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Por Everton Rodrigues – Movimento Software Livre e Economia Solidária
Software livre e cidade digital são duas ferramentas que ajudam na melhoria da nossa qualidade de vida e que devem estar associadas, ampliando as suas potencialidades.
Normalmente a inclusão digital é mencionada na montagem de telecentros em comunidades pobres, e esse é o limite. Quando se pensa em algo para além de telecentros, a inclusão digital torna-se mais complexa do que apenas doar computadores, e essa complexidade ganha o nome de “cidade digital".
Cidade Digital é um termo pouco conhecido, que está em alta velocidade tomando conta de planejamentos estratégicos das grandes corporações e governos, isto porque quem tem acesso fácil a informações on-line consegue acompanhar e tomar decisões rápidas de acordo com as demandas da economia. Portanto, quem estiver desconectado tem possibilidades inferiores de movimentar-se e até de cumprir seus objetivos estratégicos. Diante dessa situação, compor a sociedade da informação, através das tecnologias da informação e comunicação livres, é fundamental para pensar no desenvolvimento local e sustentável de uma comunidade, cidade, estado ou nação.
A Cidade digital deve ser compreendida de forma ampla, e não apenas como um monte de computadores conectados. Através da Cidade Digital é possível otimizar a gestão pública e oferecer serviços e condições interativas para as(os) contribuintes, disponibilizar conhecimentos a todas e todos, permitindo assim construir uma perspectiva de cidadania sustentável. Uma cidade digital favorece a economia de um município ou estado e deve abranger, de forma articulada, todas as áreas, da administração pública à educação, passando pela saúde, segurança e iniciativa privada.
Além de ser uma ferramenta para desarticular os oligopólios, o software livre, hoje, já se constitui num movimento social. Para os governos, movimentos, entidades e organizações que visualizam uma sociedade democrática, o uso das práticas do software livre constrói condições reais para o aumento do alcance das suas iniciativas, isto porque diminui gastos com o licenciamento de software proprietários e aumenta as possibilidades de replicação dos projetos com o mesmo orçamento. Além disso, proporciona que indivíduos, empresas, entidades, e movimentos sociais se apropriem das tecnologias disponíveis.
A contribuição do movimento software livre é a produção coletiva dos softwares de código aberto, que contribui na mudança cultural dos indivíduos para uma consciência coletiva, e com isso, constrói uma ideologia socialista.
A cidade digital de forma ampla, e a inclusão digital quando limita-se na montagem de telecentros, ainda não podem ser caracterizadas como movimentos sociais, mas em poderosas ferramentas, que dentre inúmeras facilidades podemos destacar duas fundamentais:
1 - relação estado e sociedade civil: para o bom funcionamento de uma administração pública é necessário fluxo de informações entre o estado e os cidadãos. Este fluxo de informações é que determina a eficiência e transparência da administração no gerenciamento dos serviços oferecidos à população, financiados com o dinheiro público de impostos. Sem um sistema público de informações não é possível administrar, e isto aumenta os índices de corrupção terminando na falta de controle público sobre os bens públicos;
2 - relação entre integrantes da sociedade civil: através do uso das tecnologias da informação e comunicação, organizadas pela cidade digital, uma determinada comunidade pode obter acesso a informação e ao conhecimento, gerados em outras comunidades. Com isso, a autodeterminação de comunidades fica mais fácil de ser alcançada, pois o uso destas tecnologias facilita a formação de redes virtuais de comunidades de interesse comum.
A internet é o principal elemento da inclusão digital, e cidade digital é o principal fator para o desenvolvimento do software livre, assim como o software livre é o principal instrumento para o desenvolvimento da Internet. Neste sentido, a internet e sua interatividade são hoje também elementos centrais nas drásticas alterações em curso no mundo do trabalho, como o gerenciamento de informações, o fluxo virtual dos capitais e a enorme aumento da produção. Por outro lado, esta nova realidade também está contribuindo de forma significativa para o surgimento de novos atores sociais, e para a construção de novos espaços institucionais.
A promoção dessas iniciativas e projetos parte dos mais diversos atores, tais como: empreendimentos autogestionários, sindicatos, igrejas, organizações não-governamentais (ONGs), universidades, governos estaduais, governos municipais dentre outros. É visível a importância da internet como meio de disseminação de mídias e conteúdos digitais. A internet vem a cada dia influenciando as relações no mundo trabalho e as comunicações interpessoais. Ela é hoje um dos principais meios de acesso ao conhecimento e a informação, favorecendo um novo processo, onde são socializadas todas as criações que nela estão disponíveis de forma imaterial.
Diante disso é preciso lutar para transformar as cidades digitais, e o uso do software livre, em políticas públicas, porque este investimento proporciona vantagens sociais superiores às vantagens individuais.
A inclusão digital através das cidades digitais deve ser desenvolvida de forma integrada com os diversos setores da sociedade: governo, comunidades, movimentos, educação, e empresas.
Qualquer projeto de cidade digital deve considerar que o software livre e a internet demonstram grande capacidade de articulação em rede como eixo estratégico. O uso de tecnologias livres na internet tem potencializado diversas redes colaborativas de informação e conhecimentos em nossa sociedade.
O objetivo central é viabilizar o uso e a apropriação das novas tecnologias livres pela sociedade, propiciando o atendimento das necessidades das comunidades, a formulação de políticas públicas, a disseminação de conhecimentos, a difusão da cultura local e regional, e o fortalecimento das capacidades das pessoas e das redes comunitárias.
Diante disso é que os governos com visão de desenvolvimento investem recursos públicos na construção de portais onde disponibilizam serviços on-line para facilitar o acesso. O problema é que esse investimento tem ocorrido apenas de uma lado, na medida em que investe-se apenas na disponibilização de tais serviços e não no acesso. E por isso, é necessário que os projetos da inclusão digital devem ser ampliados para o conceito de cidade digital.
É importante frisar que essa cultura da liberdade é antagônica à do capitalismo, o qual se sustenta na exploração do homem pelo homem, onde o dinheiro é a única forma de recompensa e satisfação. Em face disto, para aqueles que acreditam numa sociedade mais justa e igualitária, cada vez mais é importante o investimento nas tecnologias livres.
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O Ponto de Cultura, denominado "Quilombo do Sopapo" (instrumento criado pelos afro-brasileiros da região Sul do RS), executado pela Oscip Guayí e financiado pelo Ministério da Cultura, está sendo implantando na bairro Cristal, em Porto Alegre, a partir de parceria com o Sintrajufe - Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal, e da comunidade local, representada por diversas entidades.
O Projeto prevê o desenvolvimento da produção cultural local, com ênfase na música, promovendo o intercâmbio entre linguagens artísticas e expressões simbólicas diversas, que resultem numa rede de articulação, recepção e disseminação das manifestações artísticas.
Também trabalha o desenvolvimento local e sustentável através da economia popular e solidária e a formação de empreendimentos autogestionários.
Veja o projeto aqui: https://twiki.softwarelivre.org/bin/view/QuilomboDoSopapo/Psopapo
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