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Uma pilastra feita de livros “sustentando” uma viga bem no meio da sala, personagens bizarros esgueirando-se por trás de portas e janelas ou pendurados, um cabide em forma de mulher, a Monalisa acomodada em uma poltrona, mãos saindo de paredes e móveis, e uma verdadeira profusão de objetos, desenhos e gravuras nos mais variados formatos e cores, de esculturas as mais surpreendentes, de telas repletas de imagens excêntricas por todos os lugares. O universo inteirinho parece caber no ateliê da artista plástica Badida.
Tão surreal quanto o próprio ateliê é a arte dessa cearense nascida Marisa Moreira da Costa Campos, mas radicada em Pernambuco há 30 anos. Consagrada e premiada como uma das mais respeitadas pintoras surrealistas do Brasil, Badida é oriunda da Escola de Belas Artes e tem na literatura a sua grande aliada. “A literatura é a maior de todas as artes”, resume.
Não seria por acaso, claro, que suas criações contam histórias. Estão sempre acompanhadas de um verso, uma frase, um poema. “Sejam bem vindos a esta espécie de loucura que costumam chamar talento”, diz numa delas, parafraseando o escritor Fernando Pessoa.
Galerias de arte de Nova York, Paris, Bonn, Berlin, Milão, Buenos Ayres, São Paulo e Rio de Janeiro, só para ficar nesses exemplos, conhecem a arte surreal de Badida, definida por ela como a narrativa da sua própria história de vida, com as amarras do passado, a busca pela liberdade, seus desejos e anseios e uma grande dose de onirismo em personagens que parecem saltar das telas.
Inquieta e sempre inovando, a artista não pára. Neste momento, comemora sua inclusão entre os 100 pintores selecionados da América Latina – dentre 3.800 inscritos – para o 1º Salão Sul-Americano do Grupo Maimeri, da Itália, enquanto dá aulas de desenho e pintura.
Discípula do grande mestre do surrealismo, Salvador Dali, ensina: “O segredo da pintura é a sombra e luz. Sem isso não há a magia, não há o belo”. Com a autoridade que sua trajetória lhe confere, Badida critica a safra de artistas plásticos: “Tem grandes equívocos por aí hoje em dia”, analisa.
Quem ainda não viu uma exposição de Badida, é só aguardar até o final do ano. Ela, que igualmente usa as técnicas do surrealismo nas inúmeras esculturas que cria e promete um dia também mostrar ao público o que escreve, está tirando da cartola a próxima mostra. Vai se chamar “Silêncio”. Carregada nas tintas do surreal, retratará enormes instrumentos musicais que não tocam. Vamos lá conferir!
Serviço: Ateliê – Rua do Amparo, 33, Olinda.
FONTE: Jornal Copergás, nº37, março/abril 2008
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