Descrição
Eram pouco mais de seis da tarde quando o andor, com a imagem de Cristo carregando uma cruz, foi erguido por oito homens da irmandade do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos, em frente à Igreja do Carmo, no Centro de Goiana, na Mata Norte. O grupo, acompanhado de centenas de fiéis, renovou, por mais um ano, a promessa feita por seus antepassados em 1678: de seguir em procissão pelas ruas da cidade, na quinta-feira que antecede a Semana Santa, em agradecimento pela expulsão dos holandeses do solo pernambucano.
Trezentos e trinta e um anos depois, na noite desta quinta-feira (2 de abril, Dia da Bandeira de Pernambuco), essa tradição de fé se cruzou com um dos marcos da história do nosso estado, num cenário cheio de significado.
A Igreja da Misericórdia, ponto de chegada da Procissão do Encerro. Esse foi o local escolhido para a encenação do espetáculo O Nascimento da Bandeira, de autoria do dramaturgo Ronaldo Correia Brito. É lá onde estão guardadas as mãos de um dos líderes da Revolução Pernambucana de 1817, o Vigário Tenório, condenado à morte pela coroa portuguesa por participação no movimento.
Às 20h, ao entrarem no templo, os fiéis se depararam com uma decoração e iluminação que convidavam a voltar no tempo para conhecer um pouco mais sobre a revolta ocorrida no estado. Posicionados no altar e em outras partes da igreja, cinco atores narraram a situação de Pernambuco na época e a ânsia do povo por liberdade. Entre uma cena e outra, o público era brindado com composições perfeitamente executadas pela Orquestra Sinfônica Jovem do Conservatório Pernambucano de Música e pelo Coral Contracantos.
Um dos momentos mais emocionantes da noite foi quando, ao fim do espetáculo, foi anunciado o nome do Vigário Tenório como um dos líderes da revolução. “Suas mãos estão guardadas aqui, nesta Igreja”, informou o ator, que recebeu uma calorosa salva de palmas pelo anúncio.
Ao término, a platéia ovacionou, de pé, os atores e músicos. Era possível ver lágrimas escorrendo pelos rostos dos presentes. “Na noite de hoje, eu me senti uma aluna em sala de aula. Comecei a relembrar coisas que somente tinha lido há muito tempo e que precisamos resgatar”, disse a professora Helena Ferreira de Azevedo, 47 anos.
O Nascimento da Bandeira é baseada no livro de Paulo Santos de Oliveira A noiva da Revolução e faz uma releitura da Revolução Pernambucana de 1817, quando o país teve proclamada sua República e os brasileiros tiveram governo próprio, constituição, exército, esquadra e até embaixadas no exterior. Nesse período, foi criada a primeira bandeira do Brasil, que hoje pertence a Pernambuco, com sua cruz vermelha, o ícone maior da religião cristã; seu sol, em referência ao clima quente; o arco-íris tricolor simbolizando paz, amizade e união; e claro, a estrela, que representa o Estado.
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Procissão do Encerro, que ocorre desde 1678, culminou com a apresentação do espetáculo O Nascimento da Bandeira no templo onde estão guardadas as mãos de um dos revoltosos
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