Descrição
Problemas sociais e ambientais serão questões em destaque nos espetáculos teatrais selecionados para a Mostra Arte Viva (MAV), que será realizada durante a TEIA 2007. Peças de todo o país serão apresentadas, mas apesar das diferenças regionais, uma mesma idéia une todas elas: transformar a realidade por meio da arte.
Em “Coisas do Gênero”, da diretora Helen Sarapeck, a discussão gira em torno da desigualdade entre homens e mulheres, nas relações familiares e profissionais. Desenvolvido no Pontão de Cultura Teatro do Oprimido – Ponto a Ponto, parceria entre Programa Cultura Viva e Centro do Teatro do Oprimido (CTO), no Rio. O projeto usa o método teatro-fórum, uma das técnicas do teatro do oprimido, criada por Augusto Boal, na década de sessenta.
“É uma forma de discutirmos problemas do cotidiano e ao mesmo tempo buscar soluções”, observa Sarapeck. Ela conta que durante aproximadamente vinte minutos o elenco encena um enredo que apresenta um problema, em seguida o público é convidado ao palco para participar da cena e mostrar o que fariam no assunto em questão. “A partir da experiência de vida de cada um surgem diferentes pontos de vista e opiniões”.
O método busca estimular um diálogo a serviço de transformações sociais e relações humanas mais saudáveis. Desde de 2006 a técnica tem sido levada pelo Pontão carioca aos diversos pontos de cultura do sul ao sudeste do país. “É mais uma possibilidade de trabalho para eles", observa Olivar Bendelak, um dos coordenadores da oficina.
A diretora do espetáculo “Coisas do Gênero” que será apresentado na Teia 2007, diz que a expectativa do grupo é grande para o evento em Belo Horizonte e elogia a iniciativa do MinC (Ministério da Cultura). “Esse encontro mostra que tem um bocado de gente fazendo cultura, mesmo nos lugares mais escondidos e distantes do país”.
Além de diversas apresentações no Brasil, a peça “Coisas do Gênero” tem trajetória internacional. Representou o Pontão na “Semana em Comemoração do Dia Internacional pelo Fim da Violência Contra a Mulher”, na França, no 2º Festival de Teatro do Oprimido na Índia e na Temporada Internacional de Teatro do Oprimido na Palestina.
Reciclando com arte
No caso do teatro de bonecos do grupo Gpto, formado por jovens da cidade mineira de Cataguases, a reciclagem veio em função da arte. “Os bonecos são caros, por isso foi necessário procurar materiais alternativos”, conta o coordenador do projeto Adriano Cunha, ou Nenego, como é conhecido. Garrafas pet, latinhas, entre outros, que infernizavam o meio ambiente, se tornaram auxiliares valorosos.
Criado há cinco anos, o GPTo funciona dentro do Instituto Francisca de Souza Peixoto, ponto de cultura onde foi criado o programa Tear (Trabalho, Educação, Arte e Responsabilidade Social), que apóia iniciativas em pesquisa, divulgação e produção do teatro de bonecos, com foco na inclusão social e a conscientização ecológica. Outros cursos são oferecidos como técnicas circenses e música.
O espetáculo que será mostrado na TEIA 2007, chama-se “Zona da Mata ”. De acordo com Nenego, a peça reconstrói a história de Cataguases. “Contamos desde a chegada dos índios no município até a fundação do Instituto”, diz. E dá-lhe historia. O texto cita a ditadura, a escravidão e fala também de artistas que são referências em Cataguases, como Oscar Niemeyer e Portinari, que consagraram a cidade com sua arte.
Também participarão da Mostra Arte Viva, outros espetáculos de pontos de cultura em todo o país, entre eles “A Gaivota”, do Centro de Cultura Popular Piollin, “Misturas” do Chibarro, “Coisas Nossas” do ponto As Novas Ondas da Maré, “Manuela e o Boto”, do Inter-Arte-Ação Inclusão e Cidadania, “Quanto Custa?”, do Ser Tão Brasil – Rede de Arte e Sentidos, “Corpos de Luz”, da Associação Dança Vida e “Receita e Insólito”, da Associação Será Que?
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Espetáculos teatrais selecionados na Mostra Arte Viva propõem a transformação da realidade por meio das artes cênicas.
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