Descrição
Quem vinha andando pela rua Quinze de Novembro, no centro de Garanhuns, já de longe podia ouvir o som do pandeiro e o compasso das palmas da turma que se reunia na porta da Casa dos Pontos de Cultura - Casa.PE - no fim da tarde desta segunda-feira.
E não era ainda nenhuma das apresentações culturais programadas. Foi o grupo Samba de Coco de Santa Luzia que, saindo da gravação do seu cd pelo Projeto Usina Cultural, armou uma roda, informal como um bate-papo, com o Mestre Galo Preto, coquista tradicional do bairro de Peixinhos, em Recife.
Outro grupo, com gente do Coco Xambá e do Bongar, além dos mestres que participavam de uma reunião sobre Pontos de Cultura no fim da tarde, se organizava para pegar uma van e fazer uma sambada em Castainho, agrupamento quilombola, situado a 30 minutos de Garanhuns.
Mais para dentro, acontecia a oficina de culinária afro, com o Ponto de Cultura Negras Raízes, do Morro da Conceição. Na cozinha do casarão, algumas crianças provavam e aprovavam o sabor do begueri, resultado da oficina do dia. Com simpatia, a oficineira Ana Maria revisava o modo de preparo do prato que é como uma quiabada com carne, camarão, castanha e amendoim, enquanto sua ajudante, Lúcia dos Prazeres, servia um suco de abacaxi, couve e limão, adoçado com raspa de rapadura para os curiosos que aparecem no fim de cada dia de oficina.
Não é à toa que a Casa.PE é um dos pólos de programação mais comemorados, no 18º Festival de Inverno de Garanhuns. Montada especialmente para abrigar as atividades dos Pontos de Cultura pernambucanos, o espaço está sempre movimentado com uma programação diária de oficinas, debates, exposições e atrações culturais para apresentar ao público o trabalho desses grupos.
No primeiro andar do prédio, as oficinas eram encerradas e os oficineiros se organizavam para o dia seguinte, ao som da música Novelo de Lã, de Alessandra Leão, tocada na rádio especialmente instalada para divulgação das atividades relacionadas à casa.
Promovida pelos Pontos de Cultura Diálogos, Cais do Parto e Mulheres do Cabo, a rádio Células Culturais (90.9 FM) tem 24h de afoxé, samba, coco, frevo e todo o tipo de música representativa da cultura popular tradicional. Roseane Rodrigues e Napoleão de Assunção, responsáveis pela rádio, também coordenam a oficina de rádio comunitária durante o Festival. Segundo Roseane, a preocupação é apresentar para a cidade de Garanhuns além de músicas, uma programação diversificada com cobertura dos shows na Casa.PE, além de entrevistas com figuras importantes para o meio cultural do estado como a presidente da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), Luciana Azevedo, o prefeito de Recife, João Paulo e o ator e apresentador Sérgio Gusmão.
Ao lado da sala da rádio, Theo Ottoni, do Ponto de Cultura Estrela de Ouro, moía o resultado do Projeto Usina Cultural, o cd gravado nesta segunda, com o Samba de Santa Luzia. Ontem, quem esteve por lá foi o Reisado do Mestre João Tibúrcio, de Garanhuns. Até o final do festival, cinco grupos culturais gravarão cds com a assistência do Usina. O resultado deve ser lançado em quatro meses.
Ainda no espaço do porão, três salas foram reservadas para a exposição Abelardo Rodrigues - um olhar de colecionador, com acervo de peças históricas para a cultura popular, como um ex-voto pintado em 1802. Ex-votos eram obras, de cidadãos comuns, criadas como forma de pagamento de promessa a santos, e acabaram se tornando peças representativas da cultura de determinadas épocas. Além dos ex-votos, a exposição também reúne obras de Zezinho de Tracunhaém, Ana das Carrancas e Mestre Vitalino, de quem Abelardo Rodrigues foi um grande incentivador.
Para embalar todas essas atividades, no Terreiro Cultural, montado no quintal da Casa.PE, o grupo Percu-refa passava o som para a Apresentação que farão logo mais às 21h. Um projeto do Ponto de Cultura Coletivo Refazendo, o grupo é formado por portadores de deficiência que recebem a assistência de músicos da cena independente do Estado, como os músicos da banda pernambucana Mandala, presente na apresentação desta noite.
As atividades no Casarão só dão uma trégua às 19h, para não atrapalhar a apresentação teatral Último Capítulo de Conversa de Lavadeiras, do Grupo Popular de Garanhuns, no Teatro Luís Souto Dourado. Às 21h, a movimentação recomeça com os shows de Percu-Refa e do Coco de Umbigada.
Sistema de Origem
Fundarpe
Coletivo
subtitulo
Espaço tem programação diversificada com atividades das 9h às 22h, até o dia 26.
assinatura
Joana Pires
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