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Descrição
As obras de um dos mais importantes nomes da arte moderna mexicana ficarão expostas, pela primeira vez, na capital pernambucana, no Museu do Estado de Pernambuco (Mepe). Durante três semanas de maio, o público recifense poderá apreciar a exposição La Muerte Ilustrada, uma série de zincografias de José Guadalupe Posada, tido como marco na arte e iconografia daquele país. A mostra – uma parceria entre a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e o Consulado Geral do México no Brasil – fica em cartaz entre os dias 13 e 30 de maio.
Inédita no Nordeste, a mostra já circulou por conceituadas galerias de arte, como o Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, e a Galeria Vitrine, da Caixa Cultural, em Brasília. A exposição que se segue integra o acervo de 50 peças pertencentes ao Ministério das Relações Exteriores do México, reunindo 37 gravuras de Posada, sete feitas em parceria com o artista plástico conterrâneo Manuel Manilla, parceiro e precursor do artista, além de três obras exclusivas de Manilla e outras três de autoria desconhecida.
A morte sempre foi recorrente na obra de Posada. As zincografias (técnica de desenho sobre lâminas mais econômicas, como o zinco, criada pelo artista) trazidas ao Recife exemplificam o sentido dramático, mas irônico da temática, sempre presente na cultura mexicana. De acordo com o secretário estadual de Cultura, Ariano Suassuna, uma das características mais marcantes do artista é o vínculo estabelecido com a arte popular do seu país.
'Só estranhará a sua obsessão pela morte, refletida nos esqueletos que desenhou e viu em toda parte – até mesmo nas ações gloriosas do valoroso cavaleiro Dom Quixote de la Mancha –, quem desconhece o significado mais profundo do culto à morte para o povo mexicano, manifestado nas festas em que caveiras de açúcar e de papel são reverenciadas junto com esqueletos coloridos de fogos de artifício, casas são adornadas com crânios e pães em forma de ossos são servidos à mesa', afirma Ariano Suassuna.
Para o diretor de Difusão Cultural da Fundarpe, Adelmo Aragão, 'trazer obra de Posada representa, sobretudo, um esforço significativo do mestre Ariano Suassuna, que estabeleceu uma articulação com o cônsul honorário do México no Recife, Antônio Dubeux, demonstrando o interesse do Estado em compartilhar o trabalho de um artista de peso, como Posada', explicou.
As zincografias de Posada serão expostas no Casarão do Museu do Estado, no horário das 9h às 17h, de terça a sexta-feira, e das 14h às 17h, aos sábados e domingos. O ingresso tem um valor simbólico de R$2, com meia-entrada para estudante.
HISTÓRIA – José Guadalupe Posada nasceu no México em 1852 e utilizava sua arte como um instrumento de contestação durante a ditadura de Porfírio Diaz. Seu trabalho é composto por caricaturas políticas e ilustrações de cenas cotidianas, que demonstram o caráter satírico do gravurista. Foi o criador da zincografia, uma técnica de desenho sobre lâminas mais econômicas, como o zinco, que permite o trabalho com recursos, como luz e sombra e meios tons, muito presentes na obra de Posada.
Alguns artistas, como o pintor Diego Rivera, admitem Posada como o 'pai da arte moderna mexicana'. Nas 20 mil gravuras que compõem sua obra, Posada realizou um trabalho plástico extremamente político, a exemplo da série Calaveras (caveiras, em espanhol), representações caricatas do cotidiano do povo mexicano e de personagens históricos e literários como Zapata e Dom Quixote. Essa série ilustra a visão do artista em relação à morte, admitida como um acontecimento essencialmente democrático, pois atinge a todos, sem distinções. Dessa forma, Posada transformou essa referência fúnebre num verdadeiro culto de resistência popular contra a opressão do governo porfirista.
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Zincografias de José Guadalupe Posada ficarão expostas a partir do dia 13 de maio. A mostra é uma parceria entre a Fundarpe o Consulado do México
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