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Um grupo formado por mais de dez povos nativos decidiu se unir para colocar em prática uma idéia em comum. Formar uma rede digital para falar não apenas de suas culturas, mas do mundo além de suas terras. O resultado pode ser conferido no conteúdo produzido coletivamente pelas aldeias, disponível no portal eletrônico da rede virtual Índios On Line (www.indiosonline.org.br). Parte desse processo está registrada agora nas páginas do livro "Arco Digital", lançado nesta quinta-feira (8), na TEIA, em Belo Horizonte. Entre debates e cantos tradicionais, índios e público trocaram idéias e informações sobre o trabalho desenvolvido na rede digital.
Sediado na Bahia, o projeto já existe desde 2002 e foi conveniado como Ponto de Cultura em 2004. De acordo com o pankararu pernambucano Alexandre dos Santos, coordenador da rede Índios On Line, o início não foi nada simples. Os obstáculos, segundo ele, começaram na própria aldeia. "No começo, as comunidades ficaram assustadas". Mas a possibilidade de autonomia acabou convencendo a tribo. "No portal e nos livros, somos nós os pesquisadores, os repórteres, os fotógrafos, os historiadores".
Em entrevista realizada através do chat disponível no portal, Ivana Cardoso, diretora-executiva da ONG Thydewas, instituição que idealizou o projeto, explica o título do livro e comenta os impactos das novas tecnologias no mundo indígena. Para ela, o arco hoje precisa ser digital. "Antigamente os índios usavam o arco e flecha para caçar, hoje nossa caçada é virtual", diz. A internet abriu as portas do mundo para os indígenas, prossegue a diretora, possibilitando uma infinidade de trocas interculturais.
Um diálogo que pode prestar outros serviços relevantes, como minimizar o preconceito que ainda existe em relação aos indígenas, afirma a diretora. "O índio continua muito discriminado e nos mostrar ao mundo é uma forma de combatermos essa realidade". Ivana observa que a internet está colaborando para o desenvolvimento das comunidades. "Estamos conseguindo vários benefícios para as aldeias por meio de projetos divulgados na rede", conta.
Na ocasião foram lançadas outras publicações indígenas, "Índio na visão dos índios" e "Pataxó do Prado e Pataxó Hã Hã Hãe". No Ponto de Cultura Índios On Line (BA), também são desenvolvidos produções audiovisuais e programas de aprendizado à distância (e-learning).
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