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(fonte: Valor Econômico)
Em Pernambuco, a estratégia é estender a temporada do Carnaval, levando as apresentações de maracatu, frevo e samba de coco para todo o Estado. Os engajados ajudam a preservar a cultura e mantêm ativa a indústria carnavalesca durante o ano. Em janeiro, os turistas e os locais podem curtir os ensaios dos tradicionais blocos da cidade, participar de apresentações culturais na sede do Galo da Madrugada - uma das agremiações mais conhecidas do Brasil - ou seguir os bonecos gigantes nas ruas de Olinda. Durante o ano, basta consultar a agenda cultural para acompanhar festivais espalhados pelas terras pernambucanas. 'O Carnaval é um importante ciclo cultural, que movimenta a economia, encanta turistas e gera renda no Estado', afirma Luciana Azevedo, presidente da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe).
Neste ano, a Secretaria de Turismo de Recife espera 700 mil foliões durante os dias de Carnaval, que devem gastar R$ 400 milhões só em Recife e Olinda. Como produto cultural, o Carnaval é incentivado em 14 polos culturais, com alcance do litoral ao interior, onde são organizadas festas que respeitam a diversidade e permitem a experimentação da cultura local. A ideia é mostrar identidades regionais e privilegiar a linguagem e a arte popular. 'Temos um produto diferente do Rio de Janeiro e da Bahia. O Pernambuco mantém o verdadeiro Carnaval de rua,
qualquer um pode entrar na folia sem pagar para participar de cordões ou blocos', afirma Luciana. Outra vantagem é que as apresentações de frevo, samba de coco e maracatu transcendem o Carnaval. 'São manifestações folclóricas atraentes o ano inteiro.'
Os eventos regionais com temas carnavalescos motivaram o artista plástico Silvio Botelho, que produz bonecos gigantes em Olinda, a atuar em uma nova área: a de produtor cultural. 'Vivo exclusivamente do Carnaval. Quando não estou fabricando bonecos, produzo eventos. Viajo com minhas peças para mostrá-las a todos os pernambucanos', afirma.
A maior parte da renda de Botelho é conquistada com a venda de bonecos, cujos preços começam em R$ 2 mil reais. Os valores sobem conforme a dificuldade de retratar personagens. O artista plástico é responsável pela confecção dos bonecos mais famosos do país. De seu ateliê, que virou ponto turístico, saem cerca de 40 bonecos por ano. Nesta temporada, está finalizando 42 encomendas. O faturamento anual do artista com as peças chega a R$ 30 mil. 'Este é o meu ganho. Pago profissionais como costureiras e artesãos. O custo final também engloba fornecedores de papel, massa, estrutura, etc', explica.
Na cadeia do maracatu, a formação de cooperativas tem garantido ganhos com produtos carnavalescos. Joana D´Arc Barbosa da Silva, diretora-presidente da Cooperativa Cearte, montada na região econômica conhecida como Mata Norte, apostou na valorização do designer utilizado na confecção das roupas do maracatu. Nesta manifestação, a peça de maior valor é a gola, que compõe os trajes de reis e das rainhas. A dificuldade para obter renda está na complexidade de manufatura de cada uma delas.
As golas demoram cerca três meses para serem produzidas, por exigirem um minucioso trabalho de costura e colagem de lantejoulas. O preço unitário está entre R$ 800 e R$ 1 mil. 'Para ampliar a renda e a produção, apostamos no aplique em peças menores como bolsas. Desta forma, a cultura do maracatu é divulgada e pode ser levada pelo turista', explica Joana.
As estratégias para garantir mais renda aos artesãos - em uma região que vive das plantações de cana-de-açúcar - surgiram com o apoio de um projeto da Secretaria de Desenvolvimento e Articulação Regional, o Promata, parceira entre o governo de Pernambuco e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Chamado de Fábrica de Empreendimentos, a iniciativa capacitou 25 profissionais da cadeia do artesanato em 19 municípios da Zona da Mata Norte. 'O projeto mudou a realidade do artesanato na região. Formamos cooperativas e vendemos nossas peças para o Brasil e exterior', conta Joana.
Ela dá como exemplo a própria Cearte, que congrega 385 artesãos. A cooperativa produz entre 1,5 mil e 2 mil peças por mês, o que garante uma renda média de R$ 1 mil para cada cooperado. Entre dezembro e fevereiro a demanda dobra e a cooperativa chega a produzir 4 mil peças em um mês. A renda acompanha a explosão da demanda e os artesãos chegam a faturar até R$ 6 mil no pico de produção. 'Nosso planejamento previu a confecção de peças que mantêm a essência de nossa arte e interessou um público maior. Aprendemos que difundir a cultura é parte do nosso negócio', comenta Joana.
As lições da Fábrica de Empreendimentos foram aplicadas para trazer competitividade e eficiência ao grupo. As compras, por exemplo, são programadas e feitas em conjunto. 'O volume garante melhores preços e qualidade', diz Joana. A estratégia comercial também defende os interesses comuns dos cooperados e mantém ativa a participação em feiras e os contatos com lojas e distribuidores.
Entre os eventos importantes, a Cearte participa da Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte), onde expõe e comercializa anualmente seus produtos. 'Abrimos portas para nossa arte. Além de produzirmos, estamos preservando o folclore pernambucano', afirma Joana.
Como ganho intangível da organização da cadeia de artesanato na região, ele cita a melhoria da renda regional e o aumento da participação do público local nas apresentações. 'Trabalhadores rurais economizam o ano inteiro para comprar a gola de maracatu. Durante a apresentação, são reis e rainhas orgulhosos de sua cultura', conclui Joana.
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Neste ano, a Secretaria de Turismo de Recife espera 700 mil foliões durante os dias de Carnaval, que devem gastar R$ 400 milhões só em Recife e Olinda
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