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Descrição
Na manhã da última quarta-feira (20/6), a cidade de Condado, no interior de Pernambuco, recebeu na sede da Escola Municipal Antonio Pereira de Andrade (EMAPA), pelo menos 90% dos representantes dos grupos de Cavalo-Marinho de Pernambuco. Foram quase 40 presentes, entre mestres, pesquisadores do projeto do Inventário Nacional de Referências Culturais sobre o Cavalo Marinho, Maracatu Rural, Maracatu Nação e Caboclinho, além de representantes do governo.
O evento é etapa integrante do projeto que busca transformar essas manifestações populares em Patrimônio Imaterial do Brasil. Realizado desde 2007 pela Secretaria de Cultura do Estado e Fundarpe, através de sua Diretoria de Preservação Cultural, o projeto conta também com o apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
“O nosso maior objetivo é assegurar o compromisso do estado de produzir conhecimento sobre vocês e garantir a continuidade do Cavalo-Marinho”, disse Eduardo Sarmento, coordenador de Patrimônio Imaterial da Diretoria de Preservação Cultural da Fundarpe, durante a abertura do “I Encontro sobre Registro e Salvaguarda com Mestres e Lideranças de Cavalo-Marinho”. “Estamos nos colocando à disposição de vocês”, reforçou Sarmento.
A fala do coordenador de Patrimônio Imaterial resumiu um pouco da tônica do encontro, que funcionou sobretudo como um pacto entre os mestres e os representantes do governo, através da Fundarpe e também de Giorge Bessoni, antropólogo responsável pelo setor de Patrimônio Imaterial do Iphan.
O primeiro momento foi marcado pela tentativa dos representantes de clarificar o processo e explicar os pormenores de cada etapa do projeto de inventariação dos bens culturais. Mas o que significa transformar o Cavalo-Marinho em Patrimonio Imaterial? Que benefícios isso trará? Como atuam as Políticas Públicas de preservação? O que é inventário, registro e salvaguarda? Estas questões básicas foram amplamente citadas como forma de possibilitar que os mestres pudessem apropriar-se delas, e a partir daí pudessem também apoiar conscientemente o projeto, contribuir com o plano de salvaguarda e saber utilizar bem as benesses do status de Patrimônio Imaterial.
Os desejos dos mestres
Mestre Grimário (Cavalo-Marinho Boi Pintado), Mestre Zé Mariano (Maracatu Estrela de Ouro), Mestre Biu Alexandre (Cavalo Marinho Estrela de Ouro), Mestre Araújo (Cavalo Marinho Boi de Ouro), Mestre Antonio Teles (Cavalo Marinho Estrela Brilhante), Zé de Bibi (Cavalo-marinho do Mestre Zé de Bibi), e outros “brincadores”, “botadores de figura” ou “sambadores” tomaram a palavra e explicitaram seus desejos, problemas e histórias relacionados à atividade.
Questões como aposentadoria para os mestres, remuneração justa para as apresentações, utilização das nomenclaturas corretas pelos pesquisadores, emergência da criação de uma associação de Cavalos-Marinhos e a dificuldade de inscrição em projetos e editais de incentivo foram alguns dos problemas mencionados pelos mestres, e que, segundo o representante do Iphan, já serão aproveitados na construção do Plano de Salvaguarda. “O mais importante desse encontro de hoje foi a mobilização feita, a articulação para reunir mestres de municípios distantes uns dos outros, e eles todos puderam ter a voz e falar o que realmente pensam, o que realmente acham. Das falas desses mestres nós já pudemos captar algumas recomendações, já sabemos o que é mais preemente pra eles em termos de preservação do Cavalo-Marinho. Já há conteúdo pra começarmos a refletir sobre as ações de salvaguarda, para já pensarmos no futuro”, afirma Giorge Bessoni.
Pedro Salustiano, filho de Mestre Salustiano e mestre de Cavalo-marinho, tem se dedicado à criação de uma Aassociação que represente os Cavalos-Marinhos do estado. Ele defendeu que os mestres desejam, acima de tudo, reconhecimento de sua arte e espaço para brincar: “O que a gente não aceita é a exploração. O que nós queremos é o reconhecimento”, esclareceu. “É muito importante o encontro porque é um momento de compartilhar as angústias, e a partir desse momento que vão surgindo novas ideias, novos projetos”, avaliou Pedro Salu.
Eduardo Sarmento também julgou positivamente o encontro: “Acho que esse encontro foi único, extremamente produtivo no sentido de desenvolver esses contatos mais próximos, esses laços, e compartilhar responsabilidades com aqueles que produzem, efetivamente, que reproduzem e que recriam a brincadeira do Cavalo-Marinho, que é uma brincadeira tão cara à cultura pernambucana.”, esclareceu Sarmento. O coordenador de Patrimônio da Fundarpe também enfatizou que foi um momento único, principalmente, para dotar os mestres, os sambadores, os brincadores de cavalo-marinho, os figureiros, de informações e conhecimento suficiente para que eles tenham uma atuação mais ativa, o que torna, segundo ele, “esse processo de reconhecimento de Patrimonio Imaterial do Brasil algo que repercute, efetivamente, na continuidade do bem, na transmissão desse conhecimento, da memória, de tantos mestres que compõem a nossa cultura pernambucana”.
A pesquisa
Beatriz Brusantin, historiadora e coordenadora da pesquisa e do inventário do projeto, contou que a pesquisa e a inventariação dos bens já estão bastante avançadas: “Já estamos muito avançados, preenchendo as fichas dos bens culturais, formas de expressão, toadas, dança dos arcos, modos de fazer desde os instrumentos, bexigas, bichos, etc”. A pesquisadora também contou que as filmagens também estão na etapa final. O projeto prevê um filme curto, de cerca de 15 minutos, e um outro de 1 hora, de caráter etnográfico.
A equipe de pesquisa do projeto conta com 11 profissionais, a maioria de técnicos em antropologia, história, artes, ou com experiência direta com a cultura popular, como é o caso de Fabinho, neto do Mestre Biu Alexandre.
O projeto de inventariação, que culminará na tranformação de manifestações populares em Patrimônios Imateriais do Brasil, continua em curso, e durante o processo outros encontros serão realizados, como forma de manter a horizontalidade e legitimidade de todas as etapas. Finalizada a pesquisa, é hora de construir o Plano de Salvaguarda, no qual constará os pontos essenciais para a manutenção da manisfestação.
Sistema de Origem
PENC
Autor/a
Descrição
Eng. Eletrônico, Comunicador Popular, Músico nas horas vagas
Coletivo
subtitulo
Em Condado, o primeiro encontro com mestres, lideranças de Cavalo-Marinho e o governo estabelece diálogo com o objetivo comum de preservação da cultura popular
assinatura
Julya Vasconcelos
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Ricardo Moura
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Mestres, lideranças e representantes do governo no EMAPA, em Condado
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Alan Tygel




