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Descrição
A palavra “Restinga” significa pequeno arroio com margens cobertas de mato e sanga, correspondente a características do bairro antes de sua ocupação. Esta a sudeste do município, inserido na bacia do arroio do Salso entre os Morros São Pedro e da Tapera.
No final da década de 60 foi criada a Restinga Velha, que hoje, integrando o Barro Vermelho, Pitinga, Flor da Tinga, Castelo, Lageado e Vila Nova Restinga, formam o conhecido “Bairro Restinga”. Loteamentos resultantes de políticas Públicas de remoção de favelas no processo de modernização da cidade de Porto Alegre.
As tentativas de desenvolver o bairro como uma área industrial até 2001, apesar da disponibilidade de áreas, não se tornaram uma realidade. Apesar da existência de Projetos e Políticas Públicas para o desenvolvimento de Porto Alegre, como a implementação de Pólos, entre 60 e 70, como a própria criação do Bairro Restinga. Esta ação não foi por acaso, foi dentro de um planejamento do Plano Diretor de Porto Alegre de 1957 que transferiu a população, já possibilitando a vinculação a uma atividade industrial, isto é, uma mão-de-obra barata. (SOSTER, 2001).
Dentro do processo de urbanização de Porto Alegre esta a abertura de avenidas, prédios modernos, a fim de solucionar os problemas de infra-estrutura na área habitacional. Onde o DEMAHB (Departamento Municipal de Habitação), foi criado para reorganizar os espaços em 1965. Assim os moradoradores das Vilas Theodora, Marítimos, Ilhota e Santa Luzia foram removidos para a Restinga em 1966.
Em 1971 um grande Projeto Habitacional, o “Projeto Renascença”, o maior do Brasil, incluía a ampliação de avenidas, criação de espaços culturais no bairro Menino Deus, e a implementação do Distrito Industrial na “Nova Restinga”, pretendo transferir para o bairro, as indústrias mal vistas em outras regiões de Porto Alegre. Entretanto o projeto nunca saiu totalmente do papel, a falta de infra-estrutura desestimulou a transferência das industriais. Além do fato da Restinga ser muito longe do Centro, o que acarretaria num investimento no transporte de cargas. O bairro tornou oficial pela Lei 6571 de 1990, já havendo transporte, telefones, postos de saúde, e instituições de ensino, sendo considerado auto-suficiente o núcleo urbano dentro de Porto Alegre. 2
A cidade de Porto Alegre precisa integrar a Restinga como espaço urbano, não era somente fazer a remoção, mas atribuir-lhes algum significado. A Restinga transformou-se em um lugar de Promoção Social. (SOSTER, 2001)
O Projeto CURA e RENASCENÇA eram projetos para a valorização da Ilhota, pois viabilizava um forte apoio das empresas privadas, do setor Civil e Comercial.
Na década de 70, a falta de investimentos na geração de renda e empregos, na formação do DISTRITO INDUSTRIAL capaz de absorver a mão-de-obra existente tanto na Restinga Velha, e Nova Restinga não se concretizaram, tornando-se uma prática antiga de exclusão social. A remoção da Ilhota aponta para a aceleração da cidade de Porto Alegre rumo ao futuro, semelhante ao processo de Modernização da cidade do Rio de Janeiro em 1904.
A cidade do Rio de Janeiro teve problemas de correntes da concentração populacional, que evoluíram mais tarde pra situações como a Revolta da Vacina. Em 1904. (SEVCENKO, N. A Revolta da Vacina. Mentes Insanas em Corpos Rebeldes. São Paulo: Scpione, 1993, pg 40).
Atualmente o bairro é alvo de pesquisas acadêmicas, sendo escolhida para Projetos Pilotos de Segurança Publica Municipal.
A necessidade de mobilização por melhorias nas condições de vida no bairro ativou o trabalho redes sociais que gerenciam e executam o que será chamado aqui de micropolíticas para a juventude. Estas redes são constituídas por cidadãos que trabalham com hip-hop, mídias alternativas, promotoras legais populares, antigos líderes comunitários e professores e professoras de escolas municipais. São consideradas aqui micropolíticas atividades alternativas e realizadas em espaços intermediários ou em colaboração às políticas estatais como metodologia para atingir a população jovem e promover o debate sobre temas pertinentes à realidade do bairro: educação ambiental, direitos humanos, democratização dos meios de comunicação, violência escolar. Estas micropolíticas são executadas de diversas formas: eventos culturais, protestos, negociações com o poder público, e principalmente, oficinas. (DALMOLIN, 2007.)
