Descrição
Sou filho do canavial,
sou malungo e maluguinho.
Tenho nas veias a vinhaça que gera vida,
mas que tem nos ombros
o lamento de rios infecundos.
Sou carrasco e aquele que o açoite dilacera.
A fumaça de meus pulmões
tem a cor do horizonte em chamas,
vermelho,
como as lágrimas misturadas ao suor
de minhas raízes negras.
Engenhos genocidas me relembram
o que os dias tentam apagar.
Sou lendas de criaturas incineradas vivas
que ainda vivas,
se refugiam em ruínas de minha terra.
Tenho a miséria de quem sabe eu um dia,
a miséria que reforço sem perceber.
Tenho a miragem de águas em lamúria,
cortados pelo maquinário de tempos atrás.
Tenho é a infinita visão do mesmo,
o mesmo verde das mesmas planícies
de tantos outros lugares.
Lugares estes onde estive,
como vento ou malunguinho,
como água ou como quem bebe,
como o doce ou como o amargo artificial.
Sou tudo aquilo que nunca escolhi viver,
mas (mais) tudo aquilo que escolho a cada vida.
Canal
Tag
cana | goiana | malungo | malunguinho
Sistema de Origem
PENC
Autor/a
Descrição
Estudante, goianense pela força do destino e pela força da alma, participa de recitais poéticos pelo Movimento Cultural Silêncio Interrompido e das exibições quizenais do Cineclube IAPOI.
Coletivo
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