitantes, me congratulo com os distantes finlandeses. A propósito, o Brasil obteve, a caro custo, um modesto 43º lugar, depois da Tailândia, África do Sul, Uruguai e Panamá.
País pioneiro em telefonia, hoje em Suomi (assim se chama o país em finlandês) você pode ver pessoas que já nem falam, mas lêem no visor de seus telefones. Todos da Nokia, orgulho da tecnologia dos celulares.
Aliás, no início deste ano, universitários da USP invadiram e destruíram uma tenda montada na frente do Museu de Arte Contemporânea para protestar contra a realização de um evento da Nokia no campus. Quando a elite universitária brasileira toma uma atitude xenófoba e neoludita ante tecnologias novas, entende-se porque o país está na rabeira do ranking tecnológico.
PS - Falando nisso, a Biblioteca Nacional assinou com a Embratel convênio no valor de R$ 15 milhões, através da lei Rouanet, para num prazo de dois anos criar a Biblioteca Virtual Multimídia, que deverá ampliar de míseros 180 para magros 400 os títulos disponíveis on line.
Enquanto isso, abre amanhã suas janelas a Phoenix Library. Um acervo inicial de três mil títulos, em inglês, português e francês, inclusive publicações deste que vos escreve, está disponível em diversos formatos: prc (MobiPocket), lit (MSReader), pdf (Acrobat), rb (Rocket eBook - REB 1100) e html online. Sem verbas estatais, sem lei Rouanet, sem 15 milhões de reais e sem barnabés mamando nas tetas do Estado para pouco ou nada fazer.
[ Editado e publicado por Heitor Reis. Texto original datado de 2001. ]
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Entre os dias 12 e 16 de novembro de 2008, Brasília será ocupada por diferentes ritmos e cores. A capital do país, durante a semana em que se comemora a proclamação da república será a sede do terceiro encontro nacional dos Pontos de Cultura, que integra o programa Cultura Viva, do Ministério da Cultura, a TEIA 2008, o maior encontro da diversidade cultural brasileira. Mais de 800 representantes e centenas de artistas e ativistas culturais de todas as regiões do país se reunirão na Esplanada dos Ministérios em Fórum, Seminários e Mostra Artística.
Um encontro de reflexão e encantamento. Já realizada nas cidades de São Paulo, em 2006, e Belo Horizonte, em 2007, a TEIA 2008 apresenta um importante diferencial: a elaboração e execução articulada pela Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPC), formada por representantes eleitos pelos próprios Pontos de Cultura.
O destaque desta edição vai para o segundo Fórum Nacional dos Pontos de Cultura (FNPC), que será realizado no Auditório do Museu da República e reunirá representantes dos fóruns estaduais, das ações nacionais, além das áreas temáticas e redes que compõem o programa Cultura Viva.
Reconhecido como a instância política dos Pontos de Cultura, o fórum foi criado na TEIA 2007. Formado por representantes dos mais de 800 Pontos presentes em todo o país, o fórum da TEIA 2008 tem como principais objetivos fortalecer o Sistema Nacional de Cultura, consolidar a TEIA como espaço político-cultural dos Pontos de Cultura, fomentar a construção de marcos legais que reconheçam a autonomia e o protagonismo cultural do povo brasileiro e debater os avanços e desafios na gestão compartilhada do programa Cultura Viva.
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