Descrição
Duas culturas marginais de ontem e de hoje se encontram no Ponto de Cultura (PC) de Pirenópolis, cidade histórica de Goiás, a 140 quilômetros de Goiânia. Um grupo de jovens e idosos do núcleo Griô que integra a comunidade do Ponto de Cultura da cidade vem experimentando em oficinas fundir as linguagens do hip hop, a cultura de rua originária dos guetos norte-americanos, com a catira, a arte brasileira que também concilia dança e música, hoje também praticamente confinada a guetos com a massificação cultural.
No Ponto de Cultura de Pirenópolis, a experiência começou a ser puxada de forma conjunta pela oficina de hip hop com o núcleo Griô, um grupo de idosos que vem se reunindo para resgatar as tradições da cultura oral na comunidade. “O resultado nos surpreendeu e surpreende a quem o assiste. Mostramos esse projeto no último Encontro de Culturas Populares da Chapada dos Veadeiros e foi um sucesso. Estamos ensaiando para quem sabe levar esse trabalho também à Teia. Esperamos ansiosos ser contemplados para participar desse encontro”, disse Vera Lucena, uma bailarina carioca radicada há mais de 30 anos em Pirenópolis que preside o PC da cidade.
Segundo ela, a fusão das duas artes começou com o resgate da catira pelos idosos integrantes do núcleo Griô, mas a coisa se expandiu estimulada pelo jovem monitor da oficina de hip hop do PC, que é filho de um dos dançadores de catira. Vera descreve a iniciativa como sendo o encontro sonoro e gestual de duas artes, onde a viola, pandeiro e as palmas da catira dialogam com a percussão e o canto falado do rap. “Casou muito bem porque são dois movimentos artísticos que contemplam a dança e o canto. Além disso, traz em suas raízes as manifestações da cultura periférica e torna-se ainda mais feliz por unir as culturas de pais e filhos”, elogia a presidente do PC de Pirenópolis.
O Ponto de Cultura da cidade foi criado há dois anos, a partir do trabalho sociocultural realizado pela ONG Coepi (Comunidade Educacional de Pirenópolis) há dez anos. O PC atende a cerca de 200 pessoas, entre crianças e adultos em diversas atividades culturais. A maioria dos participantes é de moradores das regiões periféricas de Pirenópolis, mas com o incremento das atividades socioculturais que o Ponto de Cultura trouxe à Coepi, conta a presidente, o trabalho passou a integrar também participantes de praticamente todas as regiões da cidade, incluindo pessoas da classe mais favorecida, que habitam o centro histórico da cidade. A sede do PC fica na mesma rua da Pousada dos Pirineus, a mais chique do lugar.
As reuniões do Ponto Griô, voltado à vivência e compartilhamento dos saberes culturais dos idosos, começaram este ano, mas a presidente diz que o PC tem passado por dificuldades financeiras desde que os repasses do Ministério da Cultura cessaram há noves meses. “Tivemos que reduzir pela metade as 16 oficinas que tínhamos porque perdemos muitos professores. Mas a gente não desanima e vamos empurrando com carinho as atividades”, disse Vera Lucena, informando que a diretoria do PC de Pirenópolis se reuniria ainda nesta semana com representantes do Ministério da Cultura em Brasília para tratar desse assunto.
Teatro do Oprimido de Ponto a Ponto fez prévia na cidade
Um grupo de 30 participantes do projeto Teatro do Oprimido de Ponto a Ponto em Goiás se reuniram no último fim de semana no Ponto de Cultura de Pirenópolis. O objetivo foi realizar uma prévia do que o coletivo goiano levará à próxima reunião nacional do projeto, em Brasília. A atividade terminou com uma apresentação do teatro-fórum no coreto da cidade no final da tarde de domingo (30/9), quando Pirenópolis ainda estava lotada de turistas (vindos normalmente das cidades vizinhas - Brasília, Anápolis e Goiânia).
O encontro contou basicamente com a participação de integrantes do projeto pelos três Pontos de Cultura localizados em Goiás (Pirenópolis, Anápolis e Goiânia). Pela coordenação nacional do Teatro do Oprimido esteve Geo Britto. O projeto Teatro do Oprimido de Ponto a Ponto é fruto da parceria do Ministério da Cultura com a Casa Teatro do Oprimido (CTO, do Rio de Janeiro), cuja direção geral é de Augusto Boal, um dos mais importantes teatrólogos brasileiros, criador do Teatro do Oprimido, que tem como mote fazer do teatro uma ferramenta de conscientização e mobilização social.
“Aqui em Pirenópolis procuramos desenvolver um trabalho com ênfase mais ambiental em um dos três grupos teatrais que mantemos no Ponto de Cultura. Essa atividade de hoje [domingo] é uma prévia do que vamos levar ao próximo encontro do grupão em Brasília”, disse Salma Moraes, multiplicadora do Centro-Oeste no projeto teatral dos Pontos de Cultura. Segundo ela, o Coletivo Jovem (CJ) do Ponto de Cultura que trabalha a temática ambiental pelo teatro é composto por jovens de 15 a 25 anos, a maioria moradores dos bairros periféricos de Pirenópolis.
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Numa das cidades históricas mais badaladas no Centro-oeste brasileiro, um grupo de jovens e idosos vem experimentando em oficinas fundir as linguagens de duas culturas que envolvem dança e canto
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Edson Wander – Especial para o 100canais, de Pirenópolis (GO)
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