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Muitas pessoas consideram que essa história de aquecimento global e tudo o que se anuncia de catastrófico como conseqüência não passa de balela. Outras pessoas, inclusive cientistas, curvadas às evidências, admitem que o fenômeno é real, mas entendem que a balela consiste em responsabilizar a ação humana por ele.
Quem dera fosse assim. Mas não é. Ainda que fosse tudo balela, não serviria de consolo. Mesmo sem aquecimento global, a manutenção da vida na Terra está ameaçada pela pressão insuportável exercida pela humanidade sobre os recursos naturais.
Considere-se este dado espantoso: a humanidade retira e consome cerca de30% a mais do que a Terra é capaz de regenerar e repor – déficit que aumenta 1,5% ao ano. Isso é terrível. Nesse ritmo, o esgotamento dos recursos indispensáveis à vida fica cada dia mais próximo e dramático. E nesse processo o aquecimento global do planeta é apenas mais um complicador.
Sejamos ainda mais didáticos. Se você, leitor, tem um recipiente com cem litros de água, tira três litros e repõe dois, em quanto tempo ficará sem água? É mais ou menos o que se está fazendo com os recursos da Terra.
Fazer o quê? A resposta é simples. Já implementá-la... Viver com menos – eis o grande imperativo, não para os bilhões de pessoas que consomem quantidades de recursos abaixo do mínimo indispensável a uma vida confortável e digna, mas para todos que ultrapassam esse limite.
Recentemente encontrei-me com uma certa Aleida Guevara, cubana, filha de um certo Ernesto Che Guevara. Resumindo o que se pode chamar de “modo de vida cubano”, disse-me Aleida: “Em Cuba, ao invés de muito para poucos, como é em praticamente no mundo inteiro, procuramos garantir um pouco para todos. Foi para isso que meu pai lutou e foi por isso que o assassinaram”.
Pensei: aí está a saída, a fórmula salvadora, venha ela da satanizada Cuba ou de onde quer que seja. Ao invés de muito para poucos, um pouco para todos. É o que determinam as limitações e a exaustão dos recursos do planeta, a justiça social, o bem-estar a que todos têm direito e, enfim, a sustentabilidade da vida.
Não é preciso renunciar ao indispensável, mas ao dispensável, sim. Cada vez que alguém age assim contribui para desacelerar o ritmo de esgotamento dos recursos indispensáveis à vida. O planeta vem sendo tratado há muito tempo como se fosse fonte inesgotável de recursos postos à disposição da voracidade humana insaciável. Sabe-se agora que não é bem assim. Se não se poupar, vai faltar. E se faltar, babau.
Leia mais crônicas de J. Mazzarollo no "tirando de letra" na página www.guata.com.br
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Entidade de natureza artístico e cultural, sem fins lucrativos, que congrega mobilizadores culturais em Foz do Iguaçu, Paraná. Direcionada ao resgate da memória das diversas culturas praticadas na região da Tríplice Fronteira, desenvolve projetos de incentivo à leitura, ao registro e documentação da memória e à democratização dos bens culturais da região. O site "Guatá, cultura em movimento" faz parte do projeto "Tirando de Letra - de incentivo à leitura", juntamente com a revista "Escrita - Guatá", impressa e distribuída em escolas públicas de ensino médio, gratuitamente.
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