Descrição
Nos dias 26 e 27 de agosto, 74 representantes de Pontos de Cultura de todo o Brasil estiveram reunidos em Belo Horizonte para a Plenária que elaborou a Carta Cultura Viva, documento que apresenta 10 pontos para que o Programa Cultura Viva consiga garantir, nos próximos governos, sua permanência como política publica democrática (leia a íntegra da carta aqui: http://www.teia2007.com.br/noticias/6427979). A plenária também elegeu os 9 Integrantes da Comissão Organizadora do 1° Fórum Nacional dos Pontos de Cultura (conheça todos os nomes no fim desta matéria*) que terá a missão de direcionar o futuro dos Pontos de Cultura.
A Plenária aconteceu no auditório do SESC Venda Nova, um complexo de lazer e de convenções que abriga centenas de chalés nos quais ficarão hospedados todos os delegados e representantes dos Pontos de Cultura durante a TEIA em novembro.
Na abertura dos trabalhos, no dia 26, foram propostas dinâmicas em grupo para integração e reconhecimento de proposituras dos participantes. Os trabalhos foram conduzidos pela Fundação Paulo Freire, cooperadora da executiva da TEIA Tudo de Todos responsável pelo desenvolvimento da metodologia aplicada na Plenária para a construção do Fórum Nacional dos Pontos de Cultura.
Ainda neste primeiro dia, aconteceu a fala do Secretário de Programas e Projetos Culturais, Célio Turino, que relembrou as linhas de confluência que concorreram para a concepção do Programa Cultura Viva. Desde a inspiração nos estudos do professor Milton Santos, até os protótipos dos Pontos, nascido pioneiramente com este nome no subdistrito de Joaquim Egídio, em Campinas, até sua multiplicação sob o nome de Casas de Cultura, quando Célio Turino foi Secretário Municipal de Cultura em Campinas e a adequação disso tudo ao desejo expresso pelo Ministro Gilberto Gil em seu discurso de posse, quando evocou a necessidade de um do-in antropológico no Brasil.
Avaliando as experiências prévias ao Programa Cultura Viva, o secretário Célio Turino conclui que só obtiveram êxito e sobrevida aqueles equipamentos culturais envolvidos que “dispunham de articulação em rede, o que lhes dava sustentação, trabalho com autonomia, com muito protagonismo da comunidade e com os agentes se empoderando. Da análise destes casos, nasceram as premissas do Programa”, conta.
A lembrança, no entanto, não foi meramente ilustrativa, estava vinculada à sua crença equivocada de que, à época, aqueles primeiros pontos ou casas de cultura já teriam conquistado autonomia para além da vontade das políticas de governo. No entanto, segundo o próprio Célio Turino, isso não se verificou. Os Pontos de Cultura, nos dias de hoje, experimentam esta mesma encruzilhada que lhes direciona para caminhos de sustentabilidade antes do término desta gestão. Defendeu que “autonomia envolve a conquista de capacidades, de competências e de viabilidades para que seja garantido o sucesso e a continuidade dos Pontos de Cultura. Mesmo que nem todos reúnam todas as competências, é preciso que elas sejam compartilhadas, para que garantam o todo orgânico do processo” - completa.
Célio ainda repudia a idéia de que o Programa Cultura Viva seja apontado apenas como um programa de repasse de recursos do governo para os Pontos que ele conceitua como estruturas de recepção, ampliação e irradiação de políticas públicas de cultura, pois, acredita, “é na dimensão política que a cultura deve ser entendida”. Assim, distingue: “Cultura Viva é o programa de governo e Ponto de Cultura é o movimento, o conceito, é o encontro da política com a cultura. A política entendida nas suas dimensões de autonomia, protagonismo e empoderamento e a cultura entendida em suas dimensões de ética, estética e de economia”.
Depois de digressão sobre os modelos paradoxais da democracia brasileira, reconheceu que o Programa Cultura Viva está em estado limite e que a solução não virá mais por dentro do governo, mas sim por fora, tornando-se “a TEIA um passo a mais no processo de empoderamento dos Pontos de Cultura, algo que se pode caracterizar como um movimento desde que ele una política com cultura e, nesta, reconheça a dimensão da ética, da estética, da economia e da representação da vida, sem dissociação entre estas partes!” – esclarece o Secretário.
Em seguida, o secretário Turino deu uma panorâmica da TEIA 2007 em sua articulação em rede que envolve toda a sociedade civil, e anunciou que a próxima será em Brasília, no Centro de Convenções e instigou a platéia a mergulhar no trabalho daquela plenária e do Fórum que dela derivará, pois “é dos Pontos que emanará a decisão sobre o futuro da Teia e deles próprios” – concluiu Célio.
Sobre os caminhos de ampliação do Programa, anunciou estudos sobre novos editais, com critérios territoriais, temáticos ou de segmentos específicos de público, como os Pontinhos, com atividades voltadas ao universo infantil; falou também da dimensão dos esforços de integração, com a saúde e com o território, por exemplo.
(*) São integrantes da Comissão Organizadora do fórum Nacional dos Pontos de Cultura, Eugênio Luzardi (Alemão), da Biblioteca do FSM, Porto Alegre (RS); Gustavo Jardim Contato de Belo Horizonte (MG); Robson Bomfim, da Rede Mocambos, Campinas (SP); Afonso Oliveira Estrela de Ouro Aliança (PE); Lu Cachoeira Terreiro Cultural, Cachoeira (BA); Francisco Pellé, O Grito do Ipiranga, Teresina (PI); Alexandre Santini, Tá Na Rua, Rio de Janeiro(RJ); Walter Cedro, Invenção Brasileira (DF); Raimundo Nonato Chacon, A Bruxa Tá Solta, Rorainópolis (RR).
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74 representantes de Pontos de Cultura reunem-se em Plenária que lança a Carta Cultura Viva, com dez pontos para o futuro e para a perenidade dos Pontos.
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