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Descrição
A Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso abre nesta sexta-feira a Temporada 2008 com uma série de concertos em homenagem ao violonista Turíbio Santos, com a presença do próprio, além de apresentar um clássico do russo Igor Stravinsky (1882-1971). Será um início emocionante de um ano que será repleto de outras grandes emoções para o grupo. Além das séries de Concertos Oficiais e Didáticos, a orquestra fará duas grandes turnês pelo Brasil, totalizando 90 cidades de todas as regiões.
A definição do momento que vive a Orquestra de Câmara não poderia ser outro senão providencial. Ao analisar as histórias e as características do grupo e do mestre Turíbio Santos tem-se a impressão que o encontro estava marcado já há um bom tempo, muito antes da existência do grupo.
Primeiro, o maestro Leandro Carvalho, regente e diretor da orquestra, foi aluno de Turíbio no Rio de Janeiro. Foi o único pupilo do violonista maranhense que fez carreira com o violão e se tornou maestro e regente de uma orquestra. Carvalho agora terá a honra de conduzir a orquestra e tê-lo como solista, algo que nem imaginava quando ainda cimentava conhecimentos no violão. O repertório contará com duas suítes que Turíbio escreveu e uma que Leandro adaptou para a orquestra. "Quase que uma peça a quatro mãos", comemora.
Outro ponto interessante é que estarão juntos, no palco do Sesc Arsenal, um grupo e um músico que têm como característica um trânsito bastante natural pelas músicas erudita e popular. Turíbio construiu carreira circulando entre as duas e recebeu muitos elogios, no Brasil e no exterior, por isso. Valoriza a cultura brasileira, os músicos brasileiros na mesma medida que mergulha na obra dos grandes imortais do clássico. Foi o primeiro a regravar João Pernambuco, compositor que Carvalho também reapresentou para os brasileiros nos CDs Descobrindo João Pernambuco e João Pernambuco - O Poeta do Violão.
Para completar, graças a essa amizade, o violonista fará o primeiro concerto onde toca ao lado de um naipe de violas de cocho. Será uma nova experiência para um músico que é considerado pela crítica e pelos especialistas como um dos maiores violonistas clássicos da atualidade. Cuja carreira fez percorrer o mundo várias vezes e dividir o palco com grandes celebridades musicais, além de ser acompanhado por orquestras como a Royal Philarmonic Orchestra.
Interessante também é o fato de outros músicos mato-grossenses poderem absorver um pouco dessa vasta experiência. Após os três concertos, na segunda-feira, Turíbio comandará um workshop gratuito onde haverá espaço para profissionais e amadores. Os interessados serão divididos em participantes (aqueles que tocarão de fato para o mestre do violão) e ouvintes (aqueles que apenas acompanharão as aulas). É uma oportunidade única, avisa Carvalho. "Uma pessoa que tem uma trajetória como poucos na música brasileira, ali na sua frente, falando, dando conselhos".
Repertório - Nos concertos, Turíbio e a orquestra tocarão composições importantes como a suíte de "Danças para Violão e Orquestra", originalmente escrita para violão solo em 1993, para as festividades de reinauguração do teatro Arthur Azevedo, em São Luis do Maranhão. O mesmo teatro marcou a estréia do violonista, com um recital, em 1962. Os movimentos dessa suíte evocam locais e personalidades as quais o compositor sentia-se muito ligado como a rua das Hortas e Gonçalves Dias. É dedicada à memória do pai de Turíbio, um seresteiro das madrugadas da Capital maranhense.
Outro destaque é a suíte "Senhores", escrita para homenagear grandes violonistas brasileiros. Começa por Sátiro Bilhar, que se tornou lendário por tocar sempre a mesma música nas reuniões dos chorões no Rio de Janeiro. Segue com Rafael Rabelo sendo homenageado com um lamento pelo seu desaparecimento precoce. Já "Seu Nicanor" é uma paródia Bachiana-Baiana, pois o violonista e compositor baiano adora compor no estilo Bach. O quarto é Maurício Oliveira, lembrado com um empolgante batuque. A suite termina com uma marcha-rancho em homenagem a um dos fundadores do violão brasileiro, o pernambucano Quincas Laranjeiras, amigo de João Pernambuco e Heitor Villa-Lobos.
Antes, porém, a Orquestra de Câmara apresenta a obra "Apollo", do compositor russo Igor Fyodorovich Stravinsky, que ficou célebre por sua polêmica "A Sagração da Primavera", onde estabeleceu um dos marcos mais importantes da história da música do século 20. "Apollo" foi composta com o nome "Apollon Musagete" e depois rebatizada por Stravinsky. Foi escrita a partir de uma encomenda da Elizabeth Sprague Foundation, em 1927, para um festival de música contemporânea que aconteceria na Biblioteca do Congresso, em Washington.