Durante os 41 anos de existência do bairro e dos 17 anos de sua oficialização, as queixas sempre foram de transporte, saúde, segurança, moradia e o intervencionismo do estado dentro da Restinga. O isolamento com o centro da cidade fez surgir um poder simbólico das redes sócias que disputam espaço com o poder publico. O isolamento gerou conflitos entre Estado e Comunidade, e a implementação de políticas sociais e as redes, demonstrando uma disputa do capital simbólico, cultural e político.
Na década de 90 é que o problema do transporte é solucionado com a criação de várias linhas, como a R10, com ar condicionado. A saúde recebeu os PSF, postos 24hs. Na Habitação há um crescimento de construção de condomínios, alguns luxuosos, dentro e nas imediações do bairro.
Em 2001, a prefeitura de Porto Alegre, iniciou uma parceira com as lideranças comunitárias, onde este que vos lhes escreve, fora convidado a ser um dos multiplicadores da formação de edição de vídeo as jovens da comunidade, através da parceria do estado com as associações de bairro. Onde nós da comunidade fomos mais mobilizados do que o poder publico. Em 2006 foi inaugurado o Estúdio Multimeios no Parque Industrial da Restinga com a coordenação da Secretaria de Direitos Humanos. O principal objetivo é dar formação para o mercado de trabalho e realizar o processo de inclusão social dos jovens da comunidade.
A partir de 2006, com o projeto da Prefeitura através das parcerias entre Procempa, UFRGS, SENAI e CEEE. É implementando em uma zona de teste, o PLC (Power Line Communication), a primeira rede de comunicação e acesso a Internet pela linha de energia elétrica do Rio Grande do Sul, que motivou a vinda de 11 empresas para o Parque Industrial da Restinga, esta conexão é mais rápida que a ADSL. Hoje o bairro tem duas agências Banrisul e a CEF, três Lotéricas, uma Agência de Correio que realiza operações bancaria do Bradesco, duas grandes redes de supermercados: Asun e o Kan com duas lojas, Corpo de Bombeiros, delegacia civil, Fórum, Cia da Brigada, duas Escolas de Samba, mais de três CTG’s, Farmácias, algumas 24hh, além de recentemente termos a inauguração das Lojas Rainha das Noivas e terminais de bancos 24hs. O que possibilita a instalação de empresas na região.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
DALMOLIN, Fábio. Porto Alegre: Redes Sociais e Micropolíticas da Juventude. Dissertação de Doutorado. PPG de História/UFRGS, Porto Alegre, 2007.
FOUCAULT, Michel, Vigiar e Punir: a história da violência nas prisões. Petrópolis: Editora Vozes, 2000.
Histórico de Porto Alegre. http://lproweb.procempa.com.br/pmpa/prefpoa/observatorio/usu_doc/historia_dos_bairros_de_porto_alegre.pf, acesso em 02 de abril de 2007.
NUNES, Marion Kruse. Restinga. Porto Alegre, Unidade Editorial, 1997.
OBSERVATÓRIO DA CIDADE DE PORTO ALEGRE: www.observapoa.com.br, acesso em 02 de abril de 2007.
SOSTER, Ana Regina de Moraes. Porto Alegre: a cidade se reconfigura com as transformações dos bairros. Dissertação de Mestrado. PPG de História/PUCRS, Porto Alegre, 2001.
SOARES, Luiz Eduardo, BILL, MV e ATHAYDE, Celso, Cabeça de porco. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005.
SOARES, Luiz Eduardo Segurança pública municipal: um programa para Porto Alegre, 2001. Disponível no site http://www.luizeduardosoares.com.br
SEVCENKO, N. A Revolta da Vacina. Mentes Insanas em Corpos Rebeldes. São Paulo: Scpione, 1993, pg 40.
VIVENCIANDO a Cultura na Restinga. Porto Alegre: Ed.UFRGS, 2007.
ZANIOL, Elizângela. Oficinando com jovens: a produção de autoria na Restinga Dissertação (mestrado) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Psicologia. Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional,Porto Alegre, 2005.
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O Ponto de Cultura Na Quebrada é gerido pelo Comitê de Resistência Popular, Movimento Hip-Hop Organizado Brasileiro e Ação Periférica na Comunicação. Atualmente trabalha com edição de áudio para rádio comunitária Quilombo FM. Além disso, o Ponto de Cultura tem um programa semanal na Rádio Quilombo Fm chamado "Ronco do Bugio". Disponibilizamos os programas para download em nosso blog.
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