Miniatura

Descrição
Trajando uma camisa com os dizeres “Of the money, by the money and for the money, in credit cards we trust”, que ao pé da letra seria traduzido como ‘do dinheiro, por dinheiro e para o dinheiro, em cartões de crédito nós acreditamos’ – fazendo uma clara brincadeira com o lema norte-americano – e com uma touca na cabeça, Nelson Triunfo andava no entorno da Praça Carolino Campos, antes de sua apresentação, totalmente anônimo à curiosidade do público.
Mas, depois das 22h30, quando iniciado o show, era impossível ignorar a presença de tal figura, dono de uma vasta cabeleira, rimando e dançando o hip-hop, do alto dos seus 53 anos de idade. Nelson nasceu em Triunfo, e desde a década de 70 se apresenta com o grupo Funk & Cia, atualmente com 11 integrantes. Fazendo referência à resistência do movimento funk desde essa época, o cantor soltou o verbo no palco, logo após convidar seu filho, Jean B, 16 anos, para fazer um beat box de primeiríssima qualidade. “Isso é para mostrar àqueles que insistiram em nos chamar de gueto, do que nós somos capazes”, declarou.
E como o conhecimento vai passando de geração em geração, o filho mais novo não poderia deixar de herdar os dotes de um dos pioneiros do break no Brasil. Sendo assim, Andrew, 4 anos, virou a pequena-grande atração do momento, soltando no palco os passos da dança de rua e criando versos ritmados na hora, sem nenhum acanhamento perante o público, que animou o garoto com gritos e aplausos.
Ainda no palco principal, o público aguardava ansioso por Lenine, que iniciou o show por volta da meia-noite. O artista, acompanhado por bateria/percussão, baixo semi-acústico, guitarra e conjunto de metais, apresentou músicas do seu último disco, Acústico MTV. Em meio à apresentação, Lenine agradeceu ao público pela acolhida calorosa: “É bacana, porque assim eu posso me sentir satisfeito pela minha cabeça-durice ao longo da vida, de só querer fazer música, resultar num público animado assim”.
Por último, às 3h15, Rogerman e Bonsucesso Samba Clube subiram ao palco principal. Mesmo com o frio latente, a banda conseguiu botar o público que ainda estava por lá para dançar ao som de Pensei se Há e O Samba Chegou, esta última executada em parceria com o também olindense Júnior Black. Durante o show do Bonsucesso, a trupe Funk e Cia apareceu novamente, formando uma roda de b-boys que dançaram até o encerramento da festa, às 3h50.
No palco do Coreto, por volta das 23h, foi a vez de dançar um forrozinho pé-de-serra, ao som da banda Clã Brasil, composta por uma família afinadíssima aos instrumentos. Na seqüência, Beto do Bandolim e Brasil Sonoro, encerraram a programação do pólo alternativo, no primeiro dia da 50ª Festa do Estudante, com uma deliciosa apresentação de chorinho.
Sistema de Origem
Fundarpe
Coletivo
subtitulo
Natural da cidade, o artista estava inspirado na noite de ontem (12) e mandou ver no hip-hop e no break
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Maíra Brandão
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Isabella Valle
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Nelson (esq.), Andrew (centro) e Jean B (direita) reinventam hip-hop, em família
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