Descrição
Lançado em julho deste ano, o Projeto Programadora Brasil, iniciativa da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (SAV), da Cinemateca Brasileira (através da Associação Amigos da Cinemateca) e do Centro Técnico Audiovisual (CTAv), selecionou 126 títulos das últimas nove décadas e os compilou em 38 DVDs (ou “programas”). Os programas são distribuídos para o circuito não-comercial de exibição, o que inclui os Pontos de Cultura. Em comum, o fato de as obras serem todas nacionais, algumas históricas, outras em distribuição por diferentes empresas, mas todas fora do grande circuito, relegadas às estantes. A Teia, em novembro, marcará o lançamento de mais 20 DVDs. Serão outros 20 em dezembro e, de março para abril do ano que vem, mais 40 – somando cerca de 250 títulos em catálogo.
Para Frederico Cardoso, coordenador-geral da Programadora Brasil, “os brasileiros passaram a conhecer cada vez menos seu audiovisual, fora o televisivo”. “Ficamos com ingressos caros nas capitais e sem janelas de exibição no interior. Com a tecnologia digital, as salas alternativas já pipocam por aí. Faltava organização de acervo e sua disponibilização, além do fortalecimento das salas alternativas como circuito, de maneira que haja diálogo e interação”, explica Cardoso.
Pesam, por sua vez, além da pressão para estabelecer uma rede nacional de cineclubes que sustente a distribuição de filmes, o objetivo de ampliar o acervo com lançamentos regulares de novos programas e os conseqüentes investimentos em recuperação de filmes, crítica e divulgação. Para tal, o programa estabelece uma taxa, que inclui R$ 4 para o projeto e R$ 6 em direitos autorais e o custo de envio dos DVDs, variando de acordo com a quantidade de programas encomendados e em negociação com os Correios. Hoje, os 38 DVDs saem em torno de R$ 600, e o caráter da licença é temporário, de dois anos, quando os DVDs devem ser devolvidos.
E os Pontos nisso tudo?
Está em negociação entre a Ancine e a Secretaria de Programas e Projetos Culturais a criação, em cerca de 400 pontos de cultura, de Cineclubes. “Hoje, 66% dos pontos de cultura tem vocação audiovisual. Mais de 400 podem ser pontos de difusão, qualificando-se como cineclubes e com acesso ao melhor do cinema brasileiro”, diz Leopoldo Nunes, diretor da Ancine e um dos responsáveis pelo projeto, que pondera: “O que não queremos fazer é mandar um kit para cada ponto, sem estímulo, sem formação de quem está na ponta, sem o conceito de cineclubismo”.
“Num primeiro momento, apresentamos a Programadora aos pontos de cultura e detectamos algumas demandas importantes, como a falta da rubrica ‘aquisição de títulos’, por exemplo. Hoje os Pontos de Cultura que já são cineclubes estão se associando. Outros, que pretendem tornar-se cineclubes, ainda aguardam uma ação nessa direção, que deve vir em conjunto com o Conselho Nacional de Cineclubes brasileiros, sob a forma de oficinas de formação cineclubista e uma cartilha de apoio”, explica Cardoso.
Está prevista, além da distribuição dos filmes e da cartilha, a instituição de uma rede de troca e produção de conteúdos críticos a esses filmes, em espaço que irá ao ar em aproximadamente dois meses, no endereço do Programadora (www.programadorabrasil.org.br). “O ponto de cultura faria então parte de uma grande rede amadora. Uma rede de pessoas capazes de entender os filmes, não apenas de vê-los”, completa Nunes.
Como sem pedras não há caminho, Cardoso explica ainda que, antes de a atividade de exibição audiovisual se tornar realidade, os cineclubes enfrentam uma série de problemas específicos, cada qual o resolvendo a sua maneira, e completa: “Por enquanto, essas dificuldades nos chegam nas apresentações que estamos fazendo, principalmente nos encontros regionais dos pontos, e a resolução desses problemas está bem encaminhada através da aproximação da SAV (Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura) com a SPPC (Secretaria de Programas e Projetos Culturais)”.
Um breve histórico
“Esse é um programa que é central desde que chegamos à SAV, em 2003. Você tem toda a questão econômica do cinema, em suas mídias – salas, vídeos, TV fechada e aberta. Passado este ciclo, ele passa para o universo do “estoque”, vai para a fase dos cineclubes, que são a ‘dimensão cultural do filme’, tenha ele feito sucesso no mercado ou não. De 1990 para cá, a distribuição deste estoque acabou, com o fim das grandes distribuidoras de filmes nacionais, restando os divulgadores de filmes específicos, como o Aliança Francesa, o Instituto Brasil-Japão e o Goethe Institute. Sem distribuidoras nacionais e sem legislação específica, os cineclubes minguaram. Nossa política, com o Programadora, é de recuperar essa dimensão cultural do filme, complementando a dimensão econômica deste ciclo da indústria cinematográfica”.
Desta forma, Leopoldo Nunes, hoje um dos diretores da Ancine, mas à época na SAV do Ministério da Cultura, nos desvenda o cenário que permitiu a “maturação” do projeto. Para ele, muitos desafios podem ser superados com o uso das tecnologias digitais. “Hoje, com 8.000 ou 10.000 reais, você projeta para 100 pessoas com uma mídia digital e qualidade. Faltam os conteúdos”, explica.
Complementando essa “origem” apresentada por Nunes, Frederico Cardoso aponta que “houve, faz pouco tempo, a explosão digital e de salas alternativas, cineclubes, escolas, enfim, toda sorte de estruturas, que começaram a exibir regularmente. A primeira demanda foi a falta de títulos com permissão para exibição, ocasionando um impasse no crescimento desses pontos de exibição. O DVD, o projeto digital, são ferramentas que colocam o audiovisual brasileiro à disposição de todos. O Programadora Brasil vem para organizar e disponibilizar esse conteúdo”.
Aprofundando esta política de revalorização do movimento cineclubista para permitir a manutenção dos filmes nacionais fora do circuito, a Ancine estuda como regulamentar novamente os cineclubes. De acordo com Nunes, “o cineclube deixou de ser regulamentado em 1990, o que é necessário para você definir que é um espaço não comercial. Se não é regulamentado, e oficialmente se trata de dar aos cineclubes o mesmo tratamento do circuito comercial. Mas o cineclube não é uma estrutura comercial, tem exploração diferente, associativa/cultural e sem fins lucrativos”. A normatização proposta pela Ancine, prevista para o segundo semestre deste ano, já passou por consulta pública.
Leia mais
Orlando Senna fala da vocação audiovisual dos Pontos de Cultura
http://www.teia2007.org.br/noticias/6340136
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Projeto iniciado no MinC oferece filmes nacionais clássicos e formação cineclubista para os Pontos de Cultura. Teia 2007 marcará o lançamento de novos títulos no catálogo.
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Guilherme Jeronymo – 100canais
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