Como foi deixado livre para escolher o tema, o compositor realizou um desejo antigo. Pensava em escrever um ballet sobre um episódio da mitologia grega e decidiu centrar seu pensamento em Apollo e suas musas. Das nove musas inspiradoras, escolheu três para esse ballet: Terpsichore, personificando o ritmo da poesia e a eloquência de gestos; Calliope, que combinava poesia e ritmo, e Polyhymnia, representando Mime. O nascimento de Apollo, em Delos, é apresentado no início da peça, sendo sucedido por nove danças alegóricas por Apollo e as três musas.
Recorde - A Orquestra de Câmara baterá um recorde de apresentações este ano. Serão 142 entre Mato Grosso e o restante do país. Nesta temporada, pela primeira vez, o grupo fará duas turnês nacionais, percorrendo 90 cidades. Visitará todas as Capitais sem deixar de cumprir a já tradicional série de concertos oficiais e didáticos em Mato Grosso. Carvalho considera que este será o ano em que a orquestra vai ganhar o Brasil. Será, analisa o maestro, uma forma de levar o nome de Mato Grosso para fora e eliminar preconceitos.
Num determinado período, farão nada menos que 75 concertos em 90 dias. "É um sacrifício grande, mas a gente sabe que vale a pena, que está indo no caminho certo. Este é o ano de aproveitar", defende Carvalho. Ele lembra que uma das turnês faz parte do projeto Sonora Brasil, do Sesc Nacional, uma importante vitrine para a orquestra. Outra não menos interessante oportunidade é a participação no projeto Concertos pelo Brasil, em comemoração aos 90 anos da empresa Votorantim. Além da Orquestra de Câmara de Mato Grosso, integram o seleto grupo a do maestro João Carlos Martins, Bachiana Chamber Orchestra, e orquestras internacionais. "É um prestígio muito grande para a gente e uma conquista muito grande para Mato Grosso, para toda a sociedade mato-grossense", diz.
Serviço - Os concertos ocorrem desta sexta-feira (15) até domingo (17), sempre às 20h, no Teatro do Sesc Arsenal. Entrada R$ 2,00 ou um litro de leite (Programa Mesa Brasil). As inscrições para o workshop são gratuitas e podem ser feitas no Projeto Ciranda, instituição parceira da orquestra, por meio do telefone (65) 3624 0063 ou pelo e-mail orquestra@ orquestra.mt.gov.br.
A definição do momento que vive a Orquestra de Câmara não poderia ser outro senão providencial. Ao analisar as histórias e as características do grupo e do mestre Turíbio Santos tem-se a impressão que o encontro estava marcado já há um bom tempo, muito antes da existência do grupo.
Primeiro, o maestro Leandro Carvalho, regente e diretor da orquestra, foi aluno de Turíbio no Rio de Janeiro. Foi o único pupilo do violonista maranhense que fez carreira com o violão e se tornou maestro e regente de uma orquestra. Carvalho agora terá a honra de conduzir a orquestra e tê-lo como solista, algo que nem imaginava quando ainda cimentava conhecimentos no violão. O repertório contará com duas suítes que Turíbio escreveu e uma que Leandro adaptou para a orquestra. "Quase que uma peça a quatro mãos", comemora.
Outro ponto interessante é que estarão juntos, no palco do Sesc Arsenal, um grupo e um músico que têm como característica um trânsito bastante natural pelas músicas erudita e popular. Turíbio construiu carreira circulando entre as duas e recebeu muitos elogios, no Brasil e no exterior, por isso. Valoriza a cultura brasileira, os músicos brasileiros na mesma medida que mergulha na obra dos grandes imortais do clássico. Foi o primeiro a regravar João Pernambuco, compositor que Carvalho também reapresentou para os brasileiros nos CDs Descobrindo João Pernambuco e João Pernambuco - O Poeta do Violão.
Para completar, graças a essa amizade, o violonista fará o primeiro concerto onde toca ao lado de um naipe de violas de cocho. Será uma nova experiência para um músico que é considerado pela crítica e pelos especialistas como um dos maiores violonistas clássicos da atualidade. Cuja carreira fez percorrer o mundo várias vezes e dividir o palco com grandes celebridades musicais, além de ser acompanhado por orquestras como a Royal Philarmonic Orchestra.
Interessante também é o fato de outros músicos mato-grossenses poderem absorver um pouco dessa vasta experiência. Após os três concertos, na segunda-feira, Turíbio comandará um workshop gratuito onde haverá espaço para profissionais e amadores. Os interessados serão divididos em participantes (aqueles que tocarão de fato para o mestre do violão) e ouvintes (aqueles que apenas acompanharão as aulas). É uma oportunidade única, avisa Carvalho. "Uma pessoa que tem uma trajetória como poucos na música brasileira, ali na sua frente, falando, dando conselhos".
