Descrição
Artefatos de cerâmica, projéteis de arma de fogo, cachimbos são algumas das peças que podem ser vistas na exposição Apresentando o Arraial Velho do Bom Jesus, em cartaz no Sítio Trindade, em Casa Amarela. A mostra promovida pela Secretaria de Cultura do Recife é uma parceria entre a Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural –DPPC em parceria com o Laboratório de Arqueologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
De acordo com Lorena Veloso, diretora de preservação do patrimônio cultural, a idéia é sensibilizar a população apresentando um resgate histórico do patrimônio desse sítio arqueológico, hoje conhecido como Sítio Trindade. A proposta buscou destacar a existência do “Forte Arraial Velho do Bom Jesus” apresentando à comunidade a história da fortificação e proporcionando aos alunos, professores e visitantes um conhecimento ativo das pesquisas arqueológicas e atividades de Educação Patrimonial.
No final da década de 1960, foram feitas duas escavações arqueológicas. A primeira tinha o objetivo de encontrar o forte do qual aparentemente não restavam vestígios; nesse período, os arqueólogos encontraram uma parte do fosso. A segunda deteve-se na ampliação das áreas escavadas para destacar as formas do fosso descoberto, dando maior visibilidade ao monumento. Foram encontradas no local, armas brancas, projéteis de arma de fogo, equipamentos de defesa pessoal, entre outros objetos.
Os arqueólogos retornaram ao local, na década de 1980, com o objetivo de avaliar o desgaste do sítio, oriundo das ações naturais e humanas. Essa etapa permitiu elaborar definições para preservar o monumento, adotando medidas para conter tal desgaste. As medidas sugeridas representaram a importância de se manter um monumento que simboliza a memória viva da história, momentos e dificuldades enfrentados e superados pelo nosso povo.
Em 2009, foi reiniciado o trabalho de escavações e outra parte do fosso foi descoberta, novos achados foram encontrados, entre eles, mariscos e ostras, demonstrando, possivelmente, o tipo de alimentação consumida no forte. Alguns objetos indígenas, como urna funerária, cachimbo e uma vasilha comprovam a presença nativa no local.
O Forte - A construção da fortificação em 1630, também conhecida como “Forte Real do Bom Jesus”, foi projetada para proteger as terras produtivas de cana-de-açúcar da capitania de Pernambuco contra a investida holandesa. O estilo arquitetônico do forte era misto, pois que apresentava uma estrutura de duas táticas de guerra do período: a guerra de cerco e a prática de guerrilha, que consistia em cercar o inimigo, interromper suas linhas de comunicação e destruir seus suprimentos.
O nome “Forte Real do Bom Jesus” foi inspirado, possivelmente, em uma capela construída no local em devoção ao Bom Jesus. No entanto, não foi encontrado nenhum vestígio arqueológico dessa capela. O Forte Real do Bom Jesus, que antes abrigou um cenário de lutas, passou a ser residência da família Trindade Peretti que construiu o chalé. O Dr. Manuel da Trindade Peretti, membro da família e morador do local, foi a referência pela qual o lugar ficou e é conhecido até hoje: Sítio Trindade.
Da Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR
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