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Descrição
“Meu filho, agora você já pode vender todos os seus livros”, disse a mãe de Rogério Pereira, editor do jornal curitibano “Rascunho”, assim que ele terminou o curso de jornalismo. Ele conta que para ela, que era analfabeta, os livros tinham um papel bastante prático: formá-lo no curso e ponto. “Não sabia ela que aqueles livros que dividiam espaço com os pratos e panelas eram ficções, e não livros de jornalismo”. Muitos anos depois, Rogério se depara com um outro olhar equivocado sobre o livro e a leitura: “Por que você está lendo esse livro que não serve para nada, que é uma mentira?”, lhe inquire uma prima da sua esposa, enquanto ele lê um romance na sala de casa.
Essa história foi contada durante a mesa de abertura do I Seminário do Livro, Leitura e Literatura, que começou hoje (23/4) à tarde, no Teatro Arraial, e vai até amanhã no local. O tema era “Literatura, mídia e (in)visibilidade”, e o debate girou bastante em torno da questão presente na história contada pelo editor do “Rascunho”: a importância da formação basilar do leitor. Como ser despertado para a leitura? Os suplementos literários teriam um papel formador ou seriam destinados à sustentação da discussão já em outro patamar? Quem ou o que, então, seria responsável por fazer a literatura chegar às pessoas? O papel dos jornais, programas e revistas de literatura foram olhados, sobretudo, como agentes indiretos, que fortalecem um sistema que, ainda longe do ideal, vem melhorando gradativamente no Brasil, segundo os debatedores. No entanto, enfatizaram que a discussão literária em um país como o Brasil não tem que estar em primeiro plano, mas, sim, o leitor. Ou seja, deve haver um equilíbrio entre o tipo de trabalho que a mídia voltada para a literatura realiza, e o trabalho de base que deve ser feito através de outros meios.
Além de Rogério Pereira, Eduardo César Maia (Editor do Café Colombo – PE), Schnneider Carpeggiani (Editor do Suplemento Pernambuco – PE) e Cristiano Ramos (Editor do Blog Nota PE) compuseram a mesa, que debateu também visilibidade dos meios, visibilidade dos autores, dificuldades no recebimento de materiais das editoras, problemas em relação a publicidade e distribuição, o que é relevante ou não para ser publicado e outros assuntos tangenciais, que foram amplamente debatidos. O público teve oportunidade de fazer perguntas ao final, engrenando ainda mais o debate.
Um momento importante da discussão foi relacionados à crítica personalista, que Eduardo Maia enfatizou como algo rico: 'A crítica não precisa estar certa. Ser personalista adiciona à obra uma vitalidade. O crítico como autor, o crítico criativo. A obra lida através dos olhos do crítico como uma coisa viva pode despertar a paixão'. Carpeggiani também tocou em um ponto relevante, quando falou sobre o atual duplo papel que o autor tem que assumir para poder circular, ser lido. Diz que hoje o escritor tem que ser um show man, “e escrever é algo ensimesmado. O escritor passa meses recluso para escrever um romance, e de repente tem que assumir esse outro papel '.
Antes do início do seminário, o Secretário de Cultura Fernando Duarte abriu o evento, enfatizando a importância dos debates promovidos pelo projeto “Cultura: bom para pensar”, do qual o seminário faz parte. Também falou da importância fundamental da recém-criada Coordenadoria de Literatura: “É fundamental pra gente devido à importancia da literatura em Pernambuco, dada a quantidade de pessoas que são militantes e artistas da literatura atualmente.”
Amanhã (24/4), questões referentes a políticas públicas e sustentabilidade econômica e ao papel das bibliotecas serão debatidas em duas mesas, a partir das 9h e das 14h, respectivamente. O evento é aberto ao público. O Teatro Arraial fica na Rua da Aurora, n 457 – Boa Vista.
Mais informações: 3184-3166 (Coordenadoria de Literatura)
Confira programação:
Terça-feira, 24/4
Mesa 2: Redes de leitura e sustentabilidade
9h às 12h
Nesta mesa o foco da discussão são os meios de se criar redes de leitura dotadas de autonomia, numa perspectiva de sustentabilidade econômica. Serão apresentadas linhas de financiamento para ações voltadas à mediação de leitura e à formação de leitores no âmbito governamental e da iniciativa privada, bem como serão discutidas questões referentes à auto-gestão de bibliotecas comunitárias, trabalho colaborativo e propostas de políticas públicas para fortalecer o setor.
Participantes:
Roberto Azoubel (Assessor Técnico do Setor do Livro, Leitura e Literatura, Representação Regional do Ministério da Cultura)
Representante de Instituto Social da Iniciativa Privada
Emanuel Soares (Diretor do FUNCULTURA, Secretaria de Cultura)
Mediação: Gabriel Santana (Coordenador da Releitura – Bibliotecas Comunitárias em Rede)
Mesa 3: Ressignificação do espaço das bibliotecas
14h às 17h
Discutir o papel que têm hoje as bibliotecas na sociedade brasileira e sua inter-relação com a cadeia criativa e o espaço escolar é o objetivo principal desta mesa. O debate apresentará diversos pontos de vista sobre o trabalho de mediação de leitura nas bibliotecas, desde propostas de intervenção nesses espaços, estudos realizados no âmbito acadêmico até relatos de experiências concretas com bibliotecas públicas.
Participantes:
Ester Calland de Sousa Rosa (Prof. Adjunta do Centro de Educação, Universidade Federal de Pernambuco)
Ana María Escurra (Coordenadora da ONG Bagulhadores do Mió e do Projeto Escola Leitora)
Shirley Cristina Lacerda Malta (Gerente de Políticas Educacionais da Educação Infantil e Ensino Fundamental,, Secretaria de Educação de Pernambuco)
Mediação: Cida Fernandez (Centro de Cultura Luiz Freire)
Sistema de Origem
PENC
Autor/a
Descrição
Eng. Eletrônico, Comunicador Popular, Músico nas horas vagas
Coletivo
subtitulo
Com um debate sobre invisilibidade, visibilidade e circulação da literatura na mídia, o primeiro dia do Seminário do Livro, Leitura e Literatura começa com o teatro Arraial lotado.
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Foto: Costa Neto
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Mesa sobre literatura, mídia e (in)visibilidade
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Alan Tygel




