Descrição
Eles não possuem diploma de jornalismo, mas sua atuação é de suma importância para as comunidades em que vivem. Os chamados “comunicadores populares”, que atuam nas rádios comunitárias, dedicam tempo e esforço na disseminação de informação com os olhos inteiramente voltados para a população de bairros pobres das grandes cidades do estado. E é justamente para 40 destes trabalhadores, tanto da Região Metropolitana do Recife quanto do interior, que está sendo realizada até a próxima sexta-feira (8) a oficina de radiojornalismo, na Casa da Cultura de Pernambuco.
A iniciativa faz parte de um projeto maior da ONG Jequitibá, coordenada pelos jornalistas suíços Jean Jaques Fontaine e Ives Margot, que pretende capacitar até o ano de 2011 cerca de 240 comunicadores populares de todas as regiões do Brasil. A oficina, que conta com o apoio da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) já fez uma experimentação no Rio de Janeiro e chegou ao Recife na última segunda-feira (27 de abril).
“O projeto começou quando diagnosticamos que as rádios comunitárias geralmente tem dificuldades de produzir seu próprio conteúdo, seja por problemas técnicos e operacionais, seja pela facilidade em aproveitar produções de outros meios de comunicação”, justifica Jean Jaques, que destacou ainda a necessidade bem como a importância dessas rádios darem prioridade em sua transmissão a notícias e acontecimentos locais.
Segundo ele, a oficina, que acontece uma das “celas” da antiga casa de detenção, é direcionada quase que inteiramente para a prática jornalística em detrimento das questões mais teóricas. “As aulas abrangem toda a parte prática, como técnica de entrevistas, mediação de debates e produção de boletins informativos”, afirmou Jean. E a maneira como a oficina está sendo conduzida vem agradando aos participantes desta primeira etapa, todos oriundos de rádios da RMR. Paulo Tito, que atua desde o processo de reportagem até o de edição de matérias da rádio Integração, de Jaboatão dos Guararpes, afirma: “A oficina é importante porque tudo que a gente fazia antes era na base da intuição. Agora a gente esta mais por dentro das técnicas e podemos selecionar e produzir melhor as matérias”.
“Nós estamos aprendendo a falar, a se expressar. Antes cometíamos muitos erros de português, agora sabemos abordar uma pessoa na reportagem, mediar um debate, entre outras coisas”, foi o que comentou Wilton Lima, da rádio Guabiraba. O que mais tem empolgado os participantes, cuja maioria nunca havia participado de um projeto deste tipo, é justamente a possibilidade de aplicar o que foi aprendido na melhoria do serviço prestado à própria comunidade. Para todos eles, as rádios comunitárias desempenham uma função de destaque na formação educacional e cultural dos moradores dos bairros, além de servir como espaço onde a população possui verdadeiramente poder de voz.
Um dos alunos da oficina é Canibal, vocalista da banda Devotos que já desenvolveu diversos trabalhos sócio-culturais na comunidade em que vive, o Alto Zé do Pinho. “Acredito que junto com a comunidade podemos fazer uma comunicação sem maquiagem, diferentemente do que a gente vê por aí. O grande ponto das rádios comunitárias é sua afinidade com o social, e é isso que vai fazer a comunidade crescer em todos os sentidos”, afirmou o músico, que atua na rádio Alto Falante.
Ao final da oficina, todos os participantes irão receber um gravador digital de presente, além de um CD onde está gravado todo o material produzido por eles durante as aulas, incluindo uma reportagem especial com cinco minutos de duração.
Entretanto, mesmo com o encerramento da oficina, a ser realizado na próxima sexta-feira (8), os trabalhos com as rádios comunitárias não terminará. Até o mês de setembro, os jornalistas e coordenadores da ONG Jequitibá deverão voltar ao Recife para fazer uma avaliação do que tem sido realmente aplicado nas rádios comunitárias pelos atuais alunos. Nesta última semana, as aulas serão direcionadas exclusivamente para comunicadores de rádios do interior de Pernambuco.
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Com apoio da Fundarpe, projeto promovido por jornalistas suíços irá capacitar 40 integrantes de rádios comunitárias de todo o estado
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Débora Duque
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