Descrição
O auditório Rosa Mochel, no Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho, em São Luís, foi palco durante toda sexta-feira (28) do I Encontro de Pontos de Cultura do Maranhão. Aproximadamente 40 pessoas participaram das atividades, representando 11 pontos de cultura do Estado, que possui 18 em funcionamento. Entre os ali representados, estavam Pontos de Cultura de São Luís, Porto Franco, Rosário, Poção de Pedras e Mirinzal, entre outros municípios.
A mesa de abertura dos trabalhos foi composta por Mary Ferreira (secretária-adjunta de Estado da Cultura do Maranhão), Mauro Lira (técnico da Representação Regional Nordeste do Ministério da Cultura), Biné Gomes (coordenador do Ponto de Cultura Tambores do Maranhão e delegado dos Pontos de Cultura do Maranhão no Encontro Nacional), Júlia Moraes (da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia), Rejane Galeno (da Secretaria de Estado da Educação) e Vaner Mota (secretário de Cultura de Porto Franco/MA). A mediação ficou a cargo de Jeovah França (diretor do Museu da Imagem e do Som).
Em sua fala, a secretária-adjunta Mary Ferreira destacou alguns projetos desenvolvidos pela Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão que vão ao encontro das proposições do Ministério da Cultura, de descentralização e garantia de acesso aos equipamentos culturais, tomando como exemplo a inauguração de 25 bibliotecas em diversos municípios do interior do Estado, já nesta gestão, a partir de parceria com o MinC, através do Programa Livro Aberto. Lamentou ser o Maranhão, porém, o Estado brasileiro com menos Pontos de Cultura instalados, situação que se dispõe a tentar mudar: “Já há um contato com o Ministério da Cultura para que se garanta a instalação de, no mínimo, 20 novos pontos, neste próximo edital”, afirmou.
Rejane Galeno, coordenadora de Artes da Secretaria de Educação, expôs ação daquela Secretaria que busca abrir escolas durante os finais de semana: “Iniciamos a experiência com 33 escolas, ano passado. O projeto foi ampliado e já são 117 escolas abrindo durante o fim de semana, funcionando como verdadeiros pontos de cultura. A idéia é que as mesmas tornem-se pontos de cultura de fato”, explicou.
Mauro Lima, técnico do MinC, anunciou a publicação de dois editais, em breve: um para culturas populares, outro para culturas indígenas, informando que para ambos haverá um treinamento, em São Luís, durante o mês de novembro. “A idéia é criarmos uma grande rede de articulação cultural. A Teia [encontro presencial dos Pontos de Cultura] acontecerá em Belo Horizonte, em novembro, e deverá ter representantes de todos os Pontos de Cultura do Brasil, que já são algo em torno de 700. O Ministério da Cultura, no fundo, não inventou nada, apenas potencializou ações que já existiam”, afirmou.
Obstáculos a superar
O encontro serviu também para que os representantes dos Pontos de Cultura apontassem as dificuldades de seu dia-a-dia. Entre elas, está o estabelecimento de contato com o MinC, seja por telefone – “o número que está no site não funciona”, afirmava um –, seja por internet – “na verdade, nem todos os pontos têm acesso à internet”, afirmava outro. A falta de parceria da Prefeitura de São Luís com os Pontos também foi criticada. Convidado, o presidente da Fundação Municipal de Cultura de São Luís, Adirson Veloso, não compareceu nem mandou representante. “É das poucas, talvez a única cidade onde a Prefeitura é ausente”, afirmou Biné Gomes, do ponto ponto Tambores do Maranhão.
Após o levantamento de dificuldades, os representantes dos pontos presentes passaram a trocar experiências, através de apresentações orais e/ou auxiliadas por data-show. Entre os Pontos de Cultura, diversas atividades têm sido priorizadas: a instalação de bibliotecas (Fome de Livro na Quebrada, São Luís), o trabalho com jovens em situação de risco e vulnerabilidade (Tambores do Maranhão, São Luís), a busca de resgate de tradições culturais que pouco a pouco se perdiam (Quilombo Frechal, Mirinzal) e até o aprofundamento acadêmico (Projeto Calu, São Luís).
Batuques
Coordenado por Biné Gomes, o Ponto de Cultura Tambores do Maranhão atua, em São Luís, nos bairros da Fé em Deus, Monte Castelo, Liberdade e Camboa, que constantemente ocupam as páginas policiais dos jornais diários, por seus altos índices de violência. O ponto tem mostrado que é possível um trabalho diferente, voltando-se ao imaginário de matriz africana, de onde descende grande parte da população ali concentrada. Oficinas de construção de instrumentos musicais, de bordado e de inclusão digital têm mudado a realidade de jovens.
“O Ponto atende uma média de 30 jovens, eram 50, houve evasão, hoje há uma oscilação. Alguns dos que tiveram Inclusão Digital já estão trabalhando e por isso deixaram o projeto”, explicou Biné Gomes, coordenador do Ponto, que iniciou atividades ano passado.
O I Encontro dos Pontos de Cultura do Maranhão foi encerrado com apresentação do músico Gigi Moreira. Toda a discussão gerou documento-síntese que será apresentado no I Encontro Nacional de Pontos de Cultura, no mês de novembro, em Belo Horizonte.
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No Estado com menor número de Pontos de Cultura do país, encontro reuniu ativistas e governos para um debate sobre as dificuldades e as virtudes desses projetos. Resultados serão apresentados no Fórum
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Zema Ribeiro – Especial para o 100canais, de São Luís (MA)
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