Descrição
Será realizada durante a TEIA 2007 o maior encontro da diversidade cultural no Brasil, que reunirá os Pontos de Cultura participantes do Programa Nacional de Cultura, Educação e Cidadania – Cultura Viva, do Ministério da Cultura, em Belo Horizonte, entre 7 e 11 de novembro de 2007, a mostra artística Arte Viva, que abarcará manifestações artísticas oriundas dos Pontos de Cultura hoje conveniados ao Programa Cultura Viva.
Coerente à suas origens, a mostra foi pensada com o caráter de estabelecer um diálogo entre as manifestações artísticas que representem a ampla diversidade cultural brasileira, expressa pela produção dos Pontos de Cultura. A intenção da Mostra é reconhecer e difundir a riqueza de perspectivas de transformação envolvidas nesta produção, sob a ótica da “mobilização do sentimento, da imaginação, da compreensão da nossa relação com o mundo, os outros e a natureza, prazer estético, reconhecimento social e econômico”, como nos lembra o Ministro Gilberto Gil.
Quando a diversidade encontra-se e interage, espera-se a tensão natural que emerge do estranhamento e da resistência à diferença. Uma tensão de busca de aceitação do diverso, envolta nos contrastes, nas diferenças e em seu reconhecimento. A mostra propõe exatamente este diálogo, num processo de cooperação e de trabalho conjunto para construir um significado comum a todos os interlocutores envolvidos, um algo coletivo, um “tudo de todos” que abarque e articule os saberes manifestados por essas expressões artísticas.
Escolhidas por uma comissão autônoma de seleção, por meio de seleção pública, “as obras da Mostra Arte Viva serão contextualizadas diante de sua história, de seu ambiente geopolítico e serão exibidas segundo os padrões mais exigentes de produção ou museografia. Além das artes visuais, da música, das artes cênicas, da literatura e do audiovisual, a mostra abrirá espaço para toda a gama de manifestação estética formal passível de ser descoberta em nossa diversidade cultural pelos Pontos de Cultura. Da oralidade aos códigos digitais, do balé clássico ao videoclipe, as diversas linguagens das variadas artes ocuparão os equipamentos culturais da capital mineira destinados a receber a TEIA em novembro”, explica André Martinez que, além de membro da comissão autônoma de seleção, foi um dos representantes do Instituto Pensarte que atuaram fortemente no planejamento da metodologia para a TEIA 2007.
O resultado esperado não poderia ser outro senão o da abertura de espaços de relevância para a exposição e discussão de referenciais estéticos, partindo do princípio de que as formas de fazer dos Pontos de Cultura são geradoras de uma qualidade de conhecimentos ainda pouco difundidos. A mostra pretende-se motivadora da tomada de consciência de que é preciso decodificá-los para articular os saberes que eles representam e disseminar as sínteses deste diálogo como elemento da construção de nova visão de país que passe pela centralidade da cultura no impulso de um desenvolvimento sustentável. A Mostra Arte Viva enreda-se pelos sentidos mais amplos da cultura: o de direito, o de comportamento, o da economia e o da política, para reafirmar a propositura de autonomia, protagonismo e empoderamento centrados na relação entre expressão artística, educação, trabalho e participação popular.
Do conceito à realização
Para dar conta de produzir a Mostra Arte Viva numa justa tradução de suas dimensões conceituais, foi integrada à rede de cooperadores a empresa Cria! Cultura. Fundada há 10 anos em Belo Horizonte, nasceu especializada na criação e desenvolvimento de políticas, gestão e produção de programas e projetos de natureza cultural, a partir do conceito da Arquitetura Cultural. Credenciam-lhe a escolha projetos de fomento à cultura e ao desenvolvimento sociocultural, como projeto coletivo Conexão Telemig Celular, o projeto Viva o Vale!, em parceria com a Avon, e o prêmio Fiat Mostra Brasil.
“Tenho dito que foi uma sorte a Cria! ter se integrado à TEIA, não só porque ela reproduz a lógica com a qual estamos acostumados a trabalhar, mas por ela também, em sua estrutura, incentivar que esta lógica se multiplique. Assim como a equipe gestora da TEIA nos integrou, nós estamos integrando vários outros cooperadores, até por estarmos envolvidos com uma atividade, a Mostra Arte Viva, que abarca um grande número de linguagens e produções artísticas que serão exibidas em vários equipamentos culturais distintos. Assim, em lugar de simplesmente contratarmos uma série de produtores das diversas áreas, nós os integramos à lógica em que também fomos inseridos, ou seja, a lógica do compartilhamento de compromissos e de parâmetros de atuação pré-estabelecidos, mas também a lógica da autonomia plena para a construção de um resultado plural, que seja a somatória das diversas contribuições, dos diversos olhares, dos diversos jeitos de fazer de cada um destes cooperadores.”, explica Kuru Lima, diretor da Cria! Cultura.
Independente do resultado da TEIA, Kuru reforça que o seu legado já existe “exatamente por ser uma realização descentralizada e articulada em uma rede na qual os cooperadores nunca haviam trabalhado juntos antes ou, no máximo, trabalharam vagamente juntos. Todos, estranhos ou vagamente conhecidos, passaram a ter que trabalhar com uma intensidade de relação muito grande, com uma transparência de informação muito grande, numa reunião de cooperadores de diversas partes do Brasil para diversas áreas: captação, gestão, informação, logística, produção artística, para desenvolver a metodologia da Plenária e do Fórum dos Pontos de Cultura, para as ações de comunicação, enfim, um grupo diverso e extenso realizando, talvez pela primeira vez, fazendo as depurações necessárias, mas sem ficar nenhuma rusga. O campo da disputa não existe no regime de cooperação, está liquidado”.
No grupo crescente de colaboradores, cada novo que se integra mostra um pouco de estranhamento em relação a esta lógica. Perguntado sobre o que é este estranhamento, Kuru declara que “é o estranhamento natural do diverso, daquilo que é diferente. Demora um pouquinho até um lado concluir que o outro não vai prejudicá-lo só por ser o outro, por pensar e agir diferente, por ter expressões diferentes e culturas de trabalho diferentes. Ou seja, no início, demora um pouco até que se reconheçam estas diferenças, até que se relaxe para que sejam incorporadas ao próprio trabalho como coisas necessárias para que ele ande, para que se realize”.
Estranhamento. Eis a lupa que pretende fazer a convergência destes raios tão incidentes do espírito humano: de uma fonte, os raios da ancestral aptidão em expressar - simbolicamente por meio da arte e da tensão natural diante do diferente - a diversidade da nossa existência e, de outra fonte, a força gregária do trabalho compartilhado e cooperado para o fortalecimento do tecido social em suas relações econômicas e comportamentais.
A Mostra Arte Viva, assim concebida e assim sendo realizada, busca ser apenas um instrumento, a tal lupa, que colabora no esforço de evidenciar uma práxis capaz de fazer convergir a ética, a estética e a sustentabilidade de cada um dos pontos presos a tantos outros e outros tantos desta teia sempre em construção.
A Arte Viva quer estimular a regeneração do sentimento de pertencimento daquilo que nos escapa, mas sempre resta o suficiente para nos significar: nossa identidade, seja ela qual for, ligada ao nosso lugar, seja ele qual for!
Seguindo a programação anunciada, a comissão autônoma de seleção já se reuniu em Belo Horizonte (saiba mais em http://www.teia2007.com.br/noticias/6399827), estabeleceu os critérios, fez seus apontamentos objetivos, deu seus pareceres. A relação dos selecionados será divulgada a partir do dia 27 de setembro (o prazo foi prorrogado). Depois disso, a Mostra Arte Viva entra no processo de elaboração da programação e dispara os gatilhos de produção para abrigar com excelência técnica cada manifestação artística selecionada pela comissão.
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Mostra Arte Viva celebra a comunhão entre a proposta de encantamento pela fruição estética e a reflexão ética derivada do regime cooperado em que é produzida.
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