Descrição
“Meu Canindé, acendei-me essas luzes/ Santa Tereza, clareia os caminhos”: foram esses os versos que Juracy Simões, do Caboclinho Canindé, recitou aos que compareceram ao ciclo de palestras Entendendo o Carnaval, realizado na noite desta terça-feira (17), no Teatro Arraial. Junto à Juracy, Roberto Benjamin (presidente da Associação Pernambucana de Folclore) e Paulinho (Caboclinho Sete Flexas) falaram sobre os caboclinhos e grupos indígenas, presentes na festa de Momo pernambucana.
A idéia do evento, realizado pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), é abrir um debate crítico sobre as principais manifestações populares do Carnaval, com participação de foliões, brincantes e estudiosos.
No último encontro, uma das discussões girou em torno grandes mudanças pelas quais o caboclinho vem passando. Um exemplo citado foi a inserção de mulheres, fato que só foi possível no início da década de 60. “As mulheres só conseguiram participar das agremiações no final da década de 60. Mas, até hoje, elas ainda ficam em alas separadas dos homens”, afirmou Benjamin. As tradições e história dessa manifestação também estiveram em pauta, além de sua ligação com a religião africana.
FREVO – No último dia 12, foi realizado o debate com o tema “Clubes e Troças de Frevo”, contando com a presença de Carlos Orlando, presidente da troça Cachorro do Homem do Miúdo; e o diretor do Clube das Pás Douradas, Álvaro Luís. Mediado pelo diretor de teatro e produtor cultural Quiercles Santana, o foco das discussões foram as dificuldades econômicas enfrentadas por esses grupos, fora do período carnavalesco.
Segundo Carlos Orlando, é preciso que o Poder Público incentive agremiações tradicionais a se apresentar durante todo o ano, garantindo a sustentabilidade dos grupos e a difusão da cultura de matriz. “Vivemos com a receita da bilheteria das festas que promovemos nos fins de semana”, acrescentou Álvaro, diretor das Pás Douradas.
A programação do Entendendo O Carnaval se estende até o dia 9 de abril, acontecendo sempre às terças e quintas-feiras, no Teatro Arraial, a partir das 19h. Entre os temas dos próximos encontros, estão “Orquestras” e “Frevo: a dança”.
PUBLICAÇÃO – Ao final dos encontros, um grande painel da história do ciclo carnavalesco pernambucano será disponibilizado, por meio de uma publicação, organizada pelo jornalista Homero Fonseca. O livro ser&aac ute; um registro de tudo o que foi debatido durante a série de palestras. Cada um dos 11 artigos – uma introdução geral com as duas primeiras palestras e um artigo para cada um dos 10 encontros seguintes – será escrito por um jornalista pernambucano convidado especialmente para isso. A intenção é que a obra reúna diferentes de olhares e vozes para se tornar, efetivamente, representativa da diversidade cultural do Estado.
Entendendo O Carnaval
Local: Teatro Arraial, Rua da Aurora, 457, Boa Vista
Horário: 19h
Entrada Franca
19/03
Tema: 'Ursos e Bois de Carnaval'
Debatedores: Manoel Mirim (Boi Mirim de Aliança); Maria Cristina de Andrade (Urso Cangaçá); e Aelson da Hora (Boi Faceiro)
Mediação: Quiercles Santana (diretor de teatro e produtor cultural)
24/03
Tema: “Orquestras”
Debatedores: Maestro Spok; Maestro Ademir Araújo (Orquestra Popular do Recife).
Mediação: Carlos Carvalho (Diretor de Políticas Culturais da Fundarpe)
26/03
Tema: “Frevo: a dança”
Debatedores: Célia Meira (Escola de Frevo) e Valéria Vicente (Coreógrafa)
Mediação: Quiercles Santana (Produtor cultural)
Sistema de Origem
PENC
Coletivo
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Thaíla Correia e André Simões
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