Descrição
Era uma vez um Mosaico, sete experiências, testes realizados entre setembro de 2006 e fevereiro de 2007. Pontos de Cultura gravaram eventos, como a Expo Brasil e a Cúpula Social do Mercosul. A idéia era ver como eles se sairiam com uma câmera na mão, e com esta experiência pensar um programa feito pelos Pontos. Criado no final do ano passado, o projeto Mosaico tinha então o apoio da cúpula da Radiobrás e do Ministério da Cultura. O resultado? Para Adriano De Angelis, então na direção da TV Brasil – Canal Integración, o canal internacional da Radiobrás, foi uma “documentação cultural”.
Reuniões e meses depois, o Mosaico se transformou. Para geri-lo e, em parte, entendê-lo, a Radiobrás formou um grupo, o Núcleo de Produção Audiovisual Colaborativa (Nupac). Não obstante, decidiu fazer o projeto da forma mais produtiva possível: deixando-o nas mãos dos próprios Pontos. O resultado é um conselho tripartite, com função editorial e gestora, formado por representantes de cinco pontos, responsáveis inclusive por trazer contribuições de outros pontos, funcionários da Radiobrás e do MinC. Durante a Teia serão escolhidos os três representantes definitivos dos pontos no conselho. “Estamos primeiramente mapeando os pontos que já trabalham com suportes audiovisuais, mas a participação é aberta a todos. A melhor forma de fazê-lo é por e-mail (nupac@radiobras.gov.br), dando opiniões e contando experiências”, afirma De Angelis.
O Mosaico perdeu também o nome – um novo nome está sendo discutido e será apresentado pelos Pontos que participam do conselho. Inspirado nos modelos de produção compartilhada e cooperativa, como a cobertura da própria Radiobrás do Fórum Social Mundial de 2005, buscará estimular o uso de metodologias e visões sobre o audiovisual dos próprios pontos. Para tal, a produção se dará com equipamentos que estão sendo adquiridos através do convênio entre Radiobrás e MinC, como ilhas de edição portáteis e novas câmeras e com os kits multimídia dos Pontos, de forma conjunta. “Vamos desenvolver ainda oficinas de capacitação, mas elas e os demais detalhes estão sendo definidos junto com os Pontos. No conselho ainda se discute, hoje, a agenda de cobertura e a formação, conceitual e prática, que será dada”, coloca De Angelis, que complementa: “quanto à qualidade, a idéia não é formatar o programa, mas que ele dialogue com as necessidades e idéias dos Pontos”.
A exibição está prevista para duas emissoras da Radiobrás, a TV Brasil / Canal Integración e a TV Nacional, que está em processo de fusão com a TVE na TV Pública nacional, e existe a intenção de passar esta grade para a TV Pública nacional, além da própria inserção do Integración na tevê a cabo e em espaços da grade de tevês parceiras. Para Célio Turino, da Secretaria de Programas e Projetos Culturais do Ministério da Cultura, a lógica deste acordo é a de um processo natural. “O Cultura Viva encadeou um processo de protagonismo muito intenso, ao promover a legitimação dessas culturas, o que se concretiza nos próprios kits multimídias. Tem se produzido muitos conteúdos, audiovisuais, sonoros. Muita música, muito documentário etc. Agora, estamos passando para o fortalecimento da difusão, que se insere neste processo”, diz ele.
A TV como espelho
A importância da difusão na legitimação dos conteúdos produzidos leva a outra questão: por quê, até agora, eles não estão representados, difundidos, espalhados aos sete ventos pela mídia? Qual a importância disso?
Turino conta que, na primeira Teia, foi trabalhado o conceito do Direito ao Espelho, derivado das teorias do psicanalista Lacan, que percebeu que a criança dava um salto em sua personalidade ao se reconhecer no espelho. “Quando a gente joga isso pra sociedade, vamos perceber que ela tem uma esquizofrenia social, que nega a soberania à boa parte da sociedade, negando este espelho. A comunicação pode representar este direito ao espelho. Ela é importante porque massifica uma comunicação, mas mais importante que isso é a possibilidade do pleno reconhecimento e protagonismo social, que nunca antes se teve. É um processo que, até pouco tempo atrás, não era permitido, e que é, na essência, o próprio Cultura Viva, reconhecendo, nesta escala, Ponto a Ponto, as comunidades. Distribuindo estúdios audiovisuais nelas”.
Este espelho, por sua vez, não se reflete de forma suficiente na TV aberta, como coloca o próprio Turino, que classifica o momento como de ditadura e uniformização. Esta falta de pluralidade tem reflexo no campo de pautas, de realidades mostradas, de significados apreendidos. “A ideologia totalitária cria uma inversão: ela naturaliza tudo que ela faz, como se fosse o natural, a única expressão da verdade. Não existe a verdade, existem pontos de vista, e se tivermos os pontos de vista construiremos nossas verdades. Já assisti muitos filmes, de ficção, de Pontos de Cultura em línguas indígenas. Esse é o processo de transformação e de empoderamento através do audiovisual”, diz Turino.
Outras parcerias
Outras parcerias se constituem na relação entre as TVs Públicas e os Pontos. Recentemente a TVE do Rio produziu o Cultura Ponto a Ponto, programa de documentários que retrata os pontos de cultura, e vai ao ar aos domingos, às 19h30, pela TVE Brasil, e às 21h30, pela TV Cultura, entre outras emissoras. Um dos projetos dos Pontões de Cultura segue também esta linha, e está em análise. Há ainda a proposta de um programa com a TV Cultura, que terá um piloto experimentado na Teia. E há, ainda, uma proposta em discussão com a Rede Minas.
Em paralelo a isto, foi organizada em julho último a primeira Mostra Audiovisual dos Pontos de Cultura, com participação de 13 Pontos. “O que está se desencadeando é este processo de produção e veiculação de baixo pra cima, é o upload sendo radicalizado, também nas TVs públicas, num processo de ida e volta. Com a rede Mocambos, nas aldeias indígenas, em pequenos municípios e na periferia é produzir e pedir o direito à tela. Isso será o grande fato novo da TV Pública e da Comunicação no Brasil”, conclui Turino.
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Série de acordos permitirá a exibição de produções dos Pontos de Cultura nos canais da Radiobrás e da TVE, com perspectiva de participação na TV pública em formação
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Guilherme Jeronymo – 100canais
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