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Descrição
OUTRAS PARADAS. Poesia através do corpo na rua. Brinquedo cultural urbano. Palavra livre do livro e aberta à participação. Assustando, fazendo rir e refletir, entretendo interagindo. Aconteceu entre os dias 21 e 26 de julho, como parte da programação oficial do Festival de Inverno de Garanhuns de 2008. Recitais itinerantes tocados por cinco poetas: CIDA PEDROSA, FERNANDO CHILE, MALUNGO, TRELLES e VALMIR JORDÃO; e patrocinados pela Coordenadoria de Artes Plásticas, Artes Gráficas e Literatura da FUNDARPE.
O projeto deste ano aprimorou a iniciativa da mesma Coordenadoria, no segundo semestre de 2007, o CHÁ DAS CINCO, recitais que começaram também em Garanhuns, durante o FIG, e aconteceram ainda na Fliporto, na Bienal do Livro e no Olinda Arte em Toda Parte; contando com FRANÇA, MIRÓ, LARA e outros poetas, além dos já citados. Levando um pouco da exuberante cena de recitais de poesia urbana do Grande Recife para dentro dos principais eventos culturais de Pernambuco.
Um pequeno poste imitando os dos pontos de ônibus, onde no alto, numa placa, se via inscrito, embaixo da imagem de um coletivo e sobre o fundo azul escuro: OUTRAS PARADAS. Cinco cadeiras, um microfone e um amplificador. E imaginação, ritmo, surpresa, contato. O primeiro dos seis recitais aconteceu na segunda-feira, na Galeria Galpão, o espaço das artes plásticas na Avenida Rui Barbosa, no final da tarde. Aproveitando o bom tempo, a estrutura foi montada na calçada, e logo um grupo de pessoas se juntou para ver. Como toda estréia, havia um pouco de tensão no ar, que foi se tornando prazer conforme o recital avançava e o vinho ia acabando. No final, a “van poesia” encostou como se fosse um coletivo, os poetas entramos e fomos comemorar e planejar a programação do resto da semana.

Na terça aconteceu um dos melhores recitais, ao lado da Biblioteca Municipal, no Parque Euclides Dourado. Começamos por volta das quatro e pouco e recitamos até o pôr-do-Sol, que pudemos ver através dos eucaliptos enquanto finalizávamos a apresentação. O grande fluxo de pessoas ajudou e muitos pararam para acompanhar as performances. Entre as participações de quem passava, a surpresa ficou por uma garota de uns seis anos de idade, que subiu com sua mãe ao barranco de concreto onde
tínhamos posicionado o poste e as cadeiras, sentou-se em uma delas e mandou Justiça Total, de Valmir Jordão. A poetisa e professora GRAÇA GRAÚNA, radicada em Garanhuns, compareceu e também recitou um poema, a pedido de Cida. Apareceram também outros poetas da terra, como André de Castro, Helder Herik, Wagner Marques, Adelmo, César e Maciel Viana, que nos acompanharam sempre que puderam nos outros recitais da semana.

Sennor, André, Wagner e Helder
Devido ao sucesso do recital de terça-feira, resolvemos repetir a dose na quarta, no mesmo local. Mas também devido à empolgação gerada pela boa apresentação, estávamos a maioria um pouco ressacados no dia seguinte. O recital foi muito bom, embora tenha começado meio morno, foi esquentando e só terminou devido à participação dos alto-falantes de um artista-comerciante que estava próximo.

Na quinta-feira, mais uma vez repetindo uma iniciativa do CHÁ DAS CINCO, fomos à Castainho, comunidade quilombola que vive nos arredores de Garanhuns. Chegamos às onze e pouco da manhã, para aproveitar o horário de almoço dos oficineiros e oficinados. E também porque na mesma quinta ainda tínhamos os recitais em homenagem À SOLANO TRINDADE, na Casa dos Pontos de Cultura, às nove da noite – e o EU, POETA ERRANTE, à meia-noite, na Bodega de Massilon. Colocamos o poste e as cadeiras dentro do circo que foi montado no largo principal da vila, esperamos a equipe de uma TV local terminar seu registro mais-que-rápido-e-superficial da oficina de percussão que estava acabando de acabar, e começamos. Foi pouco mais de meia-hora de récita, com os poetas adaptando seu repertório para o público infanto-juvenil que compunha a maior parte da platéia. Talvez por causa disso esse foi o único recital sem participação do público. Houve ainda a participação especial de MILTON PITANGA, que também estivera no recital da quarta.

Às nove e pouco da noite da mesma quinta houve o recital em homenagem ao centenário de nascimento de Solano Trindade, conduzido pela poeta SILVANA MENEZES, e que contou, como não poderia deixar de ser, com o auxílio luxuoso dos batuques e com a exibição de um curta sobre o o grande poeta negro. O ápice da semana toda aconteceu à meia-noite de quinta pra sexta, quando rolou o EU, POETA ERRANTE, recital que o querido poeta FRANÇA liderava, sempre à meia-noite das quintas, desde 2000 até seu falecimento, ano passado. O recital começou quase pontualmente, e seguiu por bem umas duas horas. O bar estava cheio, com os presentes aquecidos do frio do inverno por cachaças de todos os gostos e vinho Jatobá. Era tanta gente falando e “ouvendo” (para usar a expressão de Chacal), que recitar estava como disputar uma onda no mar lotado de surfistas. E depois de dropar uma boa deixa, pegar os tubos da reação do público, participativo, olho no olho do recitador, levantando e respondendo dentro da linha dos motes que eram sugeridos no diálogo das performances.

Voltando ao OUTRAS PARADAS, na sexta-feira aconteceu o mais intimista dos recitais, nos jardins do Parque Ruber Van Der Linden, mais conhecido como Pau Pombo, ao entardecer. Montamos o poste e as cadeiras num quiosque perto do palco instrumental, e no intervalo da passagem de som, recitamos até a noite chegar. Mais uma vez os poetas de Garanhuns nos acompanharam e muita poesia boa foi recitada por quem estava passando, resolveu ficar pra ver e acabou participando do brinquedo. Na mesma sexta e no mesmo parque, ainda houve a apresentação do espetáculo de poesia VOZES FEMININAS, com CIDA PEDROSA, MARIANE BIGIO, SILVANA MENEZES e SUSANA MORAIS.

Por fim, no sábado, na Galeria Galpão de novo, desta vez às cinco da tarde, aconteceu o último dos recitais. Com a participação do poeta CARLOS CARLOS, lançando obra nova, Maracatu, uma Saga Rural, com apoio do sebo TERRA LIVROS, que estava funcionando no espaço durante o festival. Como garoasse, a estrutura foi montada dentro do galpão, o que deu outra dinâmica ao recital, embora estivesse sendo encerrado no mesmo lugar onde fora iniciado.
No final do evento agradecemos (como fizemos todos os dias, aliás) a produção de LUÍSA ACCETTI e MARQUINHOS CASTRO, o apoio de TODO-DURO que carregou o amplificador pra cima e pra baixo, e dos motoristas que agüentaram as canções e piadas do grupo o tempo todo. Ainda antes de terminar, é fundamental citar aqui, para não cometer uma injustiça, o responsável dentro da FUNDARPE pelo projeto, FÉLIX FARFAN, que assistiu ao recital do sábado.
OUTRAS PARADAS para viagens onde o corpo e o jogo determinam o itinerário, onde qualquer um pode cantar seu encanto. A poesia está viva e falando. E chutando, e fazendo cócegas. Na rua e na estrada, no melhor lugar para a arte estar: onde o tal do povo está, como cantou Milton.
ANDRÉ TELLES DO ROSÁRIO é poeta e pesquisador
andre.telles.rosario@ibest.com.br
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O website INTERPOÉTICA é editado pela poeta Cida Pedrosa e o webmaster Sennor Ramos. Foi lançado na rede em 26 de outubro de 2005 e tem como linha editorial a publicação de poesia, de forma escrita, oral e audiovisual, com ênfase para a poesia pernambucana, dos nascidos ou dos que fizeram ou fazem do Estado palco para a militância literária. Nele encontram-se publicados poetas que fizeram a história da literatura pernambucana, boa parte dos Poetas Populares, da Geração 65, do Movimento de Escritores Independentes de Pernambuco, da Poesia Marginal, dos Novíssimos e de poetas desconhecidos até do meio literário.
Embora o INTERPOÉTICA seja hoje o maior acervo de poesia pernambucana na Internet, não pára por aí. Encontra-se aberto à publicação de textos em língua portuguesa e vem recebendo contribuições de autores de vários lugares. Para criar uma interatividade com o público e movimentar a página foram criados links que garantem a circulação da literatura a partir da publicação de entrevistas, resenhas culturais, homenagens, artigos, recitação de poesia, pelejas virtuais, notícias e serviços.
Navegue nessa idéia!
Recife 13 de agosto de 2008.
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