Descrição
As pessoas que partem, pela primeira vez, de São José do Belmonte até o arraial da Pedra do Reino não fazem idéia da aventura que terão de passar para acompanhar a Cavalgada da Pedra do Reino, festa de maior tradição da cidade. Os 33km que marcam o trajeto são feitos em pista de barro, com muita lama e represas de açudes que deixam alguns carros de pequeno porte pelo caminho. São em média duas horas e meia de carro e quatro horas para quem preferir galopar até o monumento de pedra no alto da cidade.
Mas essa aventura é só um dos aspectos que fazem o percurso, repleto de belezas naturais sertanejas, inesquecível. Nesta 17ª edição, a Cavalgada da Pedra do Reino, realizada com o apoio da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, encerrou a programação do Festival Pernambuco Nação Cultural no Sertão Central.
Às 6h da manhã, o grupo de cavaleiros do cordão encarnado e do cordão vermelho, acompanhados de Lampião e Maria Bonita, partiram da Igreja Matriz de São José seguindo o rei e a rainha da Cavalgada, em direção ao sítio histórico da Pedra do Reino. Após uma parada para um café da manhã, todas as dezenas de cavaleiros e amazonas que acompanharam o grupo seguiram até o arraial, aonde chegaram na hora do almoço.
Desde 1993, a festa, que começou como uma brincadeira de amigos, refaz o trajeto percorrido, em 1838, pelos homens do Major Manoel Pereira, que partiram de Belmonte à Pedra do Reino, antiga Pedra Bonita, para por fim ao movimento sebastianista que existia na região. Membros da comunidade rural acreditavam no retorno do rei português Dom Sebastião, que traria paz e prosperidade aos seus devotos. Na época, dezenas de pessoas se jogaram do alto da Pedra do Reino em busca da salvação.
Hoje, o evento relembra o ocorrido com celebrações culturais. “É a maior festa do Sertão Central, principalmente porque a Fundarpe trouxe este ano uma produção que fortalece o que Belmonte já vinha produzindo nos últimos anos”, afirma o cordelista Ernando Carvalho, um dos maiores pesquisadores sobre o festejo.
Até as 15h, o público pode conferir as apresentações de Luiz de Verdejante e Banda, Forró Caldo de Cana e Revelação do Nordeste. Às 16h, todos os cavaleiros e amazonas já estavam prontos para o retorno para casa. “É preciso sair antes do anoitecer porque cavaleiro que é cavaleiro vem à Pedra do Reino e volta no lombo do cavalo”, explica o lampião Renato Magalhães, membro da Associação da Pedra do Reino.
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Último domingo de maio é reservado para festa em memória a movimento sebastianista que existiu na região
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Joana Pires
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