Descrição
Um futuro de possibilidades se apresenta para 30 jovens moradores de áreas com alto índice de vulnerabilidade do Estado. Após seis meses de capacitação em preservação de patrimônio cultural e histórico, os adolescentes chegam ao final do projeto Preservando Culturas aptos a atuar no mercado de trabalho como restauradores. O encerramento da ação, desenvolvida em parceria com a Fundação do Patrimônio Histórico de Pernambuco (Fundarpe), acontece nesta sexta-feira (9), às 14h, na Basílica Nossa Senhora da Penha, que foi tombada recentemente em nível estadual e serviu de local para o curso.
A capacitação completa, que foi iniciada em fevereiro deste ano, teve carga equivalente a 420 horas, com aulas diárias, de segunda a sexta-feira, das 14h às 18h. Os jovens, moradores de comunidades de Olinda, Paulista, Recife e Jaboatão dos Guararapes, assistiram às aulas na Basílica para aproveitar a fase de obras do monumento. A seleção dos adolescentes foi feita levando em consideração três critérios básicos: estar matriculado na rede público de ensino; não ter renda fixa; e ser morador de áreas com alto índice de violência. Outro critério avaliado, através de uma dinâmica realizada pela coordenação do projeto, foi a paciência dos adolescentes, condição básica para o exercício da função de restaurador.
Os alunos que participaram da capacitação foram beneficiados com uma bolsa de R$ 100, alimentação diária, passagem, fardamento e material didático. Para o coordenador geral do projeto, Fenelon Pinheiro, a ação contribuiu não só para a formação profissional dos jovens como para o desenvolvimento cidadão. “Fizemos cidadania e inclusão social dando o primeiro passo. Se eles forem estimulados conseguirão empregos e terão a oportunidade de transformar suas realidades. O projeto Preservando Culturas vai muito além do restauro do patrimônio artístico, é também o restauro da dignidade da pessoa, o restauro da qualidade de vida a partir da inclusão social. Enfim, neste projeto também restauramos vidas”, declara.
O projeto Preservando Culturas integra uma das linhas de ações do programa Células Culturais desenvolvido pela Fundarpe, além de representar a contribuição da instituição para o programa Pacto pela Vida do Governo do Estado. A ação recebeu apoio do Ministério da Cultura e foi executada pelo Centro de Estudos Avançados da Conservação Integrada (Ceci) por meio de parcerias com as prefeituras de Olinda, Jaboatão, Recife e Paulista e da Associação Nacional de Desenvolvimento Humano e Social (Andhus).
Governador Eduardo Campos homologa tombamento da Basílica da Penha (clique aqui para ler a íntegra da matéria).
MERCADO DE TRABALHO – De acordo com dados do Ceci, atualmente, existem no Brasil cinqüenta e oito cidades e sítios urbanos tombados pelo Governo Federal, sendo nove incluídos na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO, além de vários outros sítios tombados pelos governos estaduais e municipais. Ao todo são cerca de 100 mil imóveis que requerem proteção, conservação e restauro. Só em Pernambuco são mais de 400 bens tombados tanto a nível Estadual quanto Federal. O trabalho de restauro, no entanto, exibe conhecimento especializado para a manutenção da autenticidade e integridade dos monumentos arquitetônicos que representam elemento fundamental da memória histórica do povo. Através do projeto Preservando Culturas, jovens de comunidades com alto índice de criminalidade tiveram a oportunidade de conhecer todas as etapas que envolvem o trabalho de restauro e de conservação, obtendo qualificação numa área carente de profissionais.
Além de aulas teóricas de português, de História da Arte e sobre a cultura pernambucana, os adolescentes foram instruídos na prática. Entre as técnicas trabalhadas, destacam-se a aplicação de folhas de ouro, técnicas de pintura, tipos de tinta, execução de restauro de marmorino, entre outras. Visitas externas a importantes centros históricos do Estado como Itamaracá, Igarassu e Olinda fizeram parte da dinâmica das aulas, além do exercício diário de restauração da Basílica de Nossa Senhora da Penha.
“O projeto foi de grande importância para os nossos alunos, principalmente no que se refere ao acesso a uma profissão que no mercado tem poucas pessoas que desempenham. Um curso de restauro do patrimônio deste porte custa mais de seis mil reais e, na sua grande maioria, só quem tem acesso são artesãos renomados ou arquitetos. Em condições normais nossos alunos jamais teriam acesso a este ofício”, diz. Segundo ele, os melhores alunos serão aproveitados na conclusão do restauro da Basílica de Nossa Senhora da Penha.
SERVIÇO
Encerramento do projeto Comunicando Culturas
Local: Basílica Nossa Senhora da Penha (Praça Dom Vital, s/n – São José – Recife)
Horário: às 14h
Sistema de Origem
PENC
Autor/a
Descrição
Eng. Eletrônico, Comunicador Popular, Músico nas horas vagas
Coletivo
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Além de promover inserção social, projeto realizado pela Fundarpe capacitou jovens entre 16 e 24 anos para trabalhar com restauração de monumentos históricos
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Alan Tygel