Repertório - Nos concertos, Turíbio e a orquestra tocarão composições importantes como a suíte de "Danças para Violão e Orquestra", originalmente escrita para violão solo em 1993, para as festividades de reinauguração do teatro Arthur Azevedo, em São Luis do Maranhão. O mesmo teatro marcou a estréia do violonista, com um recital, em 1962. Os movimentos dessa suíte evocam locais e personalidades as quais o compositor sentia-se muito ligado como a rua das Hortas e Gonçalves Dias. É dedicada à memória do pai de Turíbio, um seresteiro das madrugadas da Capital maranhense.
Outro destaque é a suíte "Senhores", escrita para homenagear grandes violonistas brasileiros. Começa por Sátiro Bilhar, que se tornou lendário por tocar sempre a mesma música nas reuniões dos chorões no Rio de Janeiro. Segue com Rafael Rabelo sendo homenageado com um lamento pelo seu desaparecimento precoce. Já "Seu Nicanor" é uma paródia Bachiana-Baiana, pois o violonista e compositor baiano adora compor no estilo Bach. O quarto é Maurício Oliveira, lembrado com um empolgante batuque. A suite termina com uma marcha-rancho em homenagem a um dos fundadores do violão brasileiro, o pernambucano Quincas Laranjeiras, amigo de João Pernambuco e Heitor Villa-Lobos.
Antes, porém, a Orquestra de Câmara apresenta a obra "Apollo", do compositor russo Igor Fyodorovich Stravinsky, que ficou célebre por sua polêmica "A Sagração da Primavera", onde estabeleceu um dos marcos mais importantes da história da música do século 20. "Apollo" foi composta com o nome "Apollon Musagete" e depois rebatizada por Stravinsky. Foi escrita a partir de uma encomenda da Elizabeth Sprague Foundation, em 1927, para um festival de música contemporânea que aconteceria na Biblioteca do Congresso, em Washington.
Como foi deixado livre para escolher o tema, o compositor realizou um desejo antigo. Pensava em escrever um ballet sobre um episódio da mitologia grega e decidiu centrar seu pensamento em Apollo e suas musas. Das nove musas inspiradoras, escolheu três para esse ballet: Terpsichore, personificando o ritmo da poesia e a eloquência de gestos; Calliope, que combinava poesia e ritmo, e Polyhymnia, representando Mime. O nascimento de Apollo, em Delos, é apresentado no início da peça, sendo sucedido por nove danças alegóricas por Apollo e as três musas.
Recorde - A Orquestra de Câmara baterá um recorde de apresentações este ano. Serão 142 entre Mato Grosso e o restante do país. Nesta temporada, pela primeira vez, o grupo fará duas turnês nacionais, percorrendo 90 cidades. Visitará todas as Capitais sem deixar de cumprir a já tradicional série de concertos oficiais e didáticos em Mato Grosso. Carvalho considera que este será o ano em que a orquestra vai ganhar o Brasil. Será, analisa o maestro, uma forma de levar o nome de Mato Grosso para fora e eliminar preconceitos.
Num determinado período, farão nada menos que 75 concertos em 90 dias. "É um sacrifício grande, mas a gente sabe que vale a pena, que está indo no caminho certo. Este é o ano de aproveitar", defende Carvalho. Ele lembra que uma das turnês faz parte do projeto Sonora Brasil, do Sesc Nacional, uma importante vitrine para a orquestra. Outra não menos interessante oportunidade é a participação no projeto Concertos pelo Brasil, em comemoração aos 90 anos da empresa Votorantim. Além da Orquestra de Câmara de Mato Grosso, integram o seleto grupo a do maestro João Carlos Martins, Bachiana Chamber Orchestra, e orquestras internacionais. "É um prestígio muito grande para a gente e uma conquista muito grande para Mato Grosso, para toda a sociedade mato-grossense", diz.
Serviço - Os concertos ocorrem desta sexta-feira (15) até domingo (17), sempre às 20h, no Teatro do Sesc Arsenal. Entrada R$ 2,00 ou um litro de leite (Programa Mesa Brasil). As inscrições para o workshop são gratuitas e podem ser feitas no Projeto Ciranda, instituição parceira da orquestra, por meio do telefone (65) 3624 0063 ou pelo e-mail orquestra@ orquestra.mt.gov.br.
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O concerto deste final de semana conta com a presença do conceituado violonista Turíbio Santos que é também o homenageado
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