Descrição
Puro objeto
Nunca notado
Se for chamado
É sobre pressão
Catando detrito
Apanhando dejetos dos grandes mortais
São cenas reais
Como em filme de horrores
Não sinto mais dores já me acostumei
Nas grandes cidades
Vive-se comprando
Nos shoppings da moda
Em que eu vou pra limpar
Eu limpo o esgoto
A cidade, a varanda
E a propaganda investe milhões
O ser humano de tanto comprar
Já se acha vendido
Já estou convencido
Não tem solução
A minha ciranda é ter que enfrentar
Morar na favela
Viver num cortiço
Elevador de serviço
Eu ter que usar
Pra não esbarrar
Na socialite e também no bacana
Por eu não ter grana e só trabalhar
Trabalho pesado
Sem ter recompensa
Só tendo a crença que Deus vai olhar
Olhar pra miséria que eu venho enfrentando
Às vezes em pranto me ponho a pensar
Porque quem usa o dinheiro que é desviado
Do pobre coitado, só vive a luxar?
Às vezes me pego também revoltado
Deus está ocupado e não vem me olhar.
Canal
Sistema de Origem
PENC
Autor/a
Descrição
Sírlia Sousa de Lima, natural de Mossoró no Rio grande do Norte, residente em Natal, lugar que representa seu referencial de vida. Mãe, mulher, educadora, encontrou na poesia um caminho para externar emoções sentimentos e inquietudes frente ao mundo.
Coletivo
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