Descrição
Também conhecida como a festa da carne, o Carnaval é um período de transformação da ordem. É o “mundo às avessas”, como diria o filósofo Mikhail Bakhtin, tantas vezes mencionado no ciclo de palestras Entendendo o Carnaval, promovido pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). Na última quinta-feira (12), o conflito entre carne e divindade foi tema da discussão encabeçada pelos professores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Aparecida Nogueira e João Denys, além do Mestre Afonso, do Maracatu Leão Coroado.
A tensão entre dicotomias é, reconhecidamente, uma das principais características da festa momesca. A convivência entre conceitos considerados opostos como a beleza e a feiúra, o riso e o choro, a vida e a morte transformam o festejo de Momo em uma festa sem fronteiras. Para a antropóloga Aparecida Nogueira, uma das oposições mais marcantes do período é existente entre louvor e injúria. O “sobrenatural encarnado” é a grande marca da libertação de amarras que o Carnaval simboliza.
Com uma perspectiva ainda mais prática do festejo, Mestre Afonso levanta a polêmica da banalização de certas expressões populares no período. Em uma fala polêmica, o Mestre afirma ter retirado a participação do Maracatu Leão Coroado dos desfiles oficiais de Carnaval para evitar corrompimento. Segundo ele, é preciso preservar o sagrado diante do profano, respeitando o sobrenatural e seus rituais. “O sagrado não está satisfeito”, afirma.
Para o professor da UFPE, João Denys, o sagrado existe porque na sua ponta está o profano. É nesse entrecruzamento que algo ocorre, o profano toma contornos sagrados e vice-versa. Esse encontro resume o sentido catártico do Carnaval.
A partir do próximo encontro, os debates começam a explorar tematicamente algumas das principais expressões culturais pernambucanas. No dia 10 de março, Mestre Bia do Maracatu Leão Vencedor de Carpina e Mestre Barachinha do Maracatu Estrela Brilhantes de Nazaré participam do encontro sobre Maracatu de Baque Solto, com palestra de Leda Alves, atriz e pesquisadora de cultura, e da jornalista Maria Alice Amorim, e mediação de Maria Acserald.
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Segundo encontro do Entendendo o Carnaval discute a presença da religiosidade na maior de todas as festas profanas do Estado
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Joana Pires
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