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Descrição
“O mais importante não é a cor da pele, mas a humanidade do artista”, foi o que demonstrou o crítico de arte e escritor camaronês Simon Njami, em um evento realizado em Paris, em 1987, batizado como Ethnicolor. A proposta era simples: a partir da observação das obras de artistas europeus, africanos, norte-americanos e caribenhos, entre outros, o público era convidado a adivinhar a origem de cada um. A porcentagem de erros, naturalmente, era altíssima.
O conteúdo político da realização, além de necessário, seria ainda hoje atual, caso o teste fosse refeito hoje, mais de 20 anos depois. Mas é com outra proposta, embora não menos política, que Njami participa hoje, às 19h, no Casarão do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), de uma conferência sobre as produções africanas em arte contemporânea, em companhia do artista e curador da Trienal de Luanda, Fernando Alvim.
A idéia é uma conversa aberta, capitaneada por dois dos mais importantes ativistas da cena artística africana, que manda pra longe adjetivos antigos e eurocêntricos – como primitivista e exótica – costumeiramente utilizados para se definir as produções do continente. Em foco estarão as realizações mais recentes dos artistas provenientes de vários países africanos e a diversidade e contemporaneidade de sua arte.
Durante a conferência, resultado de uma parceria entre o MAM, a assessoria de relações internacionais da Secretaria de Cultura e a Fundação Sindika Dokolo, serão exibidas imagens de obras que compõem esse panorama atual. Os organizadores pretendem ainda fortalecer o intercâmbio entre os artistas locais, o MAM e os curadores africanos com vistas à participação da Bahia na II Trienal de Luanda.
Outro objetivo é preparar o terreno para a realização da Mostra pan-africana de arte contemporânea, prevista para acontecer no MAM, em 2010. Njami e Alvim, curadores do Pavilhão Africano na 52a Bienal de Veneza, em 2007 – espaço até então inédito na história da mostra – têm estrada suficiente para pavimentar esse caminho, recheado de pinturas, esculturas, fotografias, videoinstações e uma série de outras formas de expressão que apontam para muito além das máscaras, tribos e rituais.
Na Bienal de Veneza, por exemplo, a mostra Check-list - Luanda pop inclui obras provenientes da coleção de arte contemporânea da Sindika Dokolo. Trata-se de uma instituição gerida e financiada por africanos, sediada em Luanda, que reúne a coleção privada mais importante de arte contemporânea na África e garante a realização da Trienal angolana, com curadoria do vice-presidente da fundação, Fernando Alvim, também uma espécie de “embaixador” das produções artísticas africanas em outros continentes, tal como Simon Njami.
Criador e editor-chefe por 12 anos da Reveu Noire, mais importante publicação africana de arte, Njami foi também curador da Africa remix, no Centro Georges Pompidou, em Paris, em 2005. A idéia foi cessar a busca por uma suposta “autenticidade” da arte africana, apontando para a construção do novo a partir do antigo.
Para tanto, ele selecionou para a mostra artistas com biografias diversas – como uma argelina residente em Moscou ou um etíope de mãe sueca – para dar conta de questões como subjetividade, identidade e globalização, tão latentes na arte do século XXI, “uma arte que acontece em paralelo com a vida”, como declarou por ocasião de uma palestra na Casa das Áfricas (SP).
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FICHA
Conferência: África Contemporânea
Quem: Fernando Alvim e Simon Njami
Onde: Casarão do Museu de Arte Moderna da Bahia (Solar do Unhão)
Quando: hoje, 19h
Ingresso: gratuito
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Da Redação
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O crítico de arte e escritor camaronês Simon Njami (E) em companhia do artista e curador da Trienal de Luanda, Fernando Alvim (D) particiam da conferência
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