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Santiago de Cuba - Conhecido pela pluralidade musical, o estado de Pernambuco deve ampliar ainda mais seus horizontes. A delegação estadual de 162 pessoas que veio participar da 30ª edição do Festival do Caribe tem aproveitado a estada em solo cubano para conhecer sons, ritmos e artistas que dificilmente chegam aos seus ouvidos no Recife. Com a oportunidade de conferir apresentações culturais de países como México, Haiti, Argentina, Cuba, Curaçau e Jamaica, durante uma semana, em 28 pontos da cidade de Santiago de Cuba, os artistas pernambucanos têm procurado observar e absorver essa experiência em seus trabalhos autorais.
Quem já está avançando nesse sentido é a Orquestra Popular da Bomba do Hemetério (OPBH). Para o seu segundo disco, que deve começar a ser gravado neste segundo semestre, o grupo planeja convidar um DJ cubano para participar do próximo álbum. 'Vamos fazer uma faixa que vai condensar todas as músicas do disco e entregar para um DJ fazer um remix', adianta o Maestro Forró, comandante da orquestra.
Além disso, ele revela que a sonoridade da OPBH não deve ficar imune ao acesso de tantas referências que os integrantes da banda estão tendo acesso. 'Festivais como esse são uma oportunidade para colocar em prática a globalização real. O Festival do Caribe está linkado com a proposta da gente, de primeiro conhecer para depois misturar as linguagens. A gente está sempre transformando as coisas e essas viagens são como oportunidades de gerar mais diversidade para a nossa cultura', explica Forró.
Outro grupo que está se valendo do Festival do Caribe para criar material novo é o grupo Fim de Feira. 'Já comecei a compor baseado nessa experiência. Aqui é tudo muito diferente, é como se a gente saísse de uma romance de Gabriel García Márquez', diz o vocalista Bruno Lins. Mas ele acredita que o mais importante dessa experiência ultrapassa as questões estéticas e atinge o nível da relação das pessoas com a arte. 'Não é só uma questão de influência musical, tem uma coisaantropológica mesmo. A música é questão de sobrevivência para os cubanos. Indepentemente do regime político deles, religião e mesmo das condições dos equipamentos, a gente vê que eles estão se divertindo enquanto tocam', observa Bruno.
Interação - Uma relação que também parece ter efeito entre os outros integrantes da delegação estadual. Reunidos no Hotel Balcón do Caribe, os artistas pernambucanos têm interagido e se mostrado abertos na construção de novas parcerias. Algo que já era possível observar ainda no salão de embarque no Aeroporto Internacional dos Guararapes, em Recife, quando o rapper Zé Brown sacou o pandeiro e começou uma roda de embolada com a participação de músicos da OPBH e Cannibal, da Devotos. 'Estamos juntos no mesmo hotel e as coisas vão surgindo, tudo é uma grande brincadeira e a música', conta o forrozeiro Josildo Sá, que fez participações nas apresentações da Fim de Feira e de Zé Brown.
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Eng. Eletrônico, Comunicador Popular, Músico nas horas vagas
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Festival do Caribe, que este ano homenageia Pernambuco, favorece integração entre países latinos
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Alan Tygel




