Descrição
Os avanços da tecnologia transformaram o universo digital em um espaço de acaloradas discussões. De um lado, a grande indústria cultural é acusada de cercear e controlar a produção e circulação de informação, ao defender a forma ortodoxa de direitos autorais. Na outra ponta, parte da sociedade reclama o direito de acesso livre e amplo ao conhecimento, reivindicando o fomento ao debate sobre novas formas de licenciamento e difusão.
É neste cenário que surge o Cultura Digital, do MinC, em conjunto com a sociedade civil, uma articulação inovadora na esfera governamental. “É um exemplo de parceria público-privado, tão cantada e pouco exercida”, define o coordenador de políticas digitais do MinC (Ministério da Cultura), Cláudio Prado.
O nome genérico, cultura digital, segundo ele, foi escolhido para popularizar o conceito de que só se pode compreender a revolução das tecnologias digitais sob o prisma cultural. “Trata-se de um conceito e não uma marca, uma compreensão que caminha na direção de novos paradigmas que a convergência das tecnologias digitais disponibilizam”.
Desde então, sob a direção de Prado, o grupo singular, têm promovido o uso do software livre e ações de inclusão digital em diferentes setores da sociedade. Em um recente seminário internacional na cidade espanhola de Sevilha, o sociólogo Manuel Castells, importante teórico das novas tecnologias, mostrou otimismo após a fala do ministro Gilberto Gil. "Que bom que existe um lugar onde está sendo executado o que discutimos teoricamente", disse.
Agenda digital
Para a Teia 2007, a coordenação de Cultura Digital está organizando um encontro de lan houses, fenômeno que avança rapidamente em periferias e favelas. É um exemplo de estrutura auto-sustentável, aponta Prado. “Queremos conversar com eles, conhecê-los melhor, e avaliar a possibilidade de conveniá-los como Pontos de Cultura, para que se tornem centros de produção multimídia”. Possível investimento do BNDES para turbinar o novo setor é cogitado.
Também está na agenda, avançar nos preparativos para os Pontões de Cultura Digital. Nove cidades foram selecionadas, Santarém, Fortaleza, Recife, Salvador, Cataguazes, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Mato Grosso do Sul. Prado anuncia ainda que será realizada uma prévia do 2º reunião do IGF (Internet Governance Forum), sobre governança na internet, realizado entre os dias 12 e 15 de novembro de 2007 no Rio de Janeiro.
Com a presença de nomes como Lawrence Lessig, criador Creative Commons (conjunto de licenças padronizadas para gestão aberta, livre e compartilhada de conteúdos e informação), a idéia da prévia é debater o próprio significado do encontro. “A governança da internet só será discutível quando houver uma instância com mandato real transnacional”, salienta o coordenador de políticas digitais do MinC. Embora não acredite que a reunião irá impulsionar algum avanço, considera oportuna a discussão.
No encontro – de fato – que ocorrerá logo em seguida na Teia, o ministro Gilberto Gil presidirá uma sessão sobre diversidade. Ao mesmo tempo, o MinC organizará um circo com oficinas, discussões, transmissão das plenárias, shows, remixes, bate papos, VJ's. “Vamos colocar todos juntos, ministros e moleques de rua, embaixadores e ativistas, até porque ninguém merece ir ao Rio e ficar quatro dias enfurnado entre Jacarepaguá e Barra da Tijuca”, ironiza Prado. A 2º reunião da IGF será realizada na Lapa – berço da boemia carioca.
Política do êxtase
Hippie assumido, Cláudio Prado defende que a cibercultura é o amadurecimento da contracultura. “Quando entrei pela primeira vez em um fórum de software livre tive a sensação de estar em um festival de rock dos anos 60”, conta. Para ele, os dois momentos alinham-se na busca por novos horizontes e valores.
A polarização entre americanos e soviéticos, na década de sessenta, disseminou a idéia de que direita e esquerda encerravam as possibilidades políticas da humanidade, argumenta. O movimento hippie surge de maneira transversal, e se constitui numa organização política sem partido, sem lideranças, sem estruturas organizadas, sem teses acadêmicas, e sem ideologias construídas de antemão.
“Eles trouxeram a política do êxtase, do prazer, ou seja, a curtição e a alegria de viver, associada a uma nova postura ética desprendida dos valores econômicos e mergulhando em questões mais profundas”. Algo semelhante ao que ocorre hoje com os movimentos que estão assumindo o digital como meio de outra revolução, diz Prado.
Ele acredita que o acesso ao ciberespaço, sobretudo pelos caminhos dos softwares livres, são essencialmente hippies, pela sua ideologia de liberdade. Porém, indo mais fundo e conseguindo penetrar naquilo que sistema tem de mais consistente, o domínio das tecnologias. “O digital contém em seu DNA um componente anárquico que elimina, em tese, os intermediários que não agregam valor, com isso bagunça completamente a lógica do capitalismo”, conclui.
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Pontões digitais e preparativos para encontro de lan houses serão destaques no encontro marcado para novembro, em Belo Horizonte
